O São João é um dos eventos mais esperados no Nordeste e movimenta cidades, turismo e economia local. Diante dos altos gastos do governo e prefeituras baianas com a tradicional fseta, os cachês dos artistas para os festejos juninos podem passar por uma mudança significativa.
Prefeitos baianos se reuniram na sede da União dos Municípios da Bahia (UPB), em Salvador, para discutir a criação de critérios que estabeleçam um possível teto de gastos para cachês artísticos durante o período junino. A proposta busca controlar o aumento das despesas com eventos e deve ser encaminhada ao Ministério Público da Bahia (MPBA) e aos tribunais de contas.
Durante o encontro, o presidente da UPB, Wilson Cardoso, destacou a necessidade de organizar melhor os valores pagos aos artistas. Segundo ele, há casos em que um mesmo cantor cobra preços diferentes em cidades vizinhas, o que dificulta o planejamento das prefeituras.
A ideia defendida pelos gestores é criar um modelo que permita a realização do São João, sem que os gastos comprometam o orçamento dos municípios, especialmente os de menor porte.
Prefeitos como Zé Cocá, de Jequié, e Carlos Matos, de Riachão do Jacuípe, alertaram que os valores atuais podem tornar a festa inviável nos próximos anos. A avaliação é de que, se nada for feito, muitos municípios não conseguirão manter os festejos juninos.
Prefeitos alertam sobre riscos
Segundo Zé Cocá, os custos do São João aumentaram de forma acelerada nos últimos anos, o que tem impacto direto nas contas públicas e na organização das festas.
“O São João começou com um custo e hoje está dez vezes mais caro do que há cinco ou seis anos. Os municípios de pequeno porte não estão conseguindo ter condições de realizar mais festas, ao mesmo tempo em que a população busca por este tipo de entretenimento”, afirmou.

“Do jeito que as coisas estão, em até três anos nenhum município baiano conseguirá ter condições de realizar a festa. Se este ano for igual ao ano passado, os custos devem aumentar em cerca de R$ 5 milhões. Antigamente, com R$ 200 mil você fazia um São João razoável. Hoje, com esse valor, não se contrata nem a produção sonora para o palco”, completou.
Equilíbrio fiscal
Os prefeitos reforçaram que o objetivo não é acabar com o São João, mas garantir que a festa continue acontecendo de forma organizada e dentro da realidade financeira dos municípios. A preocupação é manter a tradição sem prejudicar outras áreas importantes da administração pública.
“Essa pauta precisa ser discutida entre os prefeitos, já que também há uma necessidade dos municípios em diminuírem as despesas. Então, é importante que tenhamos uma festa bem feita, de maneira que tenhamos condições de pagar por ela”, explicou o prefeito de Jequié.
