O setor de transporte de cargas no Brasil vive dias de tensão. Segundo Wallace Landim, o “Chorão”, presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), uma paralisação nacional pode ter início ainda antes do final de semana. A mobilização ganhou força após uma assembleia no Porto de Santos, que reuniu lideranças de diversas regiões para alinhar uma data única de mobilização.
O principal combustível para o movimento é o custo do diesel S-10, que já beira a média nacional de R$ 6,90 por litro. Com o barril de petróleo ultrapassando os 100 dólares no mercado internacional devido aos conflitos no Oriente Médio, os reajustes da Petrobras tornaram a operação logística insustentável para muitos.
Medidas do Governo são consideradas insuficientes
Embora o Governo Federal tenha anunciado um pacote de redução de tributos e subvenção ao diesel, em 12 de março, o efeito prático foi anulado pelo reajuste de 11,6% nas refinarias ocorrido logo em seguida.
Além do preço do combustível, a categoria apresenta outras reivindicações estruturais:
- Fiscalização do frete: A ANTT atualizou o piso mínimo (reajustes de até 7%), mas a categoria reclama que não há fiscalização para garantir que o valor chegue ao motorista.
- Isenção de pedágio: Pedem o fim da cobrança para caminhões vazios como medida de alívio imediato.
- Travamento eletrônico: Implementação de uma planilha de custo mínimo operacional.
Diferente de paralisações anteriores marcadas por bloqueios, a estratégia inicial da Abrava é a paralisação voluntária. A orientação é que o caminhoneiro não carregue o veículo e permaneça em casa. Contudo, Chorão alerta que, caso não haja avanço nas negociações com a Casa Civil, o cenário pode evoluir para interrupções nas rodovias.
A crise atinge uma categoria envelhecida: dados recentes mostram que apenas 4% dos caminhoneiros no Brasil têm menos de 30 anos, refletindo a baixa atratividade da profissão diante dos altos custos e riscos operacionais.
