O Governo da Bahia e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB) divulgaram, nesta sexta-feira (24), uma nota conjunta em que criticam as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e alertam para os impactos que as medidas podem provocar na economia baiana, especialmente na indústria de transformação.
Segundo o documento, a tarifa adicional de 25% entrou em vigor no último dia 22 de julho, como resultado de uma investigação conduzida pelo governo norte-americano com base na Seção 301 do Trade Act de 1974. Além disso, o governo do presidente Donald Trump anunciou, na quarta-feira (23), uma nova tarifa de 12,5% dentro de um pacote global que atinge cerca de 60 parceiros comerciais, sob a justificativa de fiscalização insuficiente de trabalho forçado.
Na avaliação do Estado e da FIEB, as medidas representam sanções comerciais unilaterais que prejudicam relações comerciais consolidadas ao longo de décadas, afetam cadeias produtivas integradas entre Brasil e Estados Unidos e aumentam custos para empresas, trabalhadores e consumidores.
Um terço das exportações da Bahia para os EUA pode ser afetado
De acordo com os dados apresentados na nota, cerca de US$ 273,1 milhões das exportações baianas realizadas aos Estados Unidos em 2025 permanecem sujeitos à tarifa, o equivalente a 33,2% dos US$ 821,4 milhões exportados pelo estado para o mercado norte-americano.
O governo estadual destaca que a maior parte do impacto recai sobre a indústria baiana, principalmente nos setores de:
- papel e celulose;
- borracha e plásticos;
- produtos químicos.
Juntos, esses segmentos representam quase 90% do valor das exportações atingidas pelas tarifas. A nota também aponta efeitos significativos sobre a cadeia de calçados e couro, considerada uma importante geradora de empregos no interior da Bahia.
Segundo o documento, considerando as condições previstas em parte das isenções concedidas pelos Estados Unidos, a parcela da pauta exportadora sujeita às tarifas pode chegar a 40,4%.

Bahia defende negociação diplomática
O Governo da Bahia e a FIEB afirmam apoiar as negociações conduzidas pelo Governo Federal e defendem que a solução para o impasse seja construída por meio do diálogo diplomático e técnico com os Estados Unidos.
Entre os principais pleitos apresentados pelas instituições estão:
- a reinclusão da celulose solúvel na lista de produtos isentos das tarifas;
- a inclusão de pneumáticos e de produtos químicos e petroquímicos do Polo Industrial de Camaçari nas futuras listas de exceções;
- a manutenção das isenções já concedidas para setores como celulose branqueada, cacau e derivados, combustíveis, café e fruticultura irrigada.
Além disso, as entidades defendem medidas para proteger o mercado interno brasileiro, como a aplicação de tarifas de importação e mecanismos antidumping para produtos petroquímicos, além da criação de preços de referência para pneus.

Empresas são chamadas a informar prejuízos
No documento, o governador Jerônimo Rodrigues e o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, afirmam que atuarão de forma conjunta na defesa da indústria baiana.
As empresas afetadas também foram convidadas a informar ao Governo do Estado e à FIEB os impactos provocados pelas novas tarifas sobre contratos, pedidos, produção e empregos. Segundo a nota, essas informações servirão de base para fortalecer os argumentos técnicos apresentados pela Bahia nas negociações internacionais.
O objetivo, segundo as instituições, é preservar mercados conquistados ao longo de décadas, proteger empregos e a renda dos trabalhadores baianos e contribuir para uma solução negociada que reduza os impactos das novas barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
