Iselbergs de Itatim: entenda quando e como surgiram as rochas gigantes que embelezam o município

inselberg-morro-toca-itatim.jpg

Foto cedida por Naoki Arima

No coração do semiárido baiano, no município de Itatim, erguem-se no horizonte centenas de inselbergs — montanhas isoladas de rocha que parecem verdadeiras ilhas de pedra em meio à paisagem plana da caatinga. O nome do município já indica essa característica: Itatim vem do tupi itá (pedra) + tim (aguda), referindo-se ao impressionante Morro da Ponta Aguda, um dos inselbergs mais conhecidos da região.

O município é famoso entre escaladores e geólogos. Mas o que poucos sabem é que essas estruturas são sobreviventes de processos geológicos que duraram centenas de milhões de anos.

Para entender os inselbergs de Itatim, precisamos viajar no tempo. A rocha que os compõe formou-se durante o Período Neoproterozoico (há cerca de 600 milhões de anos), durante a formação do supercontinente Gondwana. No entanto, o formato de “monte ilha” que vemos hoje é resultado de um processo de erosão muito mais recente, que se intensificou nos últimos 60 a 20 milhões de anos (períodos Paleógeno e Neógeno).

Foto cedida por Naoki Arima

Como surgiram?

O surgimento dessas formações ocorre em duas etapas principais:

  1. Cristalização subterrânea: No passado remoto, grandes massas de magma não conseguiram chegar à superfície e resfriaram-se lentamente sob a terra, transformando-se em rochas extremamente duras (como granitos e gnaisses).
  2. Erosão diferencial: Ao longo das eras, as camadas de solo e rochas mais moles ao redor foram sendo “lavadas” pela chuva e pelo vento. Como o núcleo de granito de Itatim era muito mais resistente que o material ao redor, ele permaneceu de pé enquanto o resto do terreno baixava de nível.
Foto cedida por Naoki Arima

Características das rochas

As rochas de Itatim são predominantemente compostas por Granitoides. Elas possuem uma textura rugosa que oferece excelente aderência, o que explica por que a cidade é considerada a “Meca da escalada” no Nordeste.

Ecossistemas únicos

Os inselbergs não são apenas pedras mortas. Eles funcionam como “refúgios biológicos”:

  • Microclima: Devido à retenção de calor e ao acúmulo de água em fendas, abrigam plantas que não sobrevivem na caatinga ao redor, como bromélias, cactos raros e orquídeas.
  • Biodiversidade: Muitas espécies de répteis e aves utilizam os paredões para nidificação e proteção contra predadores.

O valor dos inselbergs de Itatim — tanto natural quanto cultural — tem chamado atenção de especialistas. Houve iniciativas e visitas de geólogos para discutir a possibilidade de integrar essas formações à Rede Mundial de Geoparques da UNESCO, o que poderia promover conservação, pesquisa e turismo sustentável.

Foto cedida por Naoki Arima

Mais lidas

Todos os direitos reservados
www.i75.com.br
scroll to top