STF julgará vínculo trabalhista de motoristas e entregadores

O Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para a próxima quarta-feira (1°) o início do julgamento sobre o reconhecimento de vínculo empregatício entre entregadores e motoristas de aplicativos e as plataformas digitais. A controvérsia é conhecida como uberização das relações de trabalho.

A decisão a ser tomada pela Corte terá impacto em 10 mil processos que estão parados em todo o país à espera do posicionamento do plenário.

Serão julgadas duas ações que são relatadas pelos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes e chegaram ao Supremo a partir de recursos protocolados pelas plataformas Rappi e Uber.

Contestação

As empresas contestam decisões da Justiça do Trabalho que reconheceram o vínculo empregatício com os motoristas e entregadores.

A Rappi alegou que as decisões trabalhistas que reconheceram o vínculo de emprego com a empresa desrespeitaram posição da própria Corte que entende não haver relação de emprego formal com os entregadores.

A Uber sustentou que é uma empresa de tecnologia, e não do ramo de transportes, e que o reconhecimento de vínculo trabalhista altera a finalidade do negócio da plataforma, violando o princípio constitucional da livre iniciativa de atividade econômica.

Além das defesas das plataformas, os ministros vão ouvir durante o julgamento as sustentações orais de entidades que defendem o reconhecimento do vínculo trabalhista de motoristas e entregadores.

O julgamento sobre a uberização será a primeira pauta do plenário sob o comando do ministro Edson Fachin, que será empossado no cargo de presidente do STF na próxima segunda-feira (29). Ele sucederá o ministro Luís Roberto Barroso, que encerrará mandato de dois anos à frente do tribunal. 

Agência Brasil

Rio ganha mais opções gastronômicas com mercado em Laranjeiras

Acompanhado do seu cachorro , o empresário aposentado Luis Sérgio Santos, de 73 anos, esteve esta semana no recém-inaugurado Novo Mercado São José. Ele queria ver as novidades do tradicional polo gastronômico e cultural de Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro, fechado desde 2018. 

Santos conta que frequentava o espaço antes de seu fechamento. “Em relação ao que está agora, era um imóvel com características muito antigas, estilo colonial, era aconchegante, mas a gente via que estava precisando de uma reforma. Tinha barzinhos e venda de salgadinhos. Ouvia-se música, tocavam violão, tomavam um chopinho. Mas estava abandonado. Agora está mais confortável, moderno, bonito, bem estruturado. Voltarei a frequentar. Será excepcional se tiver uma programação musical”, enfatiza. 

Reduto gastronômico

A farmacêutica Luiza Gotin, de 39 anos, aproveitou um tempo livre no trabalho para conhecer o novo reduto gastronômico do Rio. Moradora de Laranjeiras desde 2020, ela só conheceu o imóvel abandonado.

“Eu passava por aqui e via o mercado bem destruído, com moradores de rua dormindo dentro e fora do local. Fiquei muito feliz quando pensaram em revitalizar porque trouxe, além de mais segurança, espaço de interação com restaurantes. Espero que tenha atividades culturais. É um prédio tão icônico que não podia ficar abandonado do jeito que estava. Foi um presente para o Rio”, opinou Luiza. 


Rio de Janeiro(RJ), 24/09/25 - O aposentado, Luís Sérgio Touche e seu cachorrinho, Zé, passeiam no novo merdado. O Mercado São José, em Laranjeiras. que estava fechado há 7 anos volta a funcionar como espaço para compras de hortifruti, restaurantes e música. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Luís Sérgio Touche vai ao mercado com o seu cachorroTânia Rêgo/Agência Brasil

Fechado há sete anos, quando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) retomou judicialmente o imóvel, a prefeitura do Rio comprou o prédio e o terreno ao lado, em 2023, por R$ 3 milhões.

A Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar) fez uma chamada pública e o consórcio liderado pela Engeprat com a curadoria da Junta Local, que reúne produtores de orgânicos, foi selecionado para gerir o espaço pelos próximos 25 anos. O investimento privado na revitalização foi de R$ 10 milhões. 

Popularmente conhecido como Mercadinho São José, o centro gastronômico voltou a funcionar com 16 empreendimentos, entre hortifruti orgânico, queijaria, confeitaria autoral, cozinha árabe, café especial, massas artesanais, sorvetes veganos, fermentados, bares e restaurantes. O mercado fica aberto de terça-feira a domingo, das 10h às 22h, na Rua das Laranjeiras, 90. 

Massas

O espaço foi uma oportunidade para que pequenos negócios abrissem lojas físicas pela primeira vez. O restaurante Basta, especializado em massas, é um deles. Mauricio Borges, de 28 anos, fez o curso de gastronomia na renomada escola Le Cordon Bleu. A sócia, Ellen Gonzalez, foi professora dele na escola de gastronomia francesa.

“A Ellen sempre participou da Junta Local e, quando soube que ia reabrir o mercado, ela se interessou e abrimos aqui nosso primeiro negócio. Tem ficado bem cheio. Nossa expectativa é muito boa. Estamos aumentando a nossa equipe e contratando mais gente”, revela. 

Outro estreante é o Rancho das Vertentes, queijaria com produtos artesanais próprios e de outros produtores. A sócia Sandra Cardoso, de 59 anos, conta que vendiam muitos dos seus produtos nas feiras da Junta Local. “Há muito tempo a gente estava procurando um ponto para abrir uma loja física.  Era um sonho ter uma loja de produtor de queijo artesanal. Tem sido bem movimentado e estamos vendendo bem”, avalia.

Cofundador da Junta Local, Thiago Nasser, disse que a ideia era voltar a ser um mercado com produtores locais como era quando foi fundado em 1944. “A ideia era resgatar essa tradição de ser um lugar de produtores. Quando a gente começou com a prospecção, a gente trabalhou com a nossa rede de produtores para ter um lugar fixo. Já geramos cerca de 150 empregos”, afirmou Nasser. 


Rio de Janeiro(RJ), 24/09/25 - O Mercado São José, em Laranjeiras. que estava fechado há 7 anos volta a funcionar como espaço para compras de hortifruti, restaurantes e música. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Mercado reúne frequentadores de todas as idades – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Desde 1944, o mercado integrou um ciclo de espaços comunitários cariocas batizados com nomes de santos – São Sebastião, São Bento, São Rafael, São Lucas e São Paulo. Seu tombamento como Patrimônio Cultural do Rio, em 1994, reforçou o valor como patrimônio afetivo e arquitetônico da cidade, segundo a prefeitura. 

Senzala e celeiro

O imóvel foi uma senzala e um celeiro de uma fazenda localizada no Parque Guinle na época do Império.

Sua inauguração como mercado ocorreu em 31 de maio de 1944, quando o presidente Getúlio Vargas decidiu adaptar as baias para criar um local que pudesse fornecer alimentos mais acessíveis à população durante a Segunda Guerra Mundial.

Depois de décadas de abandono desde os anos 1960, o mercado passou por uma revitalização em 1988 e se tornou um ponto tradicional da boemia carioca.

No entanto, com o passar dos anos, a infraestrutura do local começou a se deteriorar e ele acabou fechado em 2018, após o INSS retomar o local. Agora, a realidade é outra. 

Agência Brasil

Cientista político vê onda bolsonarista enfraquecida após condenação

No movimento agitado das marés políticas, a onda bolsonarista estaria perto de virar espuma. A metáfora expressa a visão do cientista político Gabriel Rezende, que caracteriza o fenômeno político liderado nos últimos anos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro como “populismo de direita”. Em análise histórica mais ampla, o Brasil teria vivido quatro ondas populistas, e a mais recente delas mostra sinais de enfraquecimento.

Doutor pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), Gabriel lançará, no início de outubro, o livro A ascensão do populismo de direita no Brasil, pela Editora Appris. A obra trata o populismo como um fenômeno político e uma ferramenta de representação, que emerge sempre em momentos de crise.

Em entrevista por telefone à Agência Brasil, o autor defende que as crises política, econômica e social brasileiras, entre 2013 e 2016, formaram a “tempestade perfeita” para ascensão da onda bolsonarista. Entre as características principais, esse novo populismo de direita teria se apresentado com um líder carismático central, discursos que opõem “o povo” a uma “a elite da velha política”, narrativas nacionalistas e religiosas, e o uso estratégico das mídias sociais.

Nesse sentido, Gabriel Rezende entende que a tentativa fracassada de golpe de Estado pelo núcleo bolsonarista e o papel do Judiciário no enfrentamento das tendências autoritárias colocam o populismo de direita em rota decrescente.

 


Brasília (DF), 26/09/2025 - Gabriel Rezende, cientista político, lança livro sobre populismo de direita. Foto: Gabriel Rezende/Arquivo Pessoal

Gabriel Rezende, cientista político, lança livro sobre populismo de direita. Gabriel Rezende/Arquivo Pessoal

Confira a entrevista

Agência Brasil: Poderia falar, em linhas gerais, o que motivou a pesquisar o “populismo de direita” e como o tema é abordado no livro que está prestes a lançar?

Gabriel Rezende: O livro é fruto da minha tese de doutorado. O que despertou a minha curiosidade foi perceber a emergência de líderes populistas pelo mundo. Primeiro, em 2016, com Donald Trump, nos Estados Unidos; Kaczyński, na Polônia; Beppe Grillo, na Itália; Viktor Orbán, na Hungria; e Jair Bolsonaro, no Brasil. Isso me mostrou a necessidade de estudar o fenômeno.

Busquei identificar, no meu livro, quais foram os fatores estruturais para a ascensão desse tipo de populismo no Brasil, entre 2016 e 2022. A partir daí, compreendi o bolsonarismo como movimento político. E que o Brasil sempre viveu ondas populistas.

A primeira onda populista foi da década de 30 até a década de 60; a segunda onda populista, nos anos 90, a chamada onda populista neoliberal, com o Fernando Collor como protagonista; a terceira onda, que foi a rosa, o populismo de esquerda, que, além do Brasil, também se fez presente na América Latina com Evo Morales [Bolívia], Chávez [Venezuela] e Kirchner [Argentina]; e a quarta, que estamos vivendo agora, paralela à onda populista de direita que também acontece na Europa e nos Estados Unidos.

Agência Brasil: Populismo é um termo com muitos sentidos, disputado por diferentes teóricos e movimentos políticos. Pode ser visto como pejorativo ou fenômeno positivo de inclusão maior das demandas populares. Como você caracteriza esse conceito na sua obra?

Gabriel Rezende: Não entendo o populismo como ideologia ou regime político, uma vez que não pode ser atribuído a ele um conteúdo programático específico. Ele regimenta um conjunto de questões ideológicas dentro de um centro.

Ele é um fenômeno político que sempre surge em processos de crise da democracia. Também pode ser visto como uma ferramenta de política de representação, seja da direita ou da esquerda. Para ser caracterizado assim, precisa de alguns elementos.

Primeiro, uma figura central, um líder carismático que vai amalgamar todas as insatisfações sociais. E, quando ele faz isso, se funda a partir do antagonismo, da diferenciação entre “nós” e o “outro”, ou melhor, entre o povo e a elite. Ou seja, ele trabalha numa ordem dicotômica. Ele procura fazer uma distinção entre o povo, que é a massa, e aqueles que dominam essas massas. No populismo de direita, por exemplo, o inimigo pode ser o imigrante, os membros da classe política. Bolsonaro usou muito essa retórica sobre a velha política e a nova política.

Agência Brasil: Quais seriam as diferenças entre os populismos de direita e os de esquerda?

Gabriel Rezende: No caso do populismo de direita, se trabalha muito a narrativa nacional nativista, por exemplo, caso do Trump com o lema Make America Great Again [Faça a América grande de novo, em inglês]. Essa ideia de América fortalecida. O segundo elemento muito comum é a religião. No caso do Brasil, nós somos uma nação mais de 60% cristã. Então, o populismo usa a narrativa conservadora e moral.

No caso do Brasil, em 2018, a direita conseguiu mobilizar isso, porque quem estava no poder até então era um partido de esquerda, o PT. E a direita batia muito nessa questão antissistema.

Já o populismo de esquerda é diferente. Ele busca uma ampliação das lacunas da vida social, por exemplo, questões mais progressistas em relação aos direitos das minorias. Ele busca amalgamar essas pessoas à margem e o discurso vai ser um elemento aglutinador delas.

As pautas vão ser voltadas para a democracia, para questões de liberdade moral. Por exemplo, a grande crítica do populismo de direita no Brasil foram questões liberais em relação à população LGBT, ao aborto, etc.

Agência Brasil: Quais particularidades envolvem o populismo de direita protagonizado pelo bolsonarismo?

Gabriel Rezende: Bolsonaro foi eleito porque conseguiu mobilizar cinco elementos. Primeiro, a questão do lavajatismo. Lembrando que o próprio Sérgio Moro foi ministro no governo dele. Bolsonaro vai na esteira da questão moral e ética na política.

O segundo pilar estrutural foi a questão dos evangélicos. Apesar de se dizer católico, ele foi muito ágil em lidar com essas lideranças religiosas por meio do discurso, com o próprio, “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. E os evangélicos conseguem mobilizar um eleitorado muito expressivo.

O terceiro elemento é o agronegócio, setor que mais cresce no Brasil, que abrange uma fatia expressiva do PIB. O agronegócio, de fato, abraçou a campanha do Bolsonaro por várias questões. Para citar um exemplo, o respaldo em relação à invasão de terras. O governo tinha a Teresa Cristina no Ministério da Agricultura, uma figura importante do agronegócio.

Outro elemento importante são as mídias digitais. O bolsonarismo foi muito habilidoso nas redes sociais, com uma série de representantes que ajudaram muito na mobilização das pautas e do eleitorado.

E o último elemento é a aproximação com os militares, como forma de moralizar a política. Eles, inclusive, fizeram parte dos escalões da Esplanada dos Ministérios e estão envolvidos nessa condenação recente por golpe de Estado.

 


Brasília (DF) 14/09/2025 Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em frente ao hospital onde ele se internou nessa manhã  Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em frente ao hospital onde ele se internou em 14 de setembro Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Agência Brasil: E como você analisa o Judiciário nesse contexto de atuação do populismo de direita. Vimos alguns juízes do Supremo serem caracterizados pelos bolsonaristas como inimigos dos seus interesses.

Gabriel Rezende: O STF, no caso do Brasil, cumpre papel de guardião da Constituição, segundo estabelecido em 1988. Nos últimos anos, o Poder Judiciário foi crescendo por receber demandas que eram próprias do Executivo ou do Legislativo, mas que estes não conseguiam responder. Então, muitos processos foram judicializados. Na minha visão, o que se vê é um Judiciário responsivo, que é levado a se posicionar diante de demandas muito complexas.

A preocupação por parte do populismo de direita é tentar mitigar o poder do judiciário, porque ele foi o único no Brasil que conseguiu se contrapor ao governo de Bolsonaro. E que atuou, com muitas aspas, como poder moderador.

Temos as questões recentes de projetos de anistia e a PEC da Blindagem, que foram respostas desse bolsonarismo ao julgamento da Primeira Turma do STF aos acusados por tentativa de golpe de Estado. São respostas da extrema direita para tentar mostrar que eles têm poder para medir com o Judiciário.

Só que o efeito foi contrário. O que aconteceu foi que a PEC da Blindagem não foi bem recebida socialmente. A PEC é um vazio argumentativo, porque vai contra o que esses próprios congressistas pregavam quando foram eleitos. A pauta da moral, da lei e da ordem.

Agência Brasil: Você falou em ondas populistas, o que significa que elas têm movimentos de início e fim. O que podemos esperar a partir de agora em relação a esse populismo de direita? É possível projetar se ele está mais próximo de um enfraquecimento ou de um fortalecimento?

Gabriel Rezende: Por algum tempo, nossas instituições não foram muito hábeis para lidar com esse movimento de extrema direita autoritário. Por exemplo, a Procuradoria-Geral da República não conseguiu ou não quis levar à frente questões em relação ao governo Bolsonaro. O Judiciário foi quem mais atuou nesse sentido.

Com a condenação dele recentemente, há um enfraquecimento no sentido político. Apoiadores fiéis a ele perdem uma base, uma referência mais concreta. A proibição de ele dar entrevista enfraquece muito. Imagine um populismo de direita em que a principal figura não pode falar.

Temos visto outras pessoas querendo assumir essa posição. O [pastor Silas] Malafaia, a Michelle Bolsonaro [ex-primeira dama], os filhos dele, o Tarcísio [de Freitas, governador de São Paulo]. Abre-se um flanco muito grande de quem vai disputar o legado desse populismo. Nesse sentido, podemos falar que existe um enfraquecimento do populismo. Estão mensurando o quanto a imagem do bolsonarismo está danificada e se é possível um rearranjo em relação à figura política principal.

Ao mesmo tempo, o [presidente] Lula não conseguiu ainda construir uma sucessão, uma outra figura que assuma o seu legado. Quem será o candidato que vai conseguir amalgamar todos esses princípios em relação à esquerda, caso o próprio Lula não possa ou não queira se reeleger?

O momento é de rearranjo político. Na política, uma semana é um mundo. Podem acontecer mil coisas antes da eleição de 2026.

Agência Brasil

Classificar Antifa como terrorista aumenta repressão política nos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou esta semana um decreto que designa o movimento Antifa como “organização terrorista”. A medida chamou atenção de especialistas, que chegaram a considerá-la como uma das mais graves em termos de repressão tomadas por Trump até o momento. Isso porque, na prática, ela pode ser usada para coibir qualquer manifestação contrária ao governo e até mesmo para justificar o uso abusivo de violência por parte do Estado, sendo comparável a repressões feitas em ditaduras.

“Na verdade, o que ele está suspendendo, sem mexer na Constituição, é o direito constitucional da livre expressão, de protesto, de dissenso, que é próprio da democracia”, diz o professor do departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF), Thiago Rodrigues.

“É muito grave isso que tá acontecendo. É equivalente a políticas de repressão de uma ditadura militar, como houve no Brasil. A pessoa que é contra o regime é considerada subversiva, como inimiga da pátria, não como criminosa, mas como traidora da pátria. É muito sério, é uma medida que equivale a medidas de um governo ditatorial”, acrescenta.

A medida foi anunciada após o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, aliado de Trump, baleado em um campus universitário em Utah. Um estudante de faculdade técnica de 22 anos foi acusado do assassinato, e os investigadores, que ainda buscam uma motivação para o crime, não comprovaram a ligação dele com qualquer grupo organizado. Antes mesmo da prisão do suspeito, Trump atribuiu o assassinato a uma “esquerda radical”. A classificação de Antifa como terrorista veio como represália.

A inclusão chama atenção porque Antifa não se trata de uma organização específica, mas de uma pauta antifascista que é defendida por diversos movimentos e organizações. Nos Estados Unidos, Antifa ganha ainda mais projeção desde o primeiro governo de Trump, entre 2017 e 2021, sendo utilizado como bandeira por movimentos progressistas, por exemplo, durante os protestos após o assassinato de George Floyd, sob o lema Black Lives Matter (Vidas Negras Importam).

“Não existe um grupo organizado, com hierarquia, com comando central, com propósitos elaborados de uma forma mais organizada que se chame Antifa”, diz Rodrigues. “Antifa é uma tática motivada por uma ideologia antifascista e anticapitalista. É preocupante que Trump tenha designado uma forma de pensar e agir como um grupo terrorista”.

O fascismo surge na Itália, nos anos 1920, sob a liderança de Benito Mussolini. Trata-se de um regime ultranacionalista e autoritário. Já o movimento Antifa ganha força nos Estados Unidos na mesma época, quando grupos se organizam contra organizações pró-nazistas no país. Atualmente, Antifa congrega também pautas de igualdade de gênero e racial.

Sem uma organização específica, a medida de Trump abre brecha para que todas as que se oponham ao governo possam ser criminalizadas.

“É muito possível que essa associação [ao terrorismo] facilite o uso de medidas de repressão, de medidas autoritárias contra grupos em geral desse espectro progressista”, diz a professora do Departamento de Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) Clarissa Nascimento Forner.

“Usar o termo terrorismo mobiliza não só um certo conjunto de significados, mas também autoriza um conjunto de práticas, inclusive, de maior violência”, explica.

Terrorismo

Para os professores é importante compreender o peso do termo terrorismo nos Estados Unidos. No dia 11 de setembro de 2001, não apenas os Estados Unidos, mas todo o mundo assistiu a aviões atingirem e derrubarem as duas torres do World Trade Center, em Nova York, que abrigavam escritórios de grandes empresas. O atentado deixou cerca de 3 mil mortos e marcou o início do que foi chamado pelo governo da época de “uma guerra ao terror”

Nos EUA, a Ordem Executiva 13.224, de 2001, dá ao governo poder de interromper a rede de apoio financeiro para terroristas e organizações terroristas, de designar e bloquear os ativos de indivíduos e entidades estrangeiras que cometem, ou representam um risco significativo de cometer atos de terrorismo.

O ato presidencial que designou Antifa como uma organização terrorista doméstica estabelece: “Todos os departamentos e agências executivas relevantes devem utilizar todas as autoridades aplicáveis ​​para investigar, interromper e desmantelar toda e qualquer operação ilegal — especialmente aquelas que envolvam ações terroristas — conduzida pela Antifa ou qualquer pessoa que alegue agir em nome da Antifa, ou para a qual a Antifa ou qualquer pessoa que alegue agir em nome da Antifa forneceu suporte material, incluindo ações investigativas e processuais necessárias contra aqueles que financiam tais operações”.

“Isso se segue uma lógica que nós testemunhamos em vários países com governos autoritários, com governos não democráticos. A gente viu isso na Rússia, a gente viu isso na Hungria, a gente tem visto isso na Venezuela. É uma ação típica de um governo autoritário que quer, se não acabar, certamente enfraquecer determinadas partes da sociedade civil que eles consideram politicamente hostil”, diz o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), Kai Lehmann.

Repercussões

No início do ano, Trump classificou diversas organizações do narcotráfico como terroristas e tem pressionado o Brasil a adotar a mesma postura em relação aos grupos criminosos locais. 

Para Clarissa Forner, a nova medida pode trazer também novas pressões para o Brasil. “Eu não duvido que isso possa também ser um outro mecanismo para ampliar essa pressão, já que a gente tem também grupos que se vinculam a essa pauta antifascista. Acho que isso pode corroborar também para reforçar essas pressões que já existem”, diz a professora da Uerj.

Lehmann acrescenta que, por mais que o Brasil tente copiar a medida, há entraves legais que dificultam que isso seja implementado no país.

“A Justiça no Brasil, atualmente, tem muito mais independência do que nos Estados Unidos. Então, contra esse tipo de medida, caberia no Brasil ainda recurso judicial. Nos Estados Unidos é mais difícil, a Suprema Corte nos Estados Unidos não pode ser considerada independente do Executivo”, diz.

Agência Brasil

Jovens de comunidade periférica do Recife tocarão para o Papa Leão

A vassoura, como o corpo do violoncelo. O lápis, como o arco que desliza sobre as cordas. Na imaginação da pernambucana Callyandra Santos, a música na cabeça obstruía até os sons dos tiros nas ruas do bairro do Coque, uma das regiões mais violentas – e estigmatizadas – do Recife (PE). Na época, aos 9 anos, ela havia ingressado na Orquestra Criança Cidadã, um projeto sem fins lucrativos pelo qual já passaram mais de mil crianças e adolescentes como ela. Novos acordes entraram pela janela da comunidade que, em 2006, tinha o menor IDH da capital pernambucana. 

Hoje, aos 17 ano, Callyandra foi uma das 11 selecionadas da orquestra de jovens do Recife para tocar fora do país em uma turnê pela Ásia e Europa. Eles estarão acompanhados de músicos de países em guerra, como palestinos e israelenses, ucranianos e russos, além de coreanos do Sul e do Norte.

A turnê do que está sendo chamado de “Concerto pela Paz” prevê apresentações em Seul (na Coreia do Sul, na terça, dia 30), em Hiroshima e Osaka (Japão, nos dia 4 e 5 de outubro), em Roma (Itália, no dia 7) e no Vaticano para o Papa (no dia 8).

“Nada foi em vão”

 


Recife (PE), 25/09/2025 - Callyandra Coutinho, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC

Recife (PE) – Callyandra Coutinho, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC 

Na história de Callyandra, como na de seus colegas, nada foi simples. A mãe, Sara Coutinho, de 47 anos, trabalha todas as madrugadas em uma fábrica de refrigerante situada a mais de uma hora de casa. Ela tem direito a apenas uma folga por semana e só consegue ouvir a filha ensaiar na hora do almoço – enquanto a menina treina com o violoncelo, a mãe consegue descansar com esse novo som. “É uma oportunidade única na vida. Fico muito orgulhosa”, diz a mãe. 

Sara é mãe solo e soube da orquestra pelo sobrinho, Davi Andrade, que começou no projeto aos 7 anos de idade. Ele formou-se em música na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e hoje, aos 26, é professor. Davi também fará a turnê. Os vizinhos dele já se acostumaram com a trilha sonora na porta de casa. 

“Na música, o meu primo Davi foi quem mais me inspirou. Ele virou também meu professor”, garante Callyandra.

Ao testemunhar a trajetória do rapaz, a menina também pretende seguir as linhas de suas partituras: ir para a faculdade no ano que vem cursar música. 

Na vida, a luta diária da mãe e a lembrança da avó, que morreu durante a pandemia de Covid, em 2020, inspiram a garota e fazem com que ela respire fundo na hora de tocar.

“Eu quero mostrar para elas que nada foi em vão”, diz Callyandra.
 

Bach de encher os olhos

 


Recife (PE), 25/09/2025 - Davi Andrade, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC

Recife (PE) – Davi Andrade, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC 

Entre tantas músicas que já passaram por suas jovens cordas, a “Suíte para violoncelo Nº 1”, de Johann Sebastian Bach, faz a menina do Coque encher os olhos de lágrimas, enquanto faz o arco se mover entre o presente, o passado e o que quer para o futuro. 

Davi, o primo e inspiração da Callyandra, recorda que aprendeu o violoncelo com o instrumento apoiado, mesmo ainda sem conseguir pisar no chão de tão pequeno que era em comparação com o equipamento.

“Com 13 anos de idade, eu vi que seria a minha profissão porque mudou a minha história e da minha família”. 

Era na sede da orquestra que ele fazia as três refeições do dia, em um quartel do Exército (7º Depósito de Suprimento), instituição com o qual o projeto de música tem parceria. Na adolescência, o rapaz tocou diante do Papa Francisco. 

Com apenas 19 anos de idade, virou professor no núcleo da orquestra em uma área rural da cidade de Igarassu (PE). Lá, ele ensina música para adolescentes que, durante o dia, trabalham na roça com os pais. 

“Eu me identifico com eles. Me vejo neles”. Além de Igarassu e Recife, jovens em vulnerabilidade na cidade de Ipojuca, no litoral sul, também têm chances de aprender. Ao todo, são 400 alunos nas três unidades do projeto. Para ele, tão importante quanto as notas musicais é a solidariedade que chega em sons e gestos, entre os mestres, os jovens e os músicos. Um impulsiona o outro a não desistir.

Música de paz

Enquanto toca o concerto para violoncelo do tcheco Antonín Dvorák (1841 – 1904) na porta de casa no Coque, Davi lamenta que perdeu amigos para a violência do bairro, antes tomado por facções.

“A gente tinha na orquestra filhos de pais de facções diferentes. A música ajudou a estabelecer a paz muitas vezes”, afirma o músico.

Ele entende que a orquestra ensina mais do que música. “A orquestra literalmente tem um aspecto social no Coque muito importante que não cabe nos números. Ensina cidadania”. 

O projeto da orquestra foi criado há 19 anos pelo juiz de direito João Targino, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Depois de integrar o Programa Criança Cidadã, que atuava em prol de pessoas em situação de rua, o magistrado optou por criar um coral. Das vozes aos instrumentos, foi uma nova ousadia.

“Nós escolhemos a comunidade do Coque porque tinha os piores índices de desenvolvimento humano e o maior índice de violência”, recorda. 

O maestro José Renato Accioly, de 59 anos, diz que reunir jovens de culturas tão diferentes é desafiador, mas mostra como a música tem linguagem universal. Ele explica que o repertório vai contemplar músicas das diferentes nacionalidades. E, claro, inclui o frevo e medley de músicas brasileiras.

“São músicos de altíssimo nível. Independentemente se vão querer seguir na música, eles nunca esquecerão dessa oportunidade que tiveram de estar nessa orquestra”. 

Sotaque alemão

Um dos músicos experientes que tocará na turnê é o contrabaixista Antonino Tertuliano, de 32 anos. Ele também nasceu no Coque e ingressou na orquestra quando tinha apenas 14 anos. Hoje, mora na Alemanha e é integrante da Niederbayerische Philharmonie Orchester (a orquestra filarmônica da Baixa Baviera). Ele é um entusiasta do projeto e faz parte da organização dos eventos internacionais. “O significado que o Criança Cidadã tem para mim é enorme. Eu tenho imensa gratidão”, disse, em entrevista à Agência Brasil

Sempre que está no Brasil , visita os antigos mestres e os novos alunos. “Apresento aos jovens a minha realidade atual e digo que é possível conquistar o mundo”.

Emocionado, recordou que, quando ingressou no projeto, não tinha conhecimento de música. Aluno de uma escola pública local, se encantou depois que fez um teste de aptidão musical.

“O projeto remoldou o bairro e a comunidade. Esse projeto social apresentou não só uma profissão,  mas outra perspectiva de futuro”.

“Era difícil criar filho no Coque”

 


Recife (PE), 25/09/2025 - Cleybson Silva, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC

Recife (PE) – Cleybson Silva, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC 

Um dos jovens que chegou para o projeto e depois virou violoncelista foi Cleybson da Silva, de 21 anos. Chegou ao projeto com 13 anos e, em 2020, perdeu a mãe para a Covid. “A música mudou totalmente o rumo da minha vida”, afirma Clebson, que hoje cursa licenciatura em música na UFPE. O pai, Clayton Oliveira, de 44, trabalha com instalação de câmeras de segurança.

“Antigamente, era bem difícil criar um filho no Coque. Era muito perigoso mesmo. A gente ouvia tiroteio sempre”, lembra Clayton.

Os barulhos mudaram. Para ele a transformação do local tem direta relação com a orquestra. O pai está orgulhoso porque o filho mais novo, Bernardo, de 7 anos, também já começou na orquestra. 


Recife (PE), 25/09/2025 - Ana Clara Gomes, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC

Recife (PE) – Ana Clara Gomes, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC 

Já Ana Clara Gomes, de 17 anos, se apaixonou pela viola quando estava na igreja evangélica que frequenta. Foi amor ao primeiro som. Tanto que passou a desenhar até na parede as notas musicais desde criança. O cenário de sua vida tem a paisagem do subúrbio, dos telhados com falhas e fios embolados nos postes de luz. 

Quando soube que teria a primeira oportunidade de viajar para fora do Brasil, teve cinco dias para ensaiar música do compositor Camargo Guarnieri (1907 – 1993).  “Eu fiquei estudando sem parar”. A primeira musicista da família foi criada pela mãe, que é técnica de enfermagem, e viu na música uma chance de felicidade depois que o pai morreu, há oito anos. 

Há um ano, Ana conseguiu comprar, em prestações, o próprio instrumento. E pensar que no começo, o que fazia o papel da viola era a caixa de sabão em pó, a fim de sentir o peso do novo instrumento. 

Sabão em pó

 


Recife (PE), 25/09/2025 - Pedro Martins, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC

Recife (PE) – Pedro Martins, integrante da Orquestra Criança Cidadã. Foto: Augusto Cataldi/Ascom OCC 

O violinista Pedro Martins, de 21 anos, também utilizou a caixa de sabão em pó, como se fosse o instrumento, e o lápis, como se fosse o arco. “Se não segurar o violino direito, a música sai diferente”. Ele teve gosto pela música ouvindo o pai, que é motorista de aplicativo, tocando violão na sala.

Para imaginar a música, levava CD para casa para tocar no antigo aparelho de som. Quando começou, não tinha computador em casa, nem celular.

“Transformava a pequena sala de casa no meu palco. Meus pais tinham que me ouvir”, lembra Pedro.  

O pai, George Silva, de 41 anos, orgulhoso, recorda que mudava os horários do trabalho para aplaudir o filhão, que cursa música na UFPE. “Ele não se envolveu com coisa errada. Ele não mexia no violão da igreja. Quem diria que agora vai viajar o mundo por aí. Eu nunca passei nem perto de um avião ou de faculdade”.

O pai lamenta que perdeu um irmão, cunhado e amigos para “coisas erradas”, particularmente o envolvimento com drogas. O filho toca violino e ele vê o bairro de antes ficar cada vez mais distante. O Coque, as dificuldades de todos os dias, a esperança que bateu à porta dos vizinhos. 

O mundo virou outro e nem precisou de avião. Começou com uma caixa de sabão em pó.

“Cada vez que eu toco, eu penso nos meus pais e o quanto eles insistiram. Hoje nossa família se sente nas nuvens”, disse o violinista antes do embarque.

 


Agência Brasil

Pedágio 100% eletrônico começa a funcionar na BR-381 neste sábado

A cobertura por pedágio na modalidade free flow (livre passagem) em breve se tornará a modalidade disponível em todos os trechos da BR-381/MG. Os dois primeiros pórticos, nas cidades mineiras de Caeté (km 411,850) e João Monlevade (km 345,270), começam a operar neste sábado (27). A cobrança será feita por meio eletrônico, após a passagem por pórticos equipados com câmeras e sensores, sem necessidade de operador ou praça de pedágio e sem cancelas ou paradas. 

Desde fevereiro, a Nova 381 é a empresa responsável pela BR-381/MG. Estão previstos R$ 9,3 bilhões em investimentos. A rodovia tem papel estratégico para o desenvolvimento do país por conta do escoamento de produtos agrícolas, pecuários, de mineração e industriais. 

Em seis meses de concessão, foram investidos R$ 319,7 milhões em melhorias de infraestrutura e serviços. Com isso, a BR-381 se tornou a primeira em rodovias federais concedidas no Brasil a adotar o pedágio eletrônico em 100% de suas atividades.

A operação está autorizada desde o último dia 16 e é a primeira desde a mudança técnica implantada no primeiro trimestre.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) alterou a metodologia de precificação e de divisão de custos. Desde então a União assumiu, como poder concedente, 90% dos riscos de evasão na modalidade. Às concessionárias caberá arcar com os outros 10%.

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Totens

O risco de evasão, assim como as multas quando ocorrem, são objeto de discussão na Câmara, como ocorre com o Projeto de Lei 4.643/2020. As propostas defendem de anistia aos devedores até o banimento do sistema de vias concedidas e caminham para consenso em convergência com as regras da ANTT e com o Ministério dos Transportes.

Ambulâncias, veículos oficiais e do corpo diplomático seguem isentos, conforme previsto em contrato. Segundo a concessionária também não haverá cobrança para motocicletas.

Segundo a concessionária haverá ainda a instalação de 25 totens de pagamento no trecho entre Caeté e Governador Valadares, em postos de combustíveis, restaurantes e nas unidades do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAUs).

“O totem funciona por aproximação. O usuário digita a placa e verifica suas pendências, podendo pagar com cartão ou pix. Os totens estão em estabelecimentos na própria rodovia para facilitar o acesso para os usuários, em locais onde as pessoas já estão acostumadas a parar e consumir”, informou o gerente de operações da Nova 381, Diego Dutra. Também será possível pagar por meio de um app.

Outros estados

A BR-101 (Rio-Santos) inaugurou o uso da modalidade, em 2023, no trecho entre Paraty e Itaguaí, no Rio de Janeiro, com três pontos de cobrança. Em rodovias estaduais o sistema é usado no Rio Grande do Sul, em duas rodovias, e em São Paulo, em três. O governo paulista confirmou que pretende ampliar para 58 pontos de cobrança por free flow até o ano de 2032.

Este ano está prevista a implantação de oito pórticos, sendo um no Rodoanel, na região metropolitana de São Paulo, e os demais em estradas concedidas nas regiões da Baixada Santista, Alto Tietê e Vale do Ribeira. Em outras vias, como na recém concedida Rodovia Raposo Tavares, que liga São Paulo à região oeste do estado, o contrato de concessão prevê cinco pórticos Siga Fácil de pedágio eletrônico programados para entrar em operação em 2032.   

A ANTT informou, por meio de nota, que a mudança visa modernizar os sistemas de pedágio no país, reduzindo congestionamentos e melhorando a fluidez nas rodovias concedidas. “O avanço do sistema de livre passagem também está alinhado à busca por soluções mais sustentáveis e eficientes para a infraestrutura rodoviária brasileira”, aponta a agência.

Agência Brasil

Prêmio Jabuti divulga lista dos semifinalistas em 23 categorias

Prêmio mais popular da literatura nacional, o tradicional Prêmio Jabuti será revelado em 27 de outubro. Nos preparativos para sua 67ª edição, a organização, a cargo da Câmara Brasileira do Livro (CBL), divulgou nesta sexta-feira (26) a lista dos semifinalistas, com dez indicados em cada uma das 23 categorias.

A lista passará por nova fase eliminatória, e em 7 de outubro serão conhecidos os cinco finalistas, concorrentes ao prêmio de R$ 5 mil. 

Este ano, as 4.350 obras inscritas disputam a categoria especial de Livro do Ano, pela qual receberão o valor de R$ 70 mil e a vaga para representar o país na Feira do Livro de Londres, com destaque por ocasião do Ano da Cultura Brasil-Reino Unido. Todas as obras que disputam o prêmio foram publicadas em 2024. 

Com presença de editoras de diversos tamanhos, a celebração homenageia este ano a escritora Ana Maria Machado, um dos nomes mais presentes na produção editorial nacional, premiada com três Jabutis e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL). A carioca, de 83 anos de idade, recebeu ainda o Prêmio Hans Cristian Andersen, considerado o maior destaque internacional para autores de literatura infantil. 

O Prêmio Jabuti se destaca por premiar tanto estreantes e pequenas editoras quanto nomes consagrados e gigantes do setor. Entre os nomes mais conhecidos, autores como Monja Cohen, Christian Dunker, Ruy Castro, Carpinejar, Miguel Nicolelis e Daniel Munduruku, além de uma curiosa participação dupla de Chico Buarque, que disputa na categoria de melhor Romance Literário, por seu Bambino a Roma, ficção, mas também aparece como tema da obra Chico Buarque em 80 canções, de André Simões. 

A lista completa com os indicados pode ser conferida no site do evento, mantido pela CBL. 

Agência Brasil

Alckmin: encontro de Lula e Trump é um 1º passo para resolver tarifaço

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, disse nesta sexta-feira (26), em palestra na capital paulista, que o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é um “primeiro passo” para a resolução do tarifaço imposto pelos EUA ao Brasil. A reunião deverá ocorrer na próxima semana.

“Quero saudar o encontro, embora rápido, mas o encontro entre os presidentes Lula e Trump [na assembleia geral da ONU], que deram, ao menos, um primeiro passo. Vamos tentar dar os passos subsequentes para a gente ir removendo esses problemas e podermos caminhar mais rapidamente para resolver a questão do tarifaço”, disse, em evento na instituição de ensino Insper, em São Paulo.

Alckmin defendeu que o comércio entre os países deve ser “ganha-ganha”, ou seja, com ambos participantes obtendo sucesso, e baseado em regras. 

“Comércio exterior bem feito é ganha-ganha. Ele é mais eficiente: eu compro dele, mais barato. Eu sou mais eficiente: eu vendo para ele. A sociedade ganha. Só que precisa ter regras, porque senão o grande vai matar o pequeno”.

O vice-presidente ressalvou, no entanto, que a atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC), instituição que tem como missão assegurar as regras do comércio internacional, foi limitada pelos Estados Unidos.

“Temos que ter regras para o mundo todo, regras de comércio. Só que infelizmente não funciona. Por quê? Eu entro com uma representação [na OMC] e ganho na primeira instância. [A decisão] não vale enquanto não tiver decisão da segunda instância. Aí, na segunda instância, os Estados Unidos não designam os seus representantes. Ela [a OMC]   não pode agir. Então, meio que a OMC ficou inócua”, disse.


São Paulo (SP), 26/09/2025 - Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, durante palestra no IV Encontro Anual - Centro de Gestão e Politicas Públicas, no INSPER. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

São Paulo (SP), 26/09/2025 – Vice-Presidente, Geraldo Alckmin, durante palestra no IV Encontro Anual – Centro de Gestão e Politicas Públicas, no INSPER. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/Agência Brasil

No último dia 23, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que pretende se encontrar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana. Ele teceu elogios ao chefe de Estado brasileiro chamando-o de “homem muito agradável”, com quem teve “uma química excelente” durante breve encontro.

Trump discursou na Assembleia Geral das Nações Unidas logo depois o presidente Lula. Tradicionalmente, o presidente do Brasil faz o discurso de abertura das assembleias anuais da ONU. 

O presidente norte-americano disse que as tarifas aplicadas contra o Brasil e outros países são uma questão de defesa da soberania e da segurança de seu país.

Agência Brasil

Prêmio Einstein: EBC tem três jornalistas entre os 25 +Admirados

Após dois turnos de votações, o Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar anunciou, nesta sexta-feira (26), os profissionais e veículos que serão homenageados nesta edição de 2025. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) teve escolhidos nas categorias Jornalistas, Jornalistas do Centro-Oeste, Agências de Notícias e Áudio.

Patrícia Serrão, Paula Laboissière e Tâmara Freire integram a lista Top 25 +Admirados Jornalistas do Ano, que nesta edição terá 26 profissionais, por causa de um empate. As três já integraram a lista em outras edições do prêmio. Paula Labossière também ficou entre os três escolhidos na categoria Jornalistas do Centro-Oeste.

A Agência Brasil figura na lista de Agências de Notícias mais admiradas do país, ao lado da Agência Fapesp e da Agência Fiocruz de Notícias, por suas coberturas sobre temas de saúde, ciência e bem-estar. Também não é a primeira vez que a Agência Brasil recebe a honraria.

O estreante na premiação é o podcast VideBula, da Radioagência Nacional, que divide o Top 3 +Admirados na categoria Áudio com dois importantes programas da podosfera nacional: DrauzioCast e Ciência Suja.

A cerimônia de premiação ocorrerá no dia 27 de novembro, em São Paulo, em um evento que promete reunir os principais nomes da imprensa brasileira e celebrar o trabalho dos profissionais que se destacaram durante o ano. Além da entrega de certificados para os homenageados, serão anunciados os mais votados das 14 categorias temáticas e os Top 5 +Admirados Jornalistas do Ano, incluindo o campeão ou campeã geral. 

Esse reconhecimento reforça o papel da EBC e seus jornalistas na promoção de informações relevantes e de qualidade para o público brasileiro, especialmente nas áreas de saúde, ciência e bem-estar, temas que, mais do que nunca, têm sido essenciais para a sociedade.

O Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar chega à sua quinta edição como uma das principais premiações do jornalismo brasileiro, reconhecendo a excelência da imprensa no tratamento de assuntos que impactam diretamente a vida da população.

Homenageados da EBC por categoria

Jornalistas

  • Patrícia Serrão
  • Paula Laboissière
  • Tâmara Freire

Jornalistas – Regional Centro-Oeste

Agência de Notícias

Áudio

Agência Brasil

Ministro do Superior Tribunal de Justiça manda soltar o rapper Oruam

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) mandou soltar o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam.

A decisão foi assinada nesta sexta-feira (26) pelo ministro Joel Ilan Paciornik e atendeu ao pedido de soltura feito pela defesa do cantor.

Oruam é investigado pela polícia do Rio de Janeiro por associação ao tráfico de drogas, tráfico de drogas, resistência, desacato, dano, ameaça e lesão corporal. Ele estava preso desde de julho em uma penitenciária localizada na zona oeste da capital fluminense.

De acordo com as investigações, o rapper e outros acusados tentaram impedir a Polícia do Rio de cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente acusado de atuar como um dos seguranças pessoais dos chefes da facção criminosa Comando Vermelho, em julho deste ano.

Oruam é filho do traficante Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, que está preso em uma penitenciária federal.

Agência Brasil

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