Governo libera R$ 7,3 mil para famílias atingidas por chuvas em MG

O governo federal publicou duas medidas provisórias (MPs) para ajudar famílias e empresas afetadas pelas fortes chuvas em Minas Gerais. Uma delas é a Medida Provisória nº 1.338/2026, que prevê apoio às famílias atingidas com o pagamento de R$ 7,3 mil, em parcela única, preferencialmente destinado à mulher

Segundo o ministro da Casa Civil, Rui Costa, em visita nesta segunda-feira (9) a Juiz de Fora e Ubá, o auxílio é destinado para as famílias que perderam seus bens parcial ou totalmente e que sejam cadastradas pelas prefeituras.

Além disso, para ter acesso ao recurso, é necessário morar em município que tenha tido o estado de calamidade pública reconhecido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR).

A Medida Provisória nº 1.337/2026 abre linha de crédito de até R$ 500 milhões para apoiar empresas mineiras afetadas pelas chuvas, especialmente micro e pequenas empresas.

“Os recursos poderão ser utilizados na reconstrução, na aquisição de máquinas e equipamentos para o setor produtivo e como capital de giro, entre outras finalidades”, diz ministério.

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A medida será ofertada por meio do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, podendo beneficiar pessoas físicas ou jurídicas. O texto estabelece prazo de até 120 dias após a publicação da MP para a contratação do financiamento, diz a pasta.

As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata Mineira no final de fevereiro deixaram 72 mortos, após vários deslizamentos de terra, desabamentos de prédios e transbordamento de rios. Foram 65 mortes registradas em Juiz de Fora e sete em Ubá, além de moradores desalojados ou desabrigados.

Agência Brasil

Defensoria fará atendimento jurídico para afetados pelas chuvas em MG

A Defensoria Pública da União (DPU), em parceria com a Defensoria Pública Estadual de Minas Gerais, fará atendimento a partir desta segunda-feira (9) em cidades de Minas Gerais afetadas pelas fortes chuvas dos últimos dias. 

Entre 9 e 11 de março, o atendimento ocorrerá para os moradores de Juiz de Fora (MG). Na segunda-feira (9), a equipe das defensorias estará na Praça do Linhares, no bairro Antônio Vilela. Na terça-feira (10), a ação ocorrerá no bairro Vitorino Braga e, na quarta-feira, será no bairro Jardim Natal.

Em Ubá (MG), também entre os dias 9 e 11 de março, o atendimento ocorrerá na sala da Defensoria Pública Estadual de Minas Gerais, no fórum do município, na avenida Senador Levindo Coelho, número 735 – Sala 215, no bairro Novo Centro. 

Já em Matias Barbosa (MG), a ação será entre os dias 11 e 13 de março. As equipes das defensorias estarão na Câmara Municipal, na rua Solano Braga, número 380, no bairro Parque dos Sabiás.  

Nos atendimentos, os defensores públicos federais e estaduais vão orientar os moradores sobre benefícios sociais, acesso a programas assistenciais, regularização de documentos e outras medidas que podem contribuir para a reconstrução da vida das famílias atingidas. 

As fortes chuvas que atingiram a Zona da Mata Mineira no final de fevereiro deixaram 72 mortos, após vários deslizamentos de terra, desabamentos de prédios e transbordamento de rios.  Foram 65 mortes registradas em Juiz de Fora e sete de Ubá. 

Agência Brasil

Mulher é esfaqueada na Praça do Bosque, em Amargosa

Um episódio de violência assustou frequentadores do Centro de Amargosa, na noite deste domingo (8). Por volta das 19h30, uma guarnição da Polícia Militar foi acionada para intervir em uma confusão na Praça do Bosque.

Ao chegarem ao local, os militares constataram que se tratava de uma tentativa de homicídio praticada com arma branca. A vítima, uma mulher que não teve a identidade revelada, foi ferida durante a briga e prontamente socorrida por populares, sendo levada ao Hospital Municipal de Amargosa para receber atendimento médico..

A Polícia Civil assumirá a responsabilidade pela investigação para apurar a motivação do crime e identificar o autor.

Para garantir a tranquilidade dos moradores e visitantes, a PM informou que o policiamento segue intensificado em todo o centro da cidade e áreas adjacentes.

Itatim: Prefeitura Itinerante levará atendimento para o Riacho Seco

A gestão municipal de Itatim retomará o projeto Prefeitura Itinerante, levando atendimento direto e serviços essenciais para as comunidades da zona rural. O destino da vez é o povoado de Riacho Seco, que receberá a estrutura do governo, dia 19 de março, a partir das 8h.

O objetivo da ação é facilitar a vida do cidadão, eliminando a necessidade de deslocamento até a sede do município para resolver pendências importantes.

Confira alguns dos serviços que estarão disponíveis:

🏥 Saúde e Bem-Estar

  • Consultas médicas, atendimento com nutricionista, fisioterapeuta, psicóloga e dentista.
  • Entrega de medicamentos para hipertensos e diabéticos.
  • Exames preventivos, testagem rápida (HIV, Sífilis, Hepatites) e atualização do cartão de vacina.
  • Educação física e orientações de saúde.

🤝 Desenvolvimento Social e Cidadania

  • Inscrição e atualização do CadÚnico e Bolsa Família.
  • Emissão de documentos: RG (Identidade), Carteira de Trabalho e Reservista.
  • Atendimento jurídico e encaminhamento ao INSS.

🚜 Agricultura e Infraestrutura

  • Agricultura: Emissão e entrega de CAF, emissão de GTA, vacinação de cães e gatos e suporte técnico.
  • Infraestrutura: Informações sobre alvarás de construção, Habite-se, uso do solo e regularização de loteamentos.

📚 Educação e Administração

  • Cantinho pedagógico, busca ativa escolar e atividades esportivas/culturais.
  • Ouvidoria: Canal aberto para reclamações, sugestões e dúvidas gerais.
  • Administração: Suporte ao transporte da localidade.

Incêndio de grandes proporções atinge galpão no Rio

Um incêndio de grandes proporções atinge o galpão da empresa Motocriss na Rua da Regeneração, 942, no bairro de Ramos, na zona norte da capital fluminense. O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) foi acionado às 6h49 desta segunda-feira (9). Até o momento, não há registro de vítimas.

Neste momento, cerca de 60 militares de 14 unidades da corporação atuam na ocorrência, em três frentes de combate. As equipes contam com apoio de 27 viaturas, incluindo escadas mecânicas para ataque aéreo às chamas.  Drones com câmera térmica também estão sendo empenhados para monitoramento estratégico dos pontos de calor.

A Secretaria Municipal de Educação informou que uma unidade da região de Ramos adiou o horário de entrada por conta do incêndio. A escola não foi atingida.

A Secretaria Estadual de Saúde disse que as unidades da rede de saúde estadual estão funcionando normalmente.

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Agência Brasil

Associação alerta para riscos após alteração nas regras de trânsito

Aumentar a velocidade permitida em uma via em apenas 5% pode elevar em até 20% o número de mortes entre usuários que circulam por ela. Os dados são da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) e serviram de base para a nova diretriz Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária.

O documento surge em meio à recente vigência da medida provisória que autoriza a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a necessidade de fazer exames de aptidão física e mental.

Em nota, a Abramet avalia que a diretriz consolida dados científicos que reforçam que decisões administrativas no trânsito precisam considerar os limites biomecânicos do corpo humano e o impacto direto da velocidade na gravidade dos sinistros.

“A diretriz parte de um princípio central: o corpo humano possui limites biomecânicos inegociáveis e eles devem ser o ponto de partida das políticas públicas de trânsito”, destacou o comunicado.

Em suma, o documento demonstra que a energia liberada em um sinistro cresce exponencialmente com a velocidade e rapidamente ultrapassa a capacidade fisiológica de absorção do impacto, sobretudo entre usuários vulneráveis das vias, como pedestres, ciclistas e motociclistas.

 “A diretriz evidencia que não estamos lidando apenas com comportamento ou engenharia, mas com limites biológicos. Quando esses limites são ignorados, o resultado é o aumento de mortes e sequelas graves, mesmo em velocidades consideradas legais”, avaliou o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior.

Dados

O documento mostra que pequenas reduções de velocidade geram quedas expressivas no risco de morte, enquanto acréscimos aparentemente modestos elevam de forma desproporcional a gravidade dos sinistros.

A diretriz também chama atenção para o impacto crescente da expansão da frota de SUVs e de veículos com frente elevada, associados a maior risco de lesões fatais em pedestres e ciclistas, mesmo em velocidades moderadas.

A norma evidencia ainda que, em colisões com usuários fora do veículo, a velocidade responde por cerca de 90% da energia transferida ao corpo da vítima.

A diretiva cita que dados recentes do DataSUS mostram que pedestres, ciclistas e motociclistas respondem por mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas ao trânsito, “cenário agravado pela combinação entre alta velocidade, infraestrutura inadequada e baixa proteção física”.

Renovação da CNH

A diretriz aborda ainda implicações para a atuação de médicos do tráfego, tema avaliado pela Abramet como “especialmente sensível” diante do cenário de renovação automática da CNH.

“O documento reforça que condições clínicas como envelhecimento, doenças neurológicas e cardiovasculares, distúrbios do sono, osteoporose e sequelas de traumatismos reduzem significativamente a tolerância humana a impactos e à desaceleração, exigindo avaliação periódica e individualizada pelo médico do tráfego.”

A diretriz demostra, portanto, que a aptidão para dirigir não é um estado permanente, mas varia conforme a condição de saúde, a idade e o contexto de exposição ao risco.

Recomendações

A norma também apresenta recomendações para gestores públicos, instituições de ensino e sociedade, defendendo a adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana, além de políticas permanentes de gestão da velocidade e campanhas educativas.

“Ao reunir dados epidemiológicos, biomecânicos e clínicos, a Abramet reforça que decisões sobre trânsito não podem se apoiar apenas na fluidez ou na conveniência administrativa”, destacou a Abramet.

Entenda

O programa de renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), regulamentado pela Medida Provisória 1327/2025, beneficiou 323.459 condutores na primeira semana de validade.

A medida inclui motoristas que estão no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC) e economizou R$ 226 milhões, que seriam pagos em taxas, exames e custos administrativos.

A maior parte dos beneficiados são motoristas com a CNH de categoria B, exclusiva para carros, com 52% de renovações automáticas.

Condutores com a licença AB, que permite dirigir carros e motocicletas, foram 45% dos beneficiados e aqueles que dirigem somente motocicletas (categoria A) somaram 3% das renovações automáticas.

Os demais são condutores profissionais (categorias C e D).

Para fazer parte do RNPC, o condutor não pode ter tido registro de infrações de trânsito nos últimos 12 meses e deve realizar o cadastro no aplicativo por meio do aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT) ou no Portal de Serviços da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Exceções

Alguns grupos de motoristas não terão direito ao processo automático e devem continuar procurando os Detrans estaduais. É o caso de motoristas com 70 anos ou mais, que precisam renovar o documento a cada três anos.

Também é o caso daqueles que tiveram a validade da CNH reduzida por recomendação médica, em casos de doenças progressivas ou condições que demandem acompanhamento contínuo de saúde, além daqueles com o documento vencido há mais de 30 dias.

Para os motoristas com mais de 50 anos, que precisam renovar a CNH a cada cinco anos, o processo automático será permitido uma única vez.

Agência Brasil

Pela vida das mulheres: atos do 8 de março ocupam ruas pelo Brasil

O 8 de março de 2026 – o Dia Internacional da Mulher – será marcado no Brasil com atos espalhados pelas cinco regiões no país. A denúncia da violência contra as mulheres está no centro das manifestações.

As marchas das mulheres também incluem na agenda, entre outro temas, críticas ao imperialismo, tendo em vista as ações dos Estados Unidos (EUA) no mundo; a defesa da soberania; da democracia e pelo fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso (6×1), que atualmente está em debate no Parlamento.

A Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), uma das organizações por trás dos atos, afirma que estará nas ruas para denunciar a violência contra as mulheres.

“Estamos nas ruas para exigir o fim da violência contra nossos corpos e a proteção de nossas vidas. Pelo fim do feminicídio”, escreveu a AMB em manifesto.

“O capitalismo, aliado ao patriarcado e ao racismo, mantém a exploração e o sofrimento das mulheres. Mulheres no Brasil, em Gaza, em Cuba, na Venezuela e em tantos outros lugares enfrentam guerras, ameaças à soberania, avanço da extrema direita e a retirada de direitos básico”, completa o manifesto da AMB.

Confira os locais e horários de atos em todo o Brasil:

📍 Norte

AM – Manaus | 15h – Praça da Polícia
PA – Belém | 09h – Escadinha da Doca
PA – Bragança | 16h – Praça das Bandeiras
PA – Marabá | 8h – Feira da Folha 28
PA – Santarém | 17h – Pça da Matriz
RR – Boa Vista | 18h – Portal do Milênio/Centro

📍 Nordeste

AL – Maceió | 9h – Praça Sete Coqueiros
BA – Salvador | 9h – Morro do Cristo
CE – Cariri/Crato | 8h – Prefeitura do Crato
CE – Fortaleza | 14h – Projeto 4 Varas (Barra do Ceará)
MA – São Luís | 09h – Largo do Carmo (Feirinha)
PB – João Pessoa | 15h – Biblioteca Anayde Beiriz (Parque das Três Ruas)
PI – Teresina | 8h30 – Pça Pedro II
RN – Mossoró | 16h – Pça do Teatro Dix-Huit Rosado
RN – Natal | 8h – Caju da Redinha
SE – Aracaju | 8h – Feira Livre do Bugio

📍 Centro-Oeste

DF – Brasília | 13h – Funarte em Marcha até Palácio do Buriti
GO – Goiânia | 9h – Pça do Trabalhador
MT – Cuiabá | 7h30 – Em frente à Feira do CPA II

📍 Sudeste

ES – Vitória | 8h – Parque Moscoso
MG – Belo Horizonte | 9h30 – Pça Raul Soares
SP – Araraquara | 9h – Parque Infantil
SP – Cajamar | 10h – Pça Ginásio de Esportes do Polvilho
SP – Campinas | 9h – Largo do Rosário
SP – Diadema | 9h – Pça da Matriz (Ato ABCDRR)
SP – Santos | 9h – Pça das Bandeiras/Gonzaga
SP – São João da Boa Vista | 15h – Pça Coronel José Pires
SP – São Paulo | 14h – MASP
SP – Tatuí | 15h – Casa das Práxis
RJ – Rio de Janeiro | 10h – Posto 3 Copacabana

📍 Sul

PR – Curitiba | 9h – Pça Santos Andrade
PR – Guaratuba | 14h – Letreiro da Praia Central
PR – Maringá | 9h – Praça Rocha Pombo
PR – Matinhos | 14h – Mercado do Peixe
RS – Caxias do Sul | 10h – Largo da Estação Férrea
RS – Porto Alegre | 9h30 – Ponte da Pedra
RS – Imbé | 14h – Pça do Braço Morto
SC – Balneário Camboriú | 9h – Pça Almirante Tamandaré
SC – Blumenau | 8h – Escadaria da Igreja Matriz
SC – Caçador | 15h – Parque Central
SC – Chapecó | 9h – Pça Coronel Bertaso
SC – Garopaba | 10h – Pça Governador Ivo Silveira
SC – Guaratuba | 14h – Letreiro da Praia
SC – Joinville | 14h30 – Pça da Biblioteca

Agência Brasil

Chuva em SP provoca alagamentos e deixa zona leste em estado de alerta

As fortes chuvas que caíram sobre a capital paulista na tarde deste domingo (8) provocaram diversos pontos de alagamento, quedas de árvores e deixou parte da zona leste e da zona sul paulistana em estado de alerta.

O estado de alerta, o de maior gravidade, foi decretado para a região do Ipiranga e para as regiões da Vila Prudente, Santo Amaro e Guaianazes, onde ocorreu transbordamento de córregos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, entre o meio-dia e as 17h deste domingo, foram registradas 15 chamadas de quedas de árvores, duas chamadas para desabamentos e 180 chamadas para enchentes na capital e na região metropolitana de São Paulo. Até este momento, não houve informações sobre vítimas.

Também houve fortes chuvas em diversas outras cidades do estado. Em Botucatu, por exemplo, uma mulher acabou caindo com um veículo em uma ribanceira. Segundo a Defesa Civil, a vítima foi socorrida com vida e encaminhada para um hospital da região.

Ontem (7), duas pessoas morreram em decorrência das chuvas. Desde que a Operação SP Sempre Alerta-Chuvas teve início, em dezembro de 2025, o estado paulista já contabiliza 21 óbitos em decorrência das chuvas.

Para os próximos dias, a expectativa é de chuva e ligeiro declínio da temperatura máxima na capital paulista, informou o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE). Para a tarde desta segunda-feira (9) estão previstas chuvas de forte intensidade, que podem provocar alagamentos.

Agência Brasil

Chuvas no estado de São Paulo provocam morte de duas pessoas

Duas pessoas morreram neste sábado (7), no estado de São Paulo, em decorrência das chuvas. Segundo a Defesa Civil, as duas mortes estão associadas a enxurradas que ocorreram nos municípios de São Bernardo do Campo e Sorocaba.

Em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, um homem morreu após ser arrastado pela enxurrada no bairro Demarchi. De acordo com os bombeiros, a força das águas arrastou a vítima para debaixo de um veículo. A vítima chegou a ser retirada por equipes que atuavam no local, mas o óbito acabou sendo constatado pelo atendimento local.

Já em Sorocaba, um homem foi arrastado por uma enxurrada no bairro Jardim Guadalupe e desapareceu. Após buscas, seu corpo foi encontrado neste domingo pelo Corpo de Bombeiros.

Só ontem, os Bombeiros atenderam 41 chamadas para quedas de árvores, 15 chamadas para alagamentos e enchentes e 10 chamadas para desabamentos e desmoronamentos na capital paulista e outras cidades da região metropolitana de São Paulo.

Mas houve chuva em diversas outras cidades do estado, que provocaram alagamentos e desabamentos. Em Santo Antônio do Aracanguá, por exemplo, duas pessoas ficaram feridas após a queda de tendas em um evento que ocorria na Rodovia Eliezer Montenegro.

Desde que a Operação SP Sempre Alerta-Chuvas teve início, em dezembro de 2025, o estado paulista contabiliza 21 óbitos em decorrência das chuvas. Do total, diz a Defesa Civil, 11 deles ocorreram por causa de enxurradas.

Segundo a Defesa Civil, as enxurradas podem se formar rapidamente durante temporais e arrastar pessoas que tentam atravessar as ruas alagadas ou são surpreendidas pela força das águas. A orientação do órgão é para que a população evite essas áreas e acompanhem os alertas oficiais.

Previsão

Para este domingo, a previsão é de chuva persistente, com momentos de maior intensidade e acumulados significativos, acompanhadas de rajadas de vento, raios e eventual queda de granizo em diversas regiões do estado.

Agência Brasil

Fim da escala 6×1: proposta pode aliviar dupla jornada das mulheres

O governo federal defende o debate público com a sociedade – trabalhadores, empregadores, pequenos empreendedores – e com o Congresso Nacional sobre a redução da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais no Brasil, junto com o fim da escala de seis dias de trabalho a cada um de descanso, a escala 6×1.

A intenção ao revisar o modelo de trabalho e chegar à jornada de cinco dias de trabalho a cada dois de folga (5×2) é dar mais qualidade de vida à população, com aumento do tempo de descanso e lazer dos trabalhadores.


Brasília (DF), 05/03/2026 - A cobradora Denise Ulisses dá entrevista à Agência Brasil sobre o impacto da escala de trabalho 6x1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Denise Ulisses faz planos para quando trabalhar seguindo a escala 5×2 – Marcelo Camargo/Agência Brasil

A cobradora de ônibus do Distrito Federal, Denise Ulisses, de 46 anos, conhece bem a realidade dura do 6×1. Há 15 anos, ela trabalha seis horas corridas por dia de segunda-feira a sábado e folga somente aos domingos.

Se por um lado, Denise se divide entre o itinerário repetitivo do transporte coletivo, liberação da catraca e conferência do troco aos passageiros, a outra parte da vida dela é ocupada pelas tarefas de casa e o acompanhamento dos dois filhos, atualmente, com 18 e 22 anos. “Quando as crianças eram pequenas, foi bem pesado.”

Denise Ulisses faz planos para quando tiver mais tempo livre, caso a redução da jornada 6×1 passe no Congresso Nacional.

“Eu sairia na sexta-feira à noite para o sítio e só voltaria no domingo à noite. Então, este seria um tempo bom de folga: dois dias.”

Peso da dupla jornada

A pauta do fim da escala 6×1 é considerada prioritária pelo governo federal. Desde 2025, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, explica que carga de trabalho da escala 6×1 recai, principalmente, sobre os ombros das mulheres devido à dupla jornada, ou seja, para aquelas que trabalham para ganhar dinheiro, mas que também são responsáveis pelo trabalho doméstico não remunerado.

O entendimento é confirmado pelos dados de 2022 da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que mostram as mulheres dedicadas, em média, 21,3 horas semanais aos afazeres domésticos e cuidados de pessoas, enquanto os homens dedicam 11,7 horas.

A diferença de 9,6 horas semanais evidencia quase o dobro do tempo de dedicação feminina. Quando consideradas somente as mulheres pretas e pardas, o trabalho doméstico não remunerado é 1,6 hora a mais por semana, se comparado ao de mulheres brancas.


Brasília (DF), 06/03/2026 - Entrevista com a secretária nacional de Articulação Institucional do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Sandra Kennedy aponta a redução da escala como um passo para reduzir a jornada de trabalho feminina- Valter Campanato/Agência Brasil

A secretária Nacional de Articulação Nacional, Ações Temáticas e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, explica que a primeira questão a ser enfrentada para reduzir a sobrecarga das mulheres com a dupla jornada é estrutural: a sociedade precisa rever a desigualdade de gênero.

“Na soma entre o trabalho doméstico e o trabalho formal, nós trabalhamos muito mais do que os homens”, destaca Sandra.

Para a representante do Ministério das Mulheres, o fim da jornada máxima 6×1 pode impactar positivamente na divisão de tarefas em casa.

“O cuidado tem que ser compartilhado entre homens e mulheres. Isso não é uma questão só cultural. É também de os homens terem mais tempo em casa para compartilharem o cuidado.”

A secretária entende que as mulheres estão adoecendo mais por serem afetadas pela dupla jornada.

“A gente tem menos tempo para estudar, para se qualificar, tem muito menos tempo para conciliar o trabalho pessoal com o trabalho social. O adoecimento é evidente.”

Tempo e dinheiro


Brasília (DF), 05/03/2026 - A auxiliar de serviços gerais Tiffane Raany dá entrevista à Agência Brasil sobre o impacto da escala de trabalho 6x1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Tiffane Raany sente falta de ter mais tempo para o filho – Marcelo Camargo/Agência Brasil

A jovem Tiffane Raane sente no corpo e no bolso o excesso de trabalho. Contratada como auxiliar de serviços gerais em uma rede de academias do Distrito Federal, ela trabalha das 7h às 18h, com uma hora de almoço, de segunda a sexta-feira, e se somam ao dia a dia o sábado ou o domingo alternadamente a cada semana. No tempo fora do emprego, Tiffane se desdobra nos cuidados com a casa e com o filho de 7 anos.

“Eu pago R$ 350 por mês a uma cuidadora para ficar com meu filho no tempo em que está fora da escola. Ele sente mais falta por eu não conseguir ajudá-lo todos os dias nas atividades escolares. Eu chego tarde do trabalho. Estou cansada e ele também.”

Com a rotina, Tiffane Raane tem adiado o desejo de retomar a faculdade de educação física para tentar alcançar uma melhor remuneração. O curso foi trancado no quarto semestre.

Articulação de mulheres

Na quinta-feira (5), a Articulação Nacional de 8 de Março – apoiada por mais de 300 organizações de movimentos sociais do Brasil em defesa dos direitos das mulheres – entregou ao Ministério das Mulheres o Manifesto Nacional do 8 de Março Unificado 2026: Pela vida das mulheres: contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1. (foto em destaque)

O documento explica o que motiva a luta.

“Esse modelo rouba o tempo, adoece corpos e aprofunda desigualdades. Defender o fim da escala 6×1 é defender o direito de viver com dignidade, enfrentando a lógica neoliberal que transforma a vida em mercadoria.”

O manifesto foi elaborado a partir das decisões da 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em 2025, na capital federal.

Aprovação popular

Uma pesquisa de opinião da Nexus (janeiro/fevereiro de 2026) revela que cerca de 84% dos brasileiros defendem ao menos dois dias de descanso semanal. O levantamento aponta ainda que 73% dos entrevistados apoiam o fim da escala 6×1, desde que os salários sejam mantidos.

A opinião de Jeisiane Magalhães Faria reforça as estatísticas. Há cinco anos, ela é balconista de uma farmácia no Plano Piloto, em Brasília, e trabalha na escala 6×1. Jeisinane relembra que já perdeu a conta de quantos eventos familiares não esteve presente devido ao emprego. 

A balconista faz graduação em farmácia e gostaria de ter mais tempo para se dedicar aos estudos e a outros aspectos de sua vida. 

O descanso, para Jeisiane, longe de ser uma perda de tempo, pode gerar um impacto positivo também no rendimento laboral. “Você pode trabalhar melhor, porque tem dias que realmente é cansativo devido, por exemplo, ao transtorno de passar muito tempo no ônibus lotado para vir trabalhar.”

Embate econômico

Apesar do apoio popular, setores da indústria e do comércio contestam a ideia e projetam consequências negativas em caso de aprovação do fim da jornada 6×1.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a medida pode aumentar o custo empresarial em até R$ 267 bilhões ao ano, com empregados formais na economia, o equivalente a um acréscimo de até 7% na folha de pagamentos. E vai além, “caso as horas não sejam repostas, a redução do limite semanal [de horas trabalhadas] resultará em queda da atividade econômica”, diz a CNI.

Outro estudo apresentado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) explica os efeitos da redução da jornada de trabalho podem impactar na preservação de 631 mil empregos formais e na competitividade.

Segundo a entidade, a diminuição do limite constitucional atual (44 horas semanais) para 40 horas de trabalho, com o fim da escala 6×1, pode elevar o preço dos produtos consumidos pela população em até 13%. Outra conclusão do estudo é que a mudança na legislação resultará na elevação de custos na ordem de R$ 122,4 bilhões por ano, no comércio. A CNC defende que as possíveis alterações sejam feitas a partir de negociação coletiva.

Bem-estar social

A secretária do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, contesta os posicionamentos dos empregadores e destaca que, ao longo da história, as trabalhadoras e os trabalhadores sempre enfrentaram esse tipo de argumento quando querem melhorar as vidas.

“Imagine quando tínhamos as cargas horárias de 12, 14, 16 horas. Obviamente que quem representa os interesses do capital no Congresso usa uma narrativa que é uma falácia, quando associa a melhor qualidade de vida do trabalhador ao aumento do desemprego.”

O estudo O Brasil está pronto para trabalhar menos: a PEC da redução da jornada e o fim da escala 6×1, do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit/Unicamp) , respalda o entendimento da secretária.

A pesquisa projeta um cenário distinto dos dimensionados pela CNC e pela CNI. Com base na PNAD Contínua do IBGE, caso o fim da escala 6 x 1 seja aprovado no Congresso Nacional, pelo menos 37% dos trabalhadores brasileiros serão afetados beneficamente.

A pesquisadora do Cesit/Unicamp, a economista Marilane Teixeira, estima que a mudança pode gerar 4,5 milhões de empregos e elevar a produtividade no país.

Tramitação no Legislativo

Atualmente a questão está em debate na Câmara dos Deputados. Em fevereiro deste ano, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, posteriormente, o tema deve seguir para uma comissão especial. Motta considera viável a votação da proposta em maio pelo plenário da Câmara.

O governo federal tem pressa. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, já afirmou que o Executivo poderá enviar um projeto de lei com urgência para o Congresso Nacional, para unificar as diversas propostas que já tramitam no parlamento, caso as discussões que tratam do tema não caminhem na “velocidade desejada”.

Mobilização e política

Uma petição pública online  criada em setembro de 2023 pelo Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e endereçada ao Congresso Nacional, ganhou repercussão nacional ao pedir um modelo mais flexível de trabalho.

O texto sugere a reavaliação das práticas de trabalho que afetam a saúde e o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. “Trabalhadores saudáveis e satisfeitos são mais produtivos e contribuem para o desenvolvimento sustentável do país”, diz o documento. O abaixo-assinado conta com quase 3 milhões de assinaturas.

Agência Brasil

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