Entidades repudiam planos de Vorcaro contra jornalistas

Entidades ligadas aos profissionais da imprensa e aos veículos de comunicação manifestaram, nesta quarta-feira(4), que as ações e planos do banqueiro Daniel Vorcaro contra jornalistas merecem repúdio, mais investigações e responsabilização rigorosa dos envolvidos.

Segundo o que foi apurado pela Operação Compliance Zero e tornado público pela decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o empresário contava com um núcleo de intimidação a jornalistas.

Assim, conforme observou o magistrado, a intenção seria “calar a voz da imprensa que ousasse emitir opinião contrária aos seus interesses privados”. 

“Estarrecedor”

Um dos exemplos foi revelado por uma troca de mensagens  entre Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, identificado nas investigações pelo apelido de Sicário. A ideia do grupo criminoso era de simular um assalto para agredir o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

“É estarrecedora a revelação de que ele (Vorcaro) cogitou arquitetar um assalto violento, ou que simulasse cenário semelhante, contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo, para intimidá-lo, ‘prejudicar violentamente’ e ‘quebrar todos os dentes’”, publicou a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).

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Intimidação

O veículo O Globo defendeu em nota que os envolvidos na trama criminosa sejam investigados e punidos com o rigor da lei.

Além disso, a empresa garantiu que o veículo e os jornalistas “não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público”.

“Práticas mafiosas”

 A Associação Nacional de Jornais (ANJ) expressou que a tentativa de intimidar profissionais de imprensa pelo caminho da violência constitui ataque inaceitável à liberdade de expressão.

“Métodos dessa natureza, próprios de práticas mafiosas, são incompatíveis com o Estado de Direito e merecem a mais firme rejeição da sociedade brasileira”, afirmou a entidade.

Ameaças nas redes

Nesse mesmo sentido, a Abraji entende que as condutas representam grave atentado à liberdade de imprensa, à integridade física de profissionais de comunicação e ao próprio Estado Democrático de Direito. 

A entidade ainda alerta que “outros jornalistas também foram ameaçados nas redes sociais por reportar sobre o esquema de corrupção, fraude, lavagem de dinheiro e danos ao sistema financeiro, correntistas e erário público comandado por Vorcaro”.

Fenaj

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (SJPMRJ) também manifestaram repúdio ao episódio e afirmaram que tentativa de intimidação, ameaça ou violência contra jornalistas não é um fato isolado.

 É, de acordo com a federação e o sindicato, “parte de um ambiente de constante hostilidade contra a imprensa no Brasil. Atacar um jornalista é atacar toda a sociedade, que depende da informação livre, crítica e independente”.

A Fenaj indicou que exige apuração rigorosa dos fatos, responsabilização exemplar de todos os envolvidos e a adoção de medidas efetivas de proteção aos profissionais da comunicação.

“Liberdade não é privilégio”

O Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais ressaltou que a liberdade de imprensa consagrada no artigo 220 da Constituição Federal, não é um privilégio corporativo, mas um direito da sociedade.

“Quando um jornalista é ameaçado, monitorado ou agredido em razão do exercício de sua profissão, não é apenas um indivíduo que sofre. É toda a cidadania que é privada de informações relevantes para o exercício pleno de seus direitos”.

“Democracia sob ameaça”

Para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), trata-se de uma “agressão brutal” a toda a categoria dos jornalistas e ao direito da sociedade de ser informada.

“Quando o poder econômico se sente no direito de encomendar atentados contra quem exerce a função crítica de informar, a própria democracia está sob ameaça”, escreveu a ABI.

​A associação manifestou apoio às atuações rigorosas do Poder Judiciário e da Polícia Federal.

“​Não toleraremos que métodos de milícia ou de organizações criminosas sejam utilizados para intimidar a imprensa brasileira”.

A ABI garantiu que vai acompanhar de perto os desdobramentos judiciais deste caso, exigindo que todos os responsáveis por este plano nefasto sejam punidos com o rigor máximo da lei.

​”Episódio é pedagógico”

Outra entidade que se manifestou foi a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Para a entidade, o episódio é “pedagógico” ao evidenciar comportamentos tipicamente mafiosos por parte de pessoas influentes e poderosas confrontadas pelo jornalismo de interesse público.

“Pedimos que a resposta da Justiça seja exemplar, com o esclarecimento completo do alcance desse planejamento, em que medida ele chegou a ser colocado em prática, e com a responsabilização de todos os envolvidos”, considerou a entidade.

Matéria ampliada às 18h04

Agência Brasil

Campanha do BB para Minas Gerais supera R$ 1,5 milhão

A campanha de doações lançada pelo Banco do Brasil para apoiar vítimas das chuvas e deslizamentos de terra em Minas Gerais arrecadou mais de R$ 1,5 milhão. Do total, R$ 1,2 milhão vieram de contribuições de funcionários e clientes, enquanto R$ 300 mil foram aportados pelo próprio conglomerado.

O protocolo do Programa Ajuda Humanitária foi divulgado no dia 26 de fevereiro, com foco nas cidades atingidas na região da Zona da Mata Mineira.

Segundo a Defesa Civil, o estado já registra 72 mortes confirmadas em decorrência das chuvas. Em Juiz de Fora, há 653 desabrigados e 7.931 desalojados. Em Ubá, são 24 desabrigados, 4.480 desalojados e um desaparecido. Em Matias Barbosa, 96 desabrigados e 604 desalojados.

Além da campanha de arrecadação, o banco anunciou medidas emergenciais para atender mais de 159 mil clientes pessoas físicas e cerca de 9 mil pessoas jurídicas nas regiões afetadas.

Entre as ações para clientes pessoa física estão carência de até seis meses para início do pagamento em operações de crédito consignado e crédito salário, além da possibilidade de repactuação de até quatro parcelas em financiamentos imobiliários e empréstimos com garantia de imóvel.

Para empresas, será disponibilizado o Pula Parcela Emergencial PJ, com prorrogação de até seis parcelas em linhas de capital de giro e financiamento, além de linha de repactuação de dívidas com prazo de até 60 meses e carência de até seis meses.

No setor agropecuário, o banco anunciou alocação emergencial de recursos para crédito rural, prorrogação simplificada de operações, acionamento de parceiros nos municípios atingidos e priorização de comunicados de perdas do Proagro.

Também foram adotadas medidas operacionais excepcionais nos meios de pagamento, como estorno de juros, encargos e tarifas, flexibilização de prazos para abertura e manutenção de contas e ampliação temporária de limites para transações via Pix.

Na área de seguros, haverá comunicação ativa com segurados das cidades impactadas, reforço no atendimento e priorização de análise de sinistros.

O banco informou ainda que está em contato com prefeituras para oferecer linhas de crédito ao setor público e orientar gestores sobre solicitação de recursos por meio do Cartão da Defesa Civil.

Doações

Os valores arrecadados serão destinados a instituições sem fins lucrativos que atuam na região, responsáveis pela compra e distribuição de alimentos, kits de higiene e limpeza e outros itens essenciais.

Doações em pontos do programa Livelo serão dobradas pela instituição. A campanha para doação de pontos segue até 31 de março de 2026.

Desde 26 de fevereiro, todas as AABBs de Minas Gerais funcionam como pontos de coleta de donativos materiais, como água mineral, produtos de higiene, cobertores, roupas e calçados em bom estado.

Para doações em dinheiro

  • Banco do Brasil (001)
  • Agência: 1607-1
  • Conta: 80.000-7
  • Chave Pix: pix.enchentesmg@fundacaobb.org.br

Agência Brasil

Fuzileiros incorporam tecnologias para defesa e auxílio em desastres

Os Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil apresentaram nesta quarta-feira (4), no Rio de Janeiro, as principais inovações tecnológicas incorporadas ao patrimônio da tropa com o objetivo de modernizar as forças de defesa do país.

A maior novidade é o recém-ativado Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, para o qual a corporação adquiriu uma série de modelos de quatro hélices, equipados com sensores eletro-ópticos, infravermelhos e termais.

Os equipamentos podem ser usados tanto para monitorar alvos quanto para localizar vítimas de desastres. Alguns desses drones também conseguem carregar projetéis para atacar pequenos alvos.

Outro modelo incorporado é o drone de asa fixa, popularmente conhecido como kamikaze, que pode ser lançado, com explosivos, para destruir alvos maiores.

 


Rio de Janeiro (RJ), 04/03/2026 – Drones de ataque são apresentados em evento sobre as inovações tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Drones de ataque são apresentados em evento sobre as inovações tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Escola para operação de drones

De acordo com o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, almirante Carlos Chagas, o novo esquadrão ajuda o Brasil a acompanhar as evoluções tecnológicas das forças de defesa mundial, considerando os recentes conflitos deflagrados pelo mundo.

De acordo com o almirante, ainda neste mês de março, a corporação inaugura, no Rio de Janeiro, a nova escola para formar mais militares em operação de drones.

Chagas lembrou que cabe à Marinha defender um dos principais ativos estratégicos do país.

“O Brasil tem 7,5 mil quilômetros de litoral, uma quantidade de riqueza gigantesca. A maior parte da população vive no litoral, 95% do nosso petróleo sai do litoral. Das nossas exportações, 97% chegam pelo mar”.

“E ainda tem uma parte que muita gente não sabe. As pessoas acham que a comunicação é feita principalmente por satélites, mas não é. A grande maioria da comunicação do país é feita por cabos submarinos que saem daqui e nos ligam a outros países”.

 


Rio de Janeiro (RJ), 04/03/2026 –  O almirante Carlos Chagas durante apresentação das inovações tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 O almirante Carlos Chagas durante apresentação das inovações tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Operações em desastres

A corporação também recebeu novos veículos blindados de desembarque litorâneo, projetados e produzidos no Brasil. Eles podem navegar com velocidade de até 74 km/h, transportando 13 militares, e são equipados com metralhadoras, radares e câmeras termais.

Apesar disso, são embarcações compactas, o que permite a atracação em locais com pouca infraestrutura e até o transporte em aeronaves.

De acordo com o comandante-geral, almirante Carlos Chagas, as novas tecnologias também aumentam a capacidade de resposta dos Fuzileiros em casos de desastres naturais, um trabalho que tem sido feito de maneira cada vez mais frequente.

“A logística militar se assemelha muito à logística de resposta de desastres. E como é necessário fazer uma grande mobilização, essa semelhança logística é importante”.

 


Rio de Janeiro (RJ), 04/03/2026 – Marinha apresenta parte dos veículos em evento sobre as inovações tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Marinha apresenta parte dos veículos em evento sobre as inovações tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Segundo ele, uma parte do material acaba tendo um uso duplo, porque é adquirido para defesa, mas pode ser utilizado em situações de desastres, como carros anfíbios que conseguem entrar em região alagada, para resgate de pessoas e transporte de alimentos.

A corporação também apresentou novos armamentos. Uma das principais novidades é o Míssil Antinavio Nacional de Superfície, capaz de atingir alvos a até 70 km de distância, com uma velocidade de até 1 mil km/h, em voo rasante, para dificultar a detecção por radares inimigos.

Outro míssil, de fabricação nacional, possui alcance menor, de até 3 quilômetros, mas é guiado a laser com alta precisão, sendo capaz de atingir embarcações e até helicópteros e de perfurar até 80 centímetros de blindagem.

 


Rio de Janeiro (RJ), 04/03/2026 – Militar demonstra uso de míssil de fabricação nacional durante apresentação das inovações tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Militar demonstra uso de míssil de fabricação nacional durante apresentação das inovações tecnológicas do Corpo de Fuzileiros Navais, na Ilha das Cobras, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Agência Brasil

Operação prende suspeitos de monopólio ilegal de internet em Cabo Frio

A Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público Federal deflagraram nesta quarta-feira (4) uma operação contra uma organização criminosa investigada por interromper serviços de telecomunicações no município de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro.

A Operação Desconexão cumpriu dois mandados de prisão preventiva contra dois homens, em São Pedro da Aldeia e em Rio das Ostras, e aplicou medidas cautelares.

Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, sendo quatro em Cabo Frio, cinco no Rio de Janeiro, três em São Pedro da Aldeia, dois em Araruama e dois em Rio das Ostras. 

A PF informou que as apurações indicaram que a organização criminosa montou um esquema de monopólio ilegal na prestação de serviços de internet em Cabo Frio.

“A localidade estaria sob controle territorial da facção, a qual restringe a atuação de provedores de internet e permite apenas o funcionamento da empresa autorizada pelo grupo criminoso”, afirmou em nota.

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Segundo o inquérito, os investigados mantinham o controle territorial e usavam de violência e graves ameaças contra empresas concorrentes para garantir o monopólio da prestação de serviços de banda larga.

“Entre as condutas identificadas durante as apurações, estão a danificação de equipamentos, o corte de cabos, a intimidação de funcionários e o impedimento à instalação e à manutenção regular dos serviços por outros provedores”, acrescentou.

Além desses crimes, as investigações identificaram que a quadrilha “utilizava pessoas jurídicas interpostas com o objetivo de ocultar a real estrutura de controle e a titularidade dos ativos tecnológicos empregados na atividade ilícita”.

Os presos poderão responder pelos crimes de furto qualificado; de interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático ou de informação de utilidade pública; e de organização criminosa, além de outros delitos que possam ser identificados.

Segundo a PF, as diligências tiveram apoio do Grupamento de Ações Táticas do 25º Batalhão da Polícia Militar do Rio de Janeiro, em Cabo Frio e em São Pedro da Aldeia.

Agência Brasil

Polícia prende terceiro envolvido em estupro coletivo de adolescente

O terceiro foragido no caso do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos, no Rio de Janeiro, se entregou à Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (4), acompanhado do advogado. Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, é filho do ex-subsecretário de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos do governo do Rio de Janeiro, José Carlos Simonin. Ele foi demitido ontem (03) após a repercussão do cargo. 

É da família Simonin o apartamento de temporada onde ocorreu o crime, em Copacabana. As imagens dos jovens filmados no edifício são parte do inquérito que incriminou os rapazes.

Cinco homens participaram do crime, segundo a polícia, sendo um menor de 18 anos, contra o qual não há mandado de prisão. Eles respondem pelo crime de estupro e por ato infracional análogo ao mesmo crime. Nesta terça (2), os dois presos foram encaminhados para o sistema prisional.

Há expectativa de que o quarto jovem que participou do crime, Bruno Felipe dos Santos Allegretti, também se entregue nesta quarta à polícia. De acordo com a delegacia, tratativas estão em curso com os advogados.

Mais um caso de estupro

Aluno do Colégio Pedro II, Vitor Hugo é ainda investigado por um caso de estupro cometido contra outra aluna da instituição, onde ambos estudavam, em outubro de 2025. O caso foi revelado pelo delegado titular Ângelo Lages, nesta terça-feira (3), depois da mãe da jovem prestar depoimento. O ato foi cometido em uma festa.

De acordo com a Polícia Civil, ao tomarem conhecimento do caso de Copacabana, outras vítimas se sentiram encorajadas a denunciar os envolvido em outros crimes. Dois inquéritos foram abertos para apurar as denúncias.

Como ocorreu o crime

Em janeiro, a vítima de 17 anos recebeu a mensagem de um colega da escola a convidando para ir à casa de um amigo. Ao chegar, o adolescente insinuou que fariam “algo diferente”. Como a jovem recusou, ela foi trancada e sofreu a violência no quarto do apartamento de Copacabana.

Ontem, em entrevista à imprensa, o delegado ressaltou a importância de os jovens, ao se relacionarem sexualmente, respeitarem os limites do outro.

“O que deve ficar claro, principalmente para os meninos, é que não é não. Isso é fundamental. A vítima do primeiro caso deixou muito claro, a todo momento, que não se relacionaria com mais ninguém [além do adolescente] em vários momentos”, destacou.


Rio de Janeiro (RJ), 03/03/2026 – O delegado Angelo Lages, da 12ª DP, fala sobre as investigações do caso de estupro coletivo de uma adolescente ocorrido em Copacabana. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Delegado Angelo Lages, da 12ª DP, fala sobre as investigações do caso de estupro coletivo de uma adolescente ocorrido em Copacabana. – Fernando Frazão/Agência Brasil

 

 

Agência Brasil

Governo reconhece situação de emergência em cidades de MG, RJ e SP

As tempestades que atingiram estados da Região Sudeste nos últimos dias levaram o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional a reconhecer situação de emergência em 16 cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

A medida está publicada na edição desta quarta-feira (4) do Diário Oficial da União.

A maioria das cidades citada no documento estão em Minhas Gerais. Oito tiveram a  situação decretada em decorrência de chuvas intensas e uma por conta de inundações. O número de mortos no estado passou de 70.

Ouça detalhes na Radioagência Nacional:
 

Rio de Janeiro

O documento cita quatro municípios fluminenses. Todos em decorrência das tempestades. O estado registrou mais de 100 ocorrências relacionadas às chuvas. 

São Paulo

Dois municípios paulistas constam na lista: Peruíbe e Ubatuba. Em Ubatuba, choveu por 12 horas volume de chuva equivalente à média histórica de todo o mês de fevereiro.

Recursos federais

O reconhecimento federal de situação de emergência ou estado de calamidade pública é uma das exigências para que estados e municípios acessem recursos federais para restabelecimento e assistência humanitária.

Para isso, as localidades precisam apresentar planos de trabalho e metas de atuação, por meio do S2iD – Sistema Integrado de Informações sobre Desastres.

O trâmite para solicitação de recursos está detalhado no portal do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, assim como orientações práticas sobre como usar o S2iD.

Veja os municípios que tiveram a situação e de emergência decretada nesta quarta-feira (4):

UF Município
MG Água Boa
MG Areado
MG Cataguases
MG Ewbank da Câmara
MG Gouveia
MG Itamarati de Minas
MG Jaboticatubas
MG João Pinheiro
MG Mata Verde
MG Poté
RJ Angra dos Reis
RJ Mesquita
RJ Nova Iguaçu
RJ São João de Meriti
SP Peruíbe
SP Ubatuba

 

Agência Brasil

Cristo será iluminado em campanha de combate à violência de gênero

Nesta terça-feira (3), às 20h, será lançada uma iniciativa de conscientização e prevenção da violência contra mulheres e meninas que utilizará o ciclo de preparação para a Copa do Mundo FIFA 2027 de futebol feminino como plataforma de mobilização social.

Para marcar o lançamento da Campanha “Feminicídio Nunca Mais”, o monumento do Cristo Redentor será iluminado na cor teal (verde-azulado) — símbolo global de solidariedade às sobreviventes de violência e de compromisso com a mudança cultural.

A iniciativa é coliderada pela NO MORE Foundation, organização global dedicada ao enfrentamento da violência doméstica e sexual, em parceria estratégica com a Embratur – Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e o Consórcio Cristo Sustentável, formado pelo Santuário Cristo Redentor, pela Obra Social Leste Um – O Sol e pelo Instituto Redemptor.

Como parte da campanha, a TV Brasil vai veicular nos intervalos dos jogos uma campanha de conscientização com a participação de atletas, como Raí e Formiga. Emissora pública da EBC, a TV Brasil é a maior detentora de direitos de transmissão do futebol feminino no país.

O anúncio ocorre durante a NO MORE Week, mobilização global anual dedicada à conscientização sobre o impacto da violência doméstica e sexual. A Embratur apoiará ações voltadas à promoção do Brasil como destino seguro e comprometido com valores contemporâneos de equidade, diversidade e responsabilidade social — dimensões cada vez mais determinantes na escolha de destinos turísticos globais.

Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas

No mesmo horário e local, será lançado, aos pés do Cristo Redentor, o Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas, iniciativa inédita da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em parceria com a Petrobras. A premiação nasce com o propósito de ser o principal reconhecimento anual do futebol feminino brasileiro, unindo excelência esportiva, fortalecimento institucional e compromisso social.

O Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas será concedido para preencher uma lacuna histórica: a inexistência, no Brasil, de uma premiação exclusiva dedicada ao futebol feminino. A votação para o prêmio será feita entre as capitãs e treinadoras e treinadores das equipes brasileiras. O prêmio também terá uma categoria “Futebol Feminino Contra o Feminicídio”.

Serviço: Lançamento da Campanha “Feminicídio Nunca Mais” e do Prêmio TV Brasil Petrobras para Elas – 3 de março de 2026, a partir das 20h, no Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ)

Agência Brasil

Enel constata gás no buraco aberto por explosão na rua da Consolação

A Rua da Consolação, na região central de São Paulo, foi liberada para o trânsito por volta das 6h20 da manhã desta terça-feira (3). No domingo (1º), após a explosão que abriu um buraco na pista, a via foi interditada ao tráfego. 

Em nota, a Enel, distribuidora de energia de São Paulo, informou que, ao tomar conhecimento do ocorrido, enviou imediatamente uma equipe ao local, e, após análise na cratera aberta, identificou acúmulo de gás.

“Na manhã desta segunda-feira (2), técnicos da companhia identificaram a presença de gás inflamável no local. As equipes da distribuidora atuaram prontamente e seguem no local para apoiar a recuperação da estrutura de alvenaria que foi danificada pelo incidente”.

A empresa diz ainda que “constatou que a rede elétrica subterrânea da distribuidora não foi danificada pela explosão na rua da Consolação. Cabe destacar que no local havia apenas cabos de energia e não equipamentos como transformadores”.

Em função do enorme buraco aberto, a via foi interditada ao tráfego que teve de ser desviado. Após obras de reparos, foi colocada uma chapa de aço no local, tornando possível a passagem de veículos.

 


São Paulo (SP)-02/03/2026.  Explosão abre cratera na rua da Consolação na altura do número 2104, em São Paulo. 
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

São Paulo (SP)-02/03/2026. Explosão abre cratera na rua da Consolação na altura do número 2104, em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil – Paulo Pinto/ Agência Brasil

Comgás não identifica vazamento de gás

A Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) foi acionada ainda na noite de domingo, logo após a explosão e foi ao local. A empresa publicou uma nota na qual informa que “após uma averiguação, não identificou vazamento, e ressalta que o incidente no local não tem relação com a rede de gás encanado”. A Comgas não comentou a nota da Enel sobre o acúmulo de gás.

Já a Sabesp, empresa responsável pelo serviço de água e esgoto da capital paulista, esteve também na Consolação, realizou testes e informou não ter relação com o acidente.

Agência Brasil

Sambista Adriana Araújo morre e recebe homenagens em Belo Horizonte

A quadra da Escola Unidos dos Guaranys, na Rua Araribá, 285, São Cristóvão, em Belo Horizonte, está aberta para receber família, amigos e admiradores da cantora e sambista Adriana Araújo para o velório previsto para terminar às 12h. O sepultamento será restrito aos familiares. A artista morreu nesta segunda-feira (2), em Minas Gerais, aos 49 anos.

Adriana, uma das maiores expressões do samba em Minas Gerais, estava internada desde sábado (28), quando sofreu um aneurisma cerebral. Nota oficial em seu perfil do Instagram informa que a artista passou mal em casa, teve um desmaio e foi levada imediatamente à UPA e depois transferida para o Hospital Odilon Behrens.

“Após a realização de exames, foi constatado um aneurisma cerebral, que provocou uma hemorragia de grande extensão. Desde então, Adriana encontra-se internada em coma, entubada e sob cuidados intensivos da equipe médica.”

A nota informa ainda que os médicos relataram que o quadro era gravíssimo e irreversível, mas a equipe seguia acompanhando a evolução clínica. “Apesar do diagnóstico médico, seguimos em oração, acreditando que a resposta final é de Deus. Pedimos respeito, sensibilidade e orações. A família e a equipe agradecem profundamente todo o carinho e apoio que temos recebido.”

A morte de Adriana Araújo também foi informada por meio de uma mensagem no seu perfil do Instagram. “Hoje nos despedimos da nossa amada Adriana Araújo. Adriana foi muito mais do que uma grande voz do samba. Foi abraço largo, sorriso fácil, coração generoso e uma alegria de viver que iluminava todos ao seu redor.”

“O samba sentirá profundamente sua ausência, mas não apenas ele. Sentirão falta todos que um dia receberam seu carinho, sua escuta atenta e seu caloroso abraço.”

A postagem destaca ainda que a presença de Adriana ficará eternamente nos corações de familiares, amigos e admiradores e que sua voz continuará ecoando e tocando vidas para sempre nas plataformas onde compartilhou sua arte.

“Neste momento de dor, pedimos orações e boas energias para seu filho Daniel e para seu marido Evaldo, para que encontrem força e amparo. Obrigada por tanto, nossa rainha. Seu brilho é eterno.”

Também no Instagram, a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou a presença marcante de Adriana Araújo.

“Adriana Araújo se encantou. Não virou estrela. Ela já era. Seu brilho nos iluminava. Sua voz nos embalava nas rodas de samba, no Carnaval e onde quer que chegava. Uma artista solar, que acolhia o público e fazia com que cada um se sentisse único e especial no seus shows.”

A ministra lembrou ainda que a artista transformou o bar do Cacá, no bairro São Paulo em Belo Horizonte, em um quilombo, “onde a alegria dava o tom. Rainha! Descia para estar com os súditos que a reverenciavam. Cantava olhando no olho. Abraçava. Era feita de afeto”.

Macaé Evaristo lamentou ainda a morte da cantora e enalteceu o seu legado.

“A notícia de sua partida nos deixa devastados e devastadas. Aos 49 anos! Mas temos a certeza que será recebida em festa no Orum. Ancestralizou. Deixa um legado no samba, na cultura de Belo Horizonte e do Brasil”, apontou Macaé Evaristo.

“À sua família, o nosso mais afetuoso abraço! Que possam encontrar consolo neste momento. Agradecemos por terem dividido conosco a força e beleza de Adriana Araújo”, conclui a ministra em sua mensagem.


Agência Brasil

Entenda relação entre a causa palestina e a guerra contra o Irã

O ataque do Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023 inaugurou uma nova fase do conflito no Oriente Médio em torno dos territórios palestinos. Para alguns analistas, os ataques contra o Irã são também consequência da guerra na Faixa de Gaza e da colonização da Cisjordânia, ainda que indiretamente.

Os governos de Israel e dos Estados Unidos (EUA) estariam aproveitando as fragilidades econômicas do Irã, motivadas em parte pelas sanções ocidentais, e os rachas políticos internos, evidenciados em protestos violentos no início do ano, para cortar o apoio ao Eixo da Resistência, dado por Teerã. 

Tal eixo é formado por grupos armados que resistem à política de Israel e dos EUA no Oriente Médio, como Hezbollah, Hamas ou os Huthis no Iêmen. A queda do governo de Bassar al-Assad na Síria, após 13 anos de guerra financiada por potências estrangeiras, também teria sido uma consequência da intensificação da guerra contra o Eixo da Resistência, uma vez que a Síria era uma aliada do Irã.

O professor de relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo (SP) Bruno Huberman afirmou à Agência Brasil que as agressões contra o Irã são uma das consequências do 7 de Outubro, porque Teerã é a principal força de oposição a política de Washington e Tel-Aviv no Oriente Médio.  

“A solidariedade com a causa palestina sempre esteve no centro do projeto político iraniano desde 1979 [Ano da Revolução Iraniana]. Isso é uma das razões pelas quais o Irã tem sido confrontado.”

Para o especialista, o Irã tem forte relevância para a questão palestina e para os grupos islâmicos de resistência armada que buscam revolução armada e libertação nacional radical na Palestina.

Huberman acrescenta que a queda do Irã permitirá que os EUA e Israel reorganizem o Oriente Médio “como bem entendem”. Para ele, o conflito facilita o avanço da anexação da Cisjordânia por Israel.  

“Desde o cessar-fogo em Gaza, Israel tem avançado de forma significativa na colonização e na anexação de território na Cisjordânia. E, durante essa guerra no Irã, isso deve se fortalecer.”

No mês passado, Israel aprovou novas regras para compra de terras palestinas por israelenses na Cisjordânia, medida denunciada como tentativa de avançar sobre o território palestino. Em 2025, pelo menos 40 mil palestinos foram expulsos de suas residências na região. 

Mudança de cenário

Por outro lado, o professor avalia que a queda de Teerã não inviabiliza a causa palestina, apesar de mudar o cenário. “O Irã se envolveu mais no apoio à luta armada, assim como o Catar, enquanto outros países apoiam projetos humanitários, de desenvolvimento, ou só de forma retórica.”

Os grupos xiitas Hezbollah, no Líbano, e os Huthis, do Iêmen, são exemplos de grupos armados do Eixo da Resistência, apoiados pelo Irã, que se lançaram em ataques contra Israel em apoio à Gaza. 


People run as a missile hits a building, following an escalation between Hezbollah and Israel amid the U.S.-Israel conflict with Iran, in Tyre, Lebanon, in this screen grab obtained from a social media video released March 2, 2026. Social Media/via REUTERS  THIS IMAGE HAS BEEN SUPPLIED BY A THIRD PARTY. MANDATORY CREDIT. NO RESALES. NO ARCHIVES. 

Verification: 
-Buildings, shopfronts, road layout and petrol station matched file and satellite imagery
-Exact time could not be verified
-However, Israel said it launched a wave of strikes in southern Lebanon on Monday (March 2)
-No older versions of the video found before Monday (March 2)

Pessoas correm no Líbano, após ataques entre Hezbollah e Israel em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã. Reuters – Proibido reprodução

Direito internacional

Para outros analistas, não é possível traçar uma relação direta entre o 7 de outubro e as agressões contra o Irã, ainda que os dois acontecimentos estejam de alguma forma conectados. É o que defende a professora Rashmi Singh, da pós-graduação em relações internacionais da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Minas Gerais.

Para ela, a ação israelense em Gaza e na Cisjordânia serviu para normalizar, pelos países ocidentais, a aplicação seletiva do direito internacional. 

Rashmi cita, como exemplos, “o genocídio na Palestina, os bombardeios ilegais de hospitais, escolas, universidades, igrejas, mesquitas e outras infraestruturas civis” por parte de Israel, assim como “atos terroristas [de Israel] em outros países – como os ataques com pagers no Líbano –, que foram saudados pelo Ocidente não como terrorismo, mas como ‘estrategicamente brilhantes por parte de Israel’”.

A professora da PUC de Minas acrescenta que todas essas violações do direito internacional ocorreram com o silêncio ou cumplicidade dos países europeus e norte-americanos.

“Os ataques ilegais ao Irã, há oito meses, também foram elogiados. Portanto, a Palestina não está diretamente relacionada aos ataques ao Irã, mas estabeleceu o padrão do que é permitido nas relações internacionais. Estabeleceu o cenário para o que está acontecendo no Irã”.

Rashmi Singh acrescenta que, apesar do apoio que o Irã fornece aos grupos de resistência palestinos, a causa palestina não depende exclusivamente do Irã, “ou de qualquer outro ator externo”. “O apoio externo é um fator, mas não é o único”, destacou.


24/10/2023, Rashmi Singh, professora de relações internacionais da PUC Minas, durante entrevista a TV Assembleia MG. Foto: Frame/TV Assembleia MG

Rashmi Singh, professora da PUC Minas, analisa consequências do conflito EUA-Irã. Frame/TV Assembleia MG

Ao mesmo tempo, a professora alerta que Israel tem usado a guerra para “expandir seu roubo territorial ilegal de terras palestinas”.

“Gaza foi completamente isolada novamente – contrariando o acordo de cessar-fogo – e os colonos, israelenses, na Cisjordânia estão ocupados aterrorizando os palestinos, matando e assediando, com o apoio total das Forças de Defesa de Israel.”

Influencia o contexto

Ao mesmo tempo, há analistas que atribuem uma influência do 7 de outubro ao contexto geral do Oriente Médio, sem que o ataque do Hamas possa explicar, sozinho, a decisão de Israel e dos EUA de atacarem o Irã.

Essa é a avaliação da professora de relações internacionais do Ibmec SP, Karina Stange Caladrin.

“Desde 2023, a guerra em Gaza ‘regionalizou’ a dinâmica de segurança: Israel passou a tratar o chamado eixo de resistência – Hamas, Hezbollah, Houthis e milícias aliadas – como um tabuleiro integrado, e o Irã como o principal patrocinador, financeira, militar e politicamente, dessa rede.”

Caladrin acrescenta que, nesse contexto, a guerra em Gaza e a escalada dos conflitos na Cisjordânia criaram incentivos para ampliar a pressão contra Teerã. Para ela, a guerra contra o Irã também tira a agenda palestina do noticiário e corta parte do respaldo que grupos palestinos recebem do Irã.

“Paradoxalmente, uma escalada maior pode radicalizar narrativas, aumentar polarização e ampliar a mobilização transnacional em torno da Palestina, mas isso não se traduz automaticamente em ganhos políticos concretos para Gaza e Cisjordânia”, acrescentou.

Por outro lado, Karina Caladrin pondera que, caso o regime do Irã sobreviva, o mais provável é que reafirme seu papel regional. “O que, de novo, não equivale a avanços políticos palestinos; pode significar apenas que a causa continua ‘útil’ como símbolo em uma competição geopolítica mais ampla.”

A causa palestina

Costuma-se fixar o início do conflito israel-palestino à criação do Estado de Israel, ainda em 1948. Naquele ano, ocorre a Nakba – catástrofe, em árabe – do povo palestino, quando mais de 700 mil palestinos são expulsos da suas terras, e cerca de 450 vilas são destruídas

Esses acontecimentos dariam início à “causa palestina”, como a conhecemos hoje, que é a defesa do retorno dos refugiados à suas casas e o estabelecimento da independência e criação do Estado Palestino.

Em oposição, Israel rejeita qualquer medida que resulte na criação de um Estado Palestino em suas fronteiras, conforme exige o direito internacional e a maioria dos países do mundo.  

Agência Brasil

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