Jaguaripe atualiza política ambiental em novo decreto

A Prefeitura de Jaguaripe publicou, na edição nº 6.125 do Diário Oficial, no último dia 17, um novo decreto que altera o regulamento da política ambiental do município, assegurando a preservação e uso racional dos recursos naturais.

O Decreto nº 057, assinado pelo prefeito Dr. Fábio Nonato, atualiza as diretrizes para a proteção e gestão ambiental. A medida modifica o Regulamento da Lei Municipal nº 717, de 12 de junho de 2014, e a Lei Municipal nº 805, de 27 de março de 2019.

Essa alteração, que entrou em vigor a partir da data de sua publicação, demonstra o compromisso da administração municipal em manter a legislação ambiental atualizada, garantindo a preservação dos recursos naturais e o desenvolvimento sustentável de Jaguaripe.

Autor de tentativa de feminicídio em Elísio Medrado é transferido para presídio

O homem conhecido como Vando, que tentou matar a facadas a ex-companheira, Milena, em Elísio Medrado, na noite do último domingo (21), passou por audiência de custódia, nesta quarta-feira (24).

A Justiça decidiu manter o homem preso e ele será transferido para um presídio, que ainda não foi informado. A informação foi passada pela mãe de Milena, Magnólia.

Milena segue internada no Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus e seu atual estado de saúde é desconhecido. Ela passou por uma cirurgia que durou cerca de 8 horas, ainda no domingo.

Vando foi preso na segunda-feira (22), entre as cidades de Varzedo e São Miguel das Matas. Ele era funcionário de uma empresa terceirizada que presta serviço para a Secretaria de Educação de Elísio Medrado. Através de nota divulgadas nas redes sociais, a Prefeitura repudiou o ato de extrema violência e anunciou o desligamento de Vando.

Vitória anuncia contratação de Jair Ventura

Reprodução/EC Vitória

O Vitória anunciou nesta quarta-feira (24), a chegada do técnico Jair Ventura, que assume o comando da equipe até o fim da temporada. O treinador, de 46 anos, deixou o Avaí, clube que disputava a Série B do Campeonato Brasileiro, para assumir a vaga deixada por Rodrigo Chagas, efetivado há apenas 20 dias.

Essa será a quarta mudança de técnico do Rubro-Negro em 2025. O time começou o ano sob o comando de Thiago Carpini, passou por Fábio Carille, depois entregou o comando a Rodrigo Chagas, e agora aposta na experiência de Jair Ventura para reagir na temporada.

Com a alteração, Rodrigo Chagas volta a ser auxiliar técnico do elenco profissional. O ex-lateral, que vinha dirigindo o sub-20 antes de ser promovido, comandou o time nas últimas três rodadas, mas sofreu derrotas para Fortaleza e Fluminense.

Jair Ventura chega acompanhado de seu auxiliar técnico, Emílio Faro, e do analista de desempenho, Antônio Macêdo. A comissão rubro-negra segue ainda com Cléber dos Santos e Juninho Nogueira.

Criador de cidades-esponja, Kongjian morre em queda de avião no Brasil

Quatro pessoas morreram na queda de um avião de pequeno porte na cidade de Aquidauana (MS), a cerca de 150 quilômetros de Campo Grande, no fim da tarde dessa terça-feira (23).

Entre as vítimas está o chinês Kongjian Yu, 62 anos, considerado um dos mais influentes arquitetos e urbanistas da atualidade e criador do conceito das chamadas cidades-esponja, em que se utiliza da própria natureza para tornar os aglomerados urbanos mais resilientes às condições climáticas severas.

O avião pertencia ao piloto Marcelo Pereira de Barros, 59 anos, que também morreu em decorrência da tragédia. As outras duas vítimas da queda do Cessna Aircraft 175, prefixo PT-BAN, são o cineasta Luiz Ferraz, 42 anos, e o diretor de fotografia Rubens Crispim Jr, 51 anos.

Investigadores do 4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos estiveram no local do acidente coletando material e informações que possam ajudar a esclarecer as causas da tragédia.

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), ainda não é possível falar em prazos, mas “a conclusão da investigação ocorrerá no menor prazo possível”, conforme a complexidade da ocorrência. Ao fim, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgará relatório com os achados e as conclusões dos peritos, com o propósito não de apontar culpados ou responsáveis, mas de evitar futuras ocorrências semelhantes.

Em nota, a empresa Olé Produções, fundada por Ferraz e outros sócios, confirmou as mortes de Yu, Barros, Crispim e Ferraz em meio à região do pantanal sul-mato-grossense. Diretor de vários documentários cinematográficos, Ferraz foi indicado ao prêmio Emmy Internacional, em 2023, pela série Dossiê Chapecó: O Jogo por Trás da Tragédia.

Em nota, o Ministério da Cultura lamentou a morte de Ferraz, frisando que o cineasta se destacou pela dedicação aos documentários e “pela busca constante de novas linguagens audiovisuais”. “Sua obra deixa uma contribuição inestimável à cultura e ao cinema brasileiro”.

O produtor-executivo da companhia, Thomas Miguez, informou à Agência Brasil que Ferraz e Crispim estavam gravando material para um documentário que planejavam fazer sobre o trabalho de Yu, e que se chamaria Planeta Esponja.

“A viagem do professor Yu ao Brasil foi a convite da 14ª Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, mas, como eles já estavam envolvidos na produção do filme, a visita ao Pantanal foi um pedido especial do professor, que não conhecia a região”, comentou Miguez, referindo-se a Yu como professor da Universidade de Pequim.

A 14ª Bienal Internacional de Arquitetura ocorreu em São Paulo, entre os últimos dias 18 e 19. A convite do Instituto de Arquitetos do Brasil, Yu ministrou a conferência de abertura do evento, falando sobre seu conceito de cidades-esponja. Duas semanas antes, o chinês já tinha participado da conferência internacional promovida pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU 2025), realizada em Brasília, entre 4 e 6 de setembro.

Nota de pesar

Em nota, o CAU manifestou pesar pela morte de Yu. Segundo o conselho, o arquiteto e urbanista era uma referência mundial em planejamento urbano ecológico, tendo recebido alguns dos mais importantes prêmios de sua área de atuação, como o IFLA Sir Geoffrey Jellicoe Award (2020), o Cooper Hewitt National Design Award (2023) e o RAIC International Prize (2025).

“Sua contribuição influenciou políticas públicas ambientais na China e em outros países”, afirmou o CAU, lembrando a participação de Yu durante a recente conferência internacional que ocorreu em Brasília, onde, segundo a entidade, o chinês “compartilhou com milhares de profissionais sua visão transformadora para as cidades do futuro.

“Diante de cerca de quatro mil pessoas, ele apresentou seu conceito de “cidades-esponja”, aplicado em mais de mil projetos em 250 localidades e defendeu soluções baseadas na natureza para enfrentar enchentes urbanas e os efeitos da crise climática”, acrescentou o CAU, destacando que a obra do fundador do premiado escritório de arquitetura Turenscape “deixa um legado de compromisso com a sustentabilidade, a paisagem e a vida urbana”.

Em junho de 2024, quando milhares de brasileiros sofriam, direta ou indiretamente, as consequências dos temporais e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul nos dois meses anteriores, Kongjian Yu visitou o Brasil a convite do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Referência

Ao participar de um seminário sobre experiências nacionais e internacionais na reconstrução de cidades devastadas por tragédias ambientais, na sede do banco, no Rio de Janeiro, Yu disse esperar que o Brasil possa ser referência sobre “como construir o mundo”.

“Estou orgulhoso de estar aqui para compartilhar a minha experiência de como o planeta pode ser sustentável”, afirmou o arquiteto, contando que começou a pensar sobre o conceito de cidades-esponja ao perceber que o vilarejo em que ele morava, em Zhejiang, província no leste da China, estava sendo recorrentemente afetado por inundações.

Segundo o professor, os problemas se agravaram na medida em que avançava o que ele chamava de “infraestrutura cinza”, a presença crescente de concreto nas cidades, canalizando rios e impermeabilizando grandes áreas.

Dessa forma, ele colocou em prática projetos de paisagismo que privilegiam a própria natureza para lidar com enchentes, priorizando grandes áreas alagáveis e presença de vegetação nativa. Assim, partes de cidades se tornam uma espécie de esponja, com capacidade de receber inundação e dar tempo para o escoamento da água, diminuindo danos a áreas habitadas. “A enchente passa a não ser uma inimiga”, resumiu o professor.

 

*Colaborou Bruno de Freitas Moura

 

Agência Brasil

Motorista é indiciado por duplo homicídio culposo em acidente que matou Samuel e Mateus

Reprodução/Redes sociais

A Polícia Civil indiciou o motorista da caminhonete envolvida no acidente que resultou na morte dos irmãos cantores Samuel e Mateus, ocorrido no início de setembro em Presidente Tancredo Neves, na Bahia.

De acordo com o delegado Tarcísio Santiago dos Anjos, responsável pelo caso, o inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça na terça-feira (23). O motorista responde por duplo homicídio culposo e lesão corporal culposa contra o pai da dupla, crimes agravados pelo fato de ele não possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Segundo o delegado, o condutor da caminhonete não manteve distância segura da motocicleta em que estavam os irmãos. A perícia revelou que um dos jovens foi arremessado a 34 metros do local do acidente e o outro a mais de 50 metros.

O pai de Samuel e Mateus, Josenilson Santana de Almeida, de 40 anos, que conduzia a motocicleta, não foi incluído no inquérito. O delegado esclareceu: “O pai cometeu infração de trânsito, mas isso não é crime. São duas coisas diferentes.”

Maiores emissores de gases de efeito estufa ainda não revisaram metas

Com a proximidade do fim do prazo para as novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês), no dia 30 de setembro, os países signatários do Acordo de Paris aceleraram a entrega das metas.

Desde o início do mês mais 16 países apresentaram propostas atualizadas para reduzir a emissão de gases do efeito estufa. Entre as últimas entregas estão as de países como Austrália, Angola e Chile.

Ao todo 50 países já apresentaram suas ambições, mas, segundo a plataforma de acompanhamento da organização ambiental sem fins lucrativos World Resources Institute (WRI), as metas alcançam apenas 24% das emissões globais.

Os grandes emissores, no entanto, como China, Índia, União Europeia e Rússia permanecem com a pendência sobre este compromisso.

“O prazo inicial era fevereiro de 2025 e até ali somente 36 países enviaram. A gente conseguiu avançar um pouquinho agora até setembro, mas até o momento muitos países ainda estão fora. Se a gente olhar os países do G20, que são os maiores emissores, somente cinco tinham enviado até o prazo correto: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Japão. Então a gente tem um desafio”, destaca o diretor de Políticas Públicas da Conservação Internacional (CI-Brasil), Gustavo Souza.

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COP30

A menos de dois meses da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém (PA), o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e o secretário-geral da ONU, António Guterres promovem, nesta quarta-feira (24), um evento especial de alto nível sobre ação climática, em Nova York (Estados Unidos).

A reunião ocorrerá hoje à tarde na programação da Semana do Clima e, segundo informou o Palácio do Planalto, tem como objetivo estimular a apresentação de novas NDCs, rumo à COP30.

Na terça-feira (23), o presidente brasileiro chegou a destacar, em seu discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU que “sem ter o quadro completo das Contribuições Nacionalmente Determinadas caminharemos de olhos vendados para o abismo”.

Multilateralismo

O governo brasileiro tem estabelecido como meta para a COP30 alcançar 120 entregas, do total de 197 países-partes. De acordo com o chefe da Divisão de Ação Climática do Ministério das Relações Exteriores, Mário Gustavo Mottin, parte do desafio se deve a uma crise no multilateralismo.

“Neste ano que a gente celebra os 30 anos da Convenção do Clima, lançada no Rio em 1992, e dez anos do Acordo de Paris, o mundo enfrenta desafios geopolíticos significativos, e há uma visão de ceticismo em relação à capacidade do multilateralismo de impulsionar respostas conjuntas pelos mais diversos temas, e a mudança do clima não é excluída desse contexto”, afirmou em nota.

Na análise do líder em mudanças climáticas da WWF-Brasil, Alexandre Prado, esse ceticismo é decorrente de um descompasso entre a percepção dos efeitos das mudanças climáticas e a velocidade das ações para reverter o problema, mas o multilateralismo ainda é o espaço para esse ajuste e com resultados positivos já observados.

“Dificilmente a gente teria hoje esse volume de produção de energia vindo de fontes renováveis – eólica, solar, também biocombustíveis, que é tão importante para o Brasil –, e toda essa discussão de transição energética se não tivesse a Conferência do Clima da ONU anualmente, a gente cobrando mais, sabendo mais o que tem que fazer”, afirma.

Prado lembra ainda que a previsão de aquecimento global para as próximas décadas era de 6 graus Celsius (°C) e hoje, com medidas adotadas pelos países, a perspectiva foi otimizada e passou a 4,5°C.

“Óbvio que 2,4°C ainda é muito ruim, mas 6°C é o fim da vida no planeta. Como fala o [escritor Ailton] Krenak, nós somos terráqueos. Nós somos uma espécie que é desenvolvida para morar no planeta Terra. Então a gente está fadado ao sucesso ou todos morrem. A gente tem que perseguir o sucesso no sentido de manter a vida na Terra, a nossa vida na Terra”, conclui.  

Agência Brasil

Incêndio atinge residência em Santo Antônio de Jesus

Foto:Reprodução

Uma residência foi atingida por um incêndio na noite desta terça-feira (23), na rua Teodoro Dias Barreto, no bairro Andaiá, em Santo Antônio de Jesus. De acordo com informações iniciais, o fogo pode ter sido provocado por um problema elétrico.

Segundo apuração do Blog do Valente, uma moradora estava no banho quando o chuveiro elétrico parou e a energia caiu. Pouco depois, o fogo se iniciou no quarto próximo ao banheiro. O espaço continha materiais de artesanato e tecidos, o que pode ter acelerado a propagação das chamas.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e conseguiu controlar o incêndio. A Polícia Militar esteve no local para isolar a área e garantir a segurança dos moradores. Ninguém ficou ferido.

Abertura do CineBH homenageia Carlos Francisco, com sala lotada

Mais de mil pessoas lotaram o Cine Theatro Brazil, em Belo Horizonte, na noite desta terça-feira (23), para a abertura da 19ª edição do CineBH, evento que marca a cena audiovisual brasileira e internacional na capital mineira.

O ator Carlos Francisco foi o grande homenageado da edição e recebeu o reconhecimento emocionado diante da plateia. O CineBH vai até domingo (28).

A sessão de abertura exibiu o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, no qual Carlos Francisco interpreta um projecionista de cinema que se envolve em uma trama vivida pelo personagem de Wagner Moura.

O longa tem colecionado prêmios em festivais internacionais e foi recentemente exibido em Cannes, onde conquistou melhor direção para Mendonça e melhor ator para Moura.

Às lágrimas, o homenageado agradeceu o carinho e relembrou suas origens.

“Sou um quilombola de formação oral e uma homenagem dessas me mostra que deu pra aprender direitinho”, disse Carlos.

Ele recordou ainda da tia que o levou ao teatro pela primeira vez, experiência que despertou o desejo de se tornar ator: “Isso é um estímulo para continuar fazendo.”

Trajetória

Mineiro de Belo Horizonte, Carlos Francisco construiu carreira sólida principalmente no teatro, integrando o Grupo Folias, em São Paulo. No cinema, seu talento ganhou projeção nacional e internacional em títulos como Arábia (2017), No Coração do Mundo (2019), Marte Um (2022) – que lhe rendeu o Grande Otelo de Melhor Ator – e Suçuarana (2024), vencedor de diversos prêmios no Festival de Brasília.

Em entrevista à Agência Brasil, o ator destacou a importância de ser homenageado em sua cidade natal:

“O cinema possibilitou que eu fosse visto. E esse reconhecimento por uma produtora mineira, que embora dialogue com o mundo é de Belo Horizonte, me honra e me deixa muito feliz. Estar aqui com familiares e amigos torna essa homenagem ainda mais especial”.

Momento atual

Carlos Francisco vive uma fase de intensa produção. Além de O Agente Secreto, ele está em cartaz com Suçuarana, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, e segue participando de projetos com jovens cineastas e nomes já consagrados do audiovisual brasileiro.

Ele ressalta, no entanto, a necessidade de ampliar o alcance do cinema nacional:

“O que falta para o cinema brasileiro é ser visto pelos brasileiros. Precisamos de mais salas de exibição, de cinemas de rua e até de cinemas públicos que acolham nossas produções autorais.”
 


Brasília (DF), 24/09/2025 – Filme O Agente Secreto - 19ª CINEBH - International Film Festival - Exibição do Filme O AGENTE SECRETO - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Exibição do filme O Agente Secreto na abertura da 19ª edição do CineBH – Leo Lara/Universo Produção

CineBH 2025

A programação da 19ª edição do CineBH reúne mostras, debates e workshops, além da exibição de títulos nacionais e internacionais.

Entre eles, destacam-se produções mineiras e filmes premiados como Marte Um, de Gabriel Martins, e O Estranho Caminho, de Guto Parente, vencedor de quatro prêmios no Festival de Tribeca.

Carlos Francisco encerrou seu discurso convidando o público para prestigiar o evento:

“Agradeço essa homenagem e convido a todos para acompanhar a programação incrível do CineBH, que acontece aqui em Belo Horizonte e também online. Nos encontramos no cinema”.

Agência Brasil

Unesco chama atenção para qualidade das refeições escolares no mundo

Um relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgado neste mês de setembro reforça a importância de melhorar a qualidade das refeições servidas nas escolas. Apesar de quase metade das crianças no mundo ter acesso à alimentação escolar, a organização alerta que ainda não há atenção suficiente ao valor nutricional dos alimentos oferecidos.

O documento defende que é necessário priorizar refeições equilibradas, preparadas com produtos frescos e acompanhadas de ações de educação alimentar. Também mostra que as refeições escolares podem aumentar em até 9% as matrículas e em 8% a frequência escolar, além de melhorar o desempenho pedagógico.

O relatório alerta para a relação direta entre falta de monitoramento e alta de obesidade infantil, que mais do que dobrou desde 1990, ao mesmo tempo em que cresce a insegurança alimentar global. 

A publicação “Educação e nutrição: aprender a comer bem”, produzida em parceria com o Consórcio de Pesquisa para Saúde e Nutrição Escolar, destaca que em 2022 quase um terço das refeições escolares não contou com a participação de nutricionistas no planejamento. Apenas 93 dos 187 países avaliados tinham normas para regular alimentos em escolas — e só 65% deles controlavam a venda de produtos em cantinas e máquinas automáticas.

“A Unesco entende que a maior oferta de alimentos in natura pode passar por maior valorização da agricultura familiar e da cultura local. É uma questão de identidade regional, de valorização do pequeno agricultor, de manter o recurso na comunidade e fazer a economia circular na região. Tudo isso com base em uma alimentação saudável”, diz Lorena Carvalho, oficial de projetos do setor de educação da Unesco no Brasil.

Exemplos positivos

Entre as iniciativas destacadas está o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no Brasil, que passou a restringir o uso de ultraprocessados. Para os números avançarem mais, a Unesco defende maior monitoramento do poder público.

“A legislação brasileira já não permite a incidência alta de alimentos ultraprocessados na alimentação escolar, então acredito que é preciso ter mais fiscalização”, acrescenta Lorena.

“São produtos mais fáceis de conservar. Eles têm validade maior. Então, o risco de estragar na cantina é menor. Alimentação escolar é um investimento. E algumas secretarias investem recursos próprios, não usam exclusivamente os recursos do FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação]”, complementou.

Na China, a inclusão de vegetais, leite e ovos em escolas rurais ampliou a ingestão de nutrientes e a frequência escolar. Na Nigéria, o programa de alimentação escolar com base na produção local aumentou em 20% as matrículas no ensino primário. A Unesco também cita experiências na Índia, onde a introdução de milheto fortificado em refeições escolares melhorou a atenção e a memória de adolescentes.

Próximos passos

A organização defende que os governos priorizem alimentos frescos e locais, reduzam produtos ultraprocessados e incluam a educação alimentar nos currículos escolares. Ainda em 2025, serão lançados ferramentas práticas e programas de formação voltados a gestores públicos e educadores.

O relatório faz parte do Monitoramento Global da Educação (GEM), que acompanha os avanços dos países em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 4), sobre educação de qualidade.

Agência Brasil

ONG alerta para alta do trabalho infantil entre crianças de 5 a 9 anos

O aumento do trabalho infantil entre crianças de 5 a 9 anos, na passagem de 2023 para 2024, chamou a atenção da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, organização da sociedade civil voltada para o bem-estar na primeira infância.

Depois de ter caído 24% de 2022 para 2023, números divulgados na última sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relevaram que, no ano passado, o país registrou aumento de 22%, chegando a 122 mil crianças de 5 a 9 anos em situação de trabalho infantil.

Com base nos dados do IBGE, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal constatou que, entre os mais novos, o percentual de crianças submetidas ao trabalho infantil foi o maior já registrado na série histórica, iniciada em 2016.

Em 2016, as 110 mil crianças de 5 a 9 anos nessa situação eram 5,24% da população dentro dessa faixa etária. Em 2022, eram 132 mil pessoas, que representavam 6,97% da faixa etária. O número caiu para 100 mil crianças (6,19%) em 2023, mas voltou a subir no ano passado: 122 mil ─ 7,39% das que tinham entre 5 e 9 anos.

A CEO (diretora-executiva) da Fundação, Mariana Luz, considera “inaceitável” que, em 2024, o Brasil registre a maior proporção já vista da série histórica de crianças de 5 a 9 anos em trabalho infantil.

“Quando crianças nessa faixa de 5 a 9 anos trabalham, estamos negando a elas o direito primordial de experimentar a infância: brincar, aprender, crescer em segurança. Estamos comprometendo seu futuro, reforçando desigualdades raciais, perpetuando um ciclo de exclusão que se inicia precocemente”, disse à Agência Brasil.

Ainda segundo ela, a inserção de famílias de baixa renda no trabalho doméstico ou informal “ajuda a explicar, em parte, esse salto entre crianças tão jovens”.

A educadora social e advogada Patrícia Félix, integrante do Conselho Tutelar no Rio de Janeiro, acrescenta que o trabalho infantil aumenta em períodos como as férias escolares, quando os pais não têm com quem deixar os filhos. Por isso, ela defende que hajam mais vagas em colégios de ensino integral.

“A gente vê que essas mães realmente precisam de um ponto de apoio”, disse em entrevista à TV Brasil.

5 a 17 anos

Em um universo mais amplo, a pesquisa do IBGE revelou que, em oito anos, o número de pessoas de 5 a 17 anos envolvidas com o trabalho infantil recuou 21,4%. Mas, de 2023 para 2024, o contingente cresceu 2%. 

Mariana Luz lembra que os dados recém divulgados revelam que o Brasil não alcançou ainda a meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), que trata de “até 2025, acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas”.

“Precisamos de políticas públicas reais, financiamento adequado, fiscalização rigorosa, intervenções direcionadas às populações mais afetadas. Especialmente crianças pretas e pardas, nas regiões mais vulneráveis”, declarou.

Mariana Luz nota que, enquanto crianças pretas e pardas são 66% da faixa etária de 5 a 9 anos, elas representam 67,8% das submetidas ao trabalho infantil, ou seja, proporcionalmente essas sofrem mais com a situação. “Isso revela, de forma cristalina, uma falha estrutural gravíssima do país: onde existe pobreza, invisibilidade social e racismo, as crianças negras são as que mais sofrem”, aponta.

Para a CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, “cada criança retirada de sua infância é uma falha coletiva”. Para ela, é preciso agir com urgência para garantir que nenhuma criança esteja trabalhando quando deveria estar brincar e estudar. “Porque criança não trabalha, criança vive a infância”, diz.

Redução recorde

O ODS da ONU determina também a redução das piores formas de trabalho infantil. Nesse campo, o Brasil apresentou redução recorde na lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, conhecida como Lista TIP

Em 2024, o país tinha 560 mil pessoas de 5 a 17 anos na Lista TIP. Esse resultado representa queda de 39% em relação a 2016, quando o Brasil tinha quase 1 milhão (919 mil) de crianças e adolescentes nessas atividades. Em comparação a 2023 (590 mil), o recuo foi de 5%.

A Lista TIP é uma relação regulamentada pelo Decreto 6.481 da Presidência da República, de acordo com a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

A relação reúne atividades desempenhadas em locais como serralherias, indústria extrativa, esgoto, matadouros e manguezais, entre outros. São ocupações relacionadas a intenso esforço físico, calor, insalubridade e outras características que podem causar fraturas, mutilações, envenenamento e outros danos aos menores de idade.

Bolsa Família

Outro avanço no Brasil foi a redução mais acentuada do trabalho infantil entre crianças que moram em lares beneficiados pelo programa Bolsa Família.

Nos domicílios que contam com a assistência, o percentual de pessoas de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil era de 5,2%, o que representa 717 mil pessoas. No país como um todo, ou seja, sem separar quem recebe o Bolsa Família, a proporção é de 4,3%, o que engloba 1,65 milhão de pessoas.

Ao observar a evolução histórica desse dado, percebe-se que tem diminuído a diferença entre os dois grupos.

Em 2016, a distância era de 2,1 pontos percentuais. Entre os beneficiários do Bolsa Família, a proporção era de 7,3% das pessoas de 5 a 17 anos. No Brasil como um todo, de 5,2%. O menor ponto dessa distância é justamente em 2024: 0,9 ponto percentual.

O que é trabalho infantil

Para classificar o trabalho infantil, o IBGE segue orientações da OIT, que o conceitua como “aquele que é perigoso e prejudicial à saúde e o desenvolvimento mental, físico, social ou moral das crianças e que interfere na sua escolarização”. Acrescentam-se à classificação atividades informais e com jornadas excessivas.

Dessa forma, nem todas as atividades laborais de crianças e adolescentes são consideradas trabalho infantil. A legislação brasileira impõe delimitações:

  • até os 13 anos, é proibida qualquer forma de trabalho.
  • de 14 a 15 anos, trabalho é permitido apenas na forma de aprendiz.
  • aos 16 e 17 anos, há restrições ao trabalho sem carteira assinada, noturno, insalubre e perigoso

A população pode denunciar casos de trabalho infantil pelo Disque Direitos Humanos (Disque 100), canal gratuito.

Ministério do Trabalho

Procurado pela Agência Brasil, o coordenador-geral de Trabalho Infantil do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Roberto Padilha, informou que os dados recém-divulgados estão em análise na pasta.

“Em uma análise preliminar, observamos que os microdados revelam diferentes aspectos, entre eles a redução das piores formas de trabalho infantil, em 4,4%, mas ao mesmo aumento revelam aumento em de 1% no trabalho infantil em atividades econômicas e de 7% em atividades para o próprio consumo”, cita.

“Os números também mostram que não houve uniformidade no aumento do trabalho infantil no Brasil”.

Ministério dos Direitos Humanos

O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) informou à Agência Brasil que “ao ratificar a Convenção 182 da OIT, o país reafirmou o compromisso de eliminar as piores formas de trabalho infantil”.

“Nesse contexto, o ministério atua na prevenção dessa prática e na proteção de crianças e adolescentes trabalhadores”, completa a pasta.

O ministério citou que integra a Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Infantil (Conaeti), coordenada pelo MTE, que revisa o Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil e orienta fluxos de atendimento em todo o país.

O Ministério também informou que contribui na formação de profissionais do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente por meio de 17 Escolas de Conselho e participa do Observatório da Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (SmartLab de Trabalho Decente), que disponibiliza dados sobre denúncias, fiscalizações e áreas mais afetadas.

A pasta destaca, entre as políticas de prevenção, as cotas de contratação de jovens aprendizes e os programas de aprendizagem profissional, que garantem profissionalização, proteção no trabalho e capacitação adequada, conforme previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“O cumprimento da legislação assegura oportunidades de trabalho qualificado, remuneração justa, direitos assegurados e contribui para a renda familiar, auxiliando na quebra do ciclo de pobreza e vulnerabilidade”, afirma.

O MDHC acrescenta que realiza estudos, capacitação de profissionais e campanhas de sensibilização, como a #InfânciaSemTrabalho, para fortalecer a proteção integral de crianças e adolescentes.

Agência Brasil

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