Pentágono exige que jornalistas submetam reportagens a sua aprovação

Os jornalistas que cobrem o Pentágono, nos Estados Unidos (EUA), terão que assinar um documento se comprometendo a submeter as reportagens aos agentes do Departamento de Defesa do país antes da publicação. Caso contrário, os profissionais terão suas credenciais de acesso ao prédio suspensas.

A medida foi criticada por organizações de jornalistas como um ataque à liberdade à imprensa. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, retrucou afirmando que a “imprensa não comanda o Pentágono”.

O Clube Nacional de Impresa, associação que representa os jornalistas nos EUA, disse que a nova medida é “um ataque direto ao jornalismo independente, exatamente onde o escrutínio independente mais importa: nas Forças Armadas dos EUA”

O presidente do Clube, Mike Balsamo, lembrou que, ao longo de várias gerações, repórteres do Pentágono forneceram ao público informações sobre como as guerras são travadas.

“Esse trabalho só foi possível porque os repórteres puderam buscar fatos sem precisar da permissão do governo”, disse Balsamo, acrescentando que, se as notícias precisam ser aprovadas pelo governo, o público não pode mais receber reportagens independentes.

“[O público] está recebendo apenas o que as autoridades querem que ele veja. Isso deveria alarmar todos os americanos. Reportagens independentes sobre as Forças Armadas são essenciais para a democracia. É o que permite aos cidadãos responsabilizar os líderes e garante que as decisões de guerra e paz sejam tomadas à luz do dia”, completou.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, rebateu as críticas, dizendo que quem comanda o Pentágono é o “povo”, não a imprensa. “Use um crachá e siga as regras — ou vá para casa”, disse o chefe do Departamento de Guerra do governo Trump em uma rede social.

Violação à Constitução

A Fundação Liberdade para Imprensa afirmou que essa política é “a mais grave” violação da Primeira Emenda da Constituição dos EUA. “O governo não pode proibir jornalistas de divulgar informações públicas simplesmente alegando que são secretas”, disse a organização.

A nova decisão se soma a outras medidas do governo Trump contra a imprensa. Em maio, o secretário do governo Trump já havia adotado medidas restringindo a circulação de jornalistas pelos corredores do Pentágono, submetendo a entrada em áreas antes permitidas à autorização prévia e escolta.

Na semana passada, o presidente dos EUA ameaçou cancelar licenças de rádios e televisões que criticam o governo. Já a emissora da Disney ABC retirou do ar “indefinidamente” o programa do apresentador Jimmy Kimmel, conhecido crítico de Trump, após pressão da Casa Branca. 

Agência Brasil

Ato no RJ com Caetano, Chico e Gil repudia anistia e PEC da Blindagem

Milhares de pessoas ocuparam neste domingo (21) a Praia de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, para protestar contra a PEC da Blindagem e a anistia a condenados por golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro, ex-ministros e aliados.

A proposta de emenda à Constituição repudiada pelos manifestantes foi aprovada pela Câmara dos Deputados na última terça-feira (16). Na prática, a medida dificulta a abertura de processos criminais contra parlamentares, ao impor que as casas legislativas devem aprovar a abertura desses processos. 

Aos gritos de “Sem Anistia” e “Viva a democracia”, os manifestantes se reuniram na altura do Posto Cinco da Orla de Copacabana, para escutar os discursos de lideranças políticas e assistir aos shows dos cantores Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Paulinho da Viola, Djavan, entre outros. 

Caetano Veloso disse, durante o ato musical, que a democracia no Brasil resiste. Segundo ele, a cultura nacional apresenta grande vitalidade.

“Não podemos deixar de responder aos horrores que vêm se insinuando à nossa volta”.

Gilberto Gil lembrou que o Brasil já passou por momentos semelhantes em sua história. “Passamos por momentos parecidos sempre em busca da autonomia, o bem maior do nosso povo”, afirmou. 

De estudantes a aposentados

A servidora pública federal aposentada Regina de Brito, de 68 anos, foi uma das primeiras a chegar, para ficar bem perto dos cantores do ato musical. Ela disse ser muito importante apoiar o movimento contra os que tentaram planejar um golpe no país.

“Eu fui criada na ditadura militar. Sei como era isso. Esses caras acabaram de ser condenados, nem estão cumprindo pena e já querem anistia? E esse Congresso vilão, da direita, em vez de votar pautas do povo, como a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil, é um Congresso que não pensa no povo em nenhuma instância, só pensam no próprio umbigo”. 

 


Rio de Janeiro (RJ), 21/09/25 - Ana Regina Brito, engenheira aposentada, participa de protesto contra a PEC da Blindagem e PL da Anistia na orla de Copacabana. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Regina Brito (de azul), engenheira aposentada, participa de protesto contra a PEC da Blindagem e PL da Anistia na orla de Copacabana.Tânia Rêgo/Agência Brasil

O estudante da rede pública estadual de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Caio dos Santos, de 16 anos, contou estar no ato por achar muito importante a movimentação do povo brasileiro contra “o desserviço à população feito pelo Congresso Nacional”.

“Acho que essa PEC da Bandidagem é um total desrespeito com a nossa cara. O povo brasileiro não pode assistir calado o que estão fazendo. Eu, como estudande da rede pública, tenho obrigação de ser contra pessoas como o Bolsonaro, que só torcem para o mal da educação, da saúde. Não adicionam nada de bom à nossa população, à nossa sociedade”, criticou.

“Do que eu estudo da ditadura, eu tento espalhar essa consciência entre meus amigos para o não retorno da extrema-direita e para a consciência na hora do voto”, acrescentou Caio. 

 


Rio de Janeiro (RJ), 21/09/25 - Caio Júlio Peres participa de protesto contra a PEC da Blindagem e PL da Anistia na orla de Copacabana. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Caio dos Santos, de 16 anos, foi de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, para o protesto em Copacabana Tânia Rêgo/Agência Brasil

Acompanhado da esposa, o policial penal aposentado Edson Enio Martins Tonnel, de 75 anos, também chegou cedo ao ato para protestar contra a Câmara dos Deputados.

“Se a gente não reagir, a Câmara vai se tornar um antro de bandidos. Eu acho que, essa PEC, o Senado deve barrar. Qualquer bandido vai se candidatar, vai ser deputado e piorar a situação. O crime vai para Brasília mais do que já está. Independente da nossa idade, cada um tem que colaborar para o bem do Brasil, da nossa família. Que o Bolsonaro apodreça na cadeia, quem fez o que fez em Brasília tem que pagar”. 

 


Rio de Janeiro (RJ), 21/09/25 - Edson Enio Martins, participa de protesto contra a PEC da Blindagem e PL da Anistia na orla de Copacabana. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O policial penal aposentado Edson Enio Martins Tonnel, de 75 anos, no protesto em Copacabana Tânia Rêgo/Agência Brasil

Com os amigos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica, a estudante de arquitetura Letícia Rocha, de 20 anos, afirmou que a história não pode se repetir. ” A gente não pode esquecer nunca do passado. Uma vitória que a gente teve foi a condenação do Bolsonaro”. 

 

Agência Brasil

Tempestades atingem Região Sul neste domingo

A Região Sul do Brasil foi atingida por tempestades neste domingo (21). O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) divulgou alertas de grande perigo de vendaval, tempestade e acumulado de chuva em municípios dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.

Até as 9h desde domingo, houve um acumulado de chuva de 95,4 mm em Santa Maria; 94,2 mm em Alegrete; 90,0 mm em Tupanciretã e 76,8 mm em Santiago; todos municípios do Rio Grande do Sul. Nas cidades de Soledade (RS), Quaraí (RS), Dois Vizinhos (PR), Lagoa Vermelha (RS), Cambará do Sul (RS) e São Gabriel (RS) registraram rajadas de vento entre 70km/h e 98 km/h.

Próximos dias

Na segunda-feira (22), de acordo com o Inmet, há previsão de tempestades no centro e sul de Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Isso ocorre devido ao avanço de uma frente fria pelas regiões Sudeste e Centro-Oeste. Na Região Sul. As chuvas persistem em Santa Catarina e Paraná. Já no Rio Grande do Sul, essas chuvas se concentram no norte do estado.

Já na terça-feira (23), a temperatura deve cair em toda Região Sul, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Além disso, pode ter geada fraca em regiões de Santa Catarina e Paraná.


Agência Brasil

Multidões ocupam capitais contra anistia e PEC da Blindagem

Milhares de pessoas foram as ruas das capitais do Brasil neste domingo (21) para protestar contra a anistia aos condenados por tentativa de golpe de Estado e a chamada PEC da Blindagem, que prevê exigência de autorização do Congresso para processar criminalmente deputados e senadores. 

Foram registradas multidões nas ruas de grandes cidades como Salvador, Recife, Natal e Belo Horizonte, Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. Ao todo, 33 cidades tiveram atos, incluindo todas as capitais.

Com o mote “Congresso Inimigo do Povo”, os manifestantes exigiram a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, entre outros crimes.

>> Milhares marcham no DF contra anistia a golpistas e PEC da Blindagem

 


Brasília (DF), 21/09/2025 -Organizações e movimentos sociais realizam atos contra o projeto de Anista aos golpistas de 8/1 e a PEC da Blindagem, que busca dar ao congresso a prerrogativa de autorizar abertura de processos contra parlamentares.  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Manifestantes levaram cartazes à Esplanada dos Ministérios, em Brasília Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em Salvador (BA), milhares de pessoas se concentraram no bairro da Barra, na beira da praia, onde a cantora Daniela Mercury se apresentou para o público. “Bandidagem não é com a gente”, disse a artista baiana.

O ato contou ainda com o ator Wagner Moura, que também cantou, além de elogiar o julgamento da trama golpista que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.

“Eu fiquei com vontade de falar só do momento extraordinário pelo qual passa a democracia brasileira, que é exemplo para o mundo inteiro. A gente que sempre cresceu dizendo que nossa democracia é frágil, que ela é jovem. Nossa democracia botou para ‘lenhar’ [para quebrar]”, disse Wagner Moura.

Em Belo Horizonte (MG), uma multidão ocupou as ruas do centro da cidade, em concentração na Praça Raul Soares, com gritos de “sem anistia para golpistas”. O ato também contou com apresentação de artistas, entre elas, a cantora Fernanda Takai, da banda Pato Fu.

Em Recife (PE), o ato começou por volta das 14h, na Rua da Aurora, no centro da capital pernambucana, com o desfile do bloco de frevo Eu Acho é Pouco, com uma das mais tradicionais orquestras do carnaval de Olinda. Grupos de maracatu também marcam presença no ato.

A capital paraibana João Pessoa (PB) também fez um protesto nesse domingo, com gritos de “Fora, Hugo Motta”, que é um deputado federal paraibano e preside a Câmara dos Deputados. O parlamentar foi um dos principais alvos dos protestos pelo seu papel de pautar a votação que aprovou a PEC da Blindagem na Casa.

Também foram registrados atos em Belém (PA); Teresina (PI); Natal (RN); Fortaleza (CE); Porto Alegre (RS); Florianópolis (SC); Brasília (DF); Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). 

Convocados pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligados ao PSOL e PT, as manifestações contaram com a presença de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais, como MST e MTST, além de outros partidos de esquerda e centro-esquerda.

 

Agência Brasil

Canadá, Reino Unido e Austrália reconhecem o Estado Palestino

Os Primeiros-Ministros do Reino Unido, Keir Starmer; do Canadá, Mark Carney; e da Austrália, Anthony Albanese, reconheceram formalmente o Estado da Palestina neste domingo (21). Os posicionamentos dos três tradicionais aliados dos Estados Unidos foram divulgados nas redes sociais e condenaram as ações de Israel em Gaza, que mataram dezenas de milhares de pessoas, muitas delas civis inocentes. 

Os comunicados também não deixaram de responsabilizar o Hamas pelo ataque de outubro de 2023, quando centenas de pessoas foram mortas ou capturadas em uma festa em Israel, nas proximidades da fronteira com a Faixa de Gaza. Todos deixaram claro que o Hamas não deve ter participação no Estado da Palestina.

As declarações dos três países ocorrem na vésperas da Assembleia Geral das Nações Unidas. A reunião de líderes dos países da Organização das Nações Unidas (ONU) acontece em Nova York.

Na segunda-feira (22), acontecerá a segunda sessão da Confederação Internacional de Alto Nível para Resolução Pacífica da Questão Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados, convocada pela França e pela Arábia Saudita.

Canadá

Em pronunciamento, o premiê, Carney, afirmou que a solução de dois Estados é apoiada por todo governo canadense desde 1947, mas lamentou os episódios que enfraqueceram essa possibilidade ao longo dos anos. Entre eles, as ameaças do Hamas contra o povo israelense, que culminaram no ataque de 7 de outubro de 2023, bem como o que chamou de “contribuição do governo de Israel para o desastre humanitário em Gaza”.

Carney também lembrou que Israel tem impedido a entrada de comida e outros artigos humaniários essenciais aos palestinos. Informações de autoridades de saúde de Gaza apontam que os ataques de Israel já causaram a morte de 65 mil palestinos na região.

Ao mesmo tempo em que responsabiliza o Hamas por “aterrorizar o povo de Israel e oprimir o povo de Gaza”, o Canadá considera que o governo de Benjamin Netanyahu tem trabalhado para evitar que um Estado Palestino se estabeleça. E, entre essas ações, está a expansão de assentamentos na Cisjordânia. “O que é ilegal sob as leis internacionais”, afirma.

“É nesse contexto que o Canadá reconhece o Estado da Palestina e oferece nossa parceria em construir a promessa de um futuro pacífico para ambos, o Estado da Palestina e o Estado de Israel. O Canadá faz isso como parte de um esforço internacional coordenado para preservar a possibilidade de uma solução de dois Estados”.

Reino Unido

“Hoje, para reviver a esperança de paz e de uma solução de dois Estados, eu declaro, como Primeiro-Ministro deste grande país, que o Reino Unido reconhece formalmente o Estado da Palestina”, disse Starmer, em um vídeo divulgado nas redes sociais.

Ele também afirmou que israelenses e palestinos merecem viver em paz e reconstruir suas vidas sem medo e sofrimento.

“Diante de um horror crescente no Oriente Médio, estamos agindo para manter viva a possibilidade de paz e de uma solução de dois Estados. Isso significa Israel seguro, junto com um Estado Palestino viável. No momento, não temos nenhum dos dois. Pessoas comuns, israelenses e palestinos, merecem viver em paz, para tentar reconstruir suas vidas livres de violência e sofrimento. É isso que o povo britânico quer desesperadamente ver”.

Starmer não poupou críticas ao Hamas e ao ataque de outubro de 2023: “Vamos ser francos, Hamas é uma organização terrorista brutal”. Ele lembrou que ainda existem vítimas daquele ataque mantidas como reféns e que cadáveres sequer foram devolvidos às famílias em Israel. “Os reféns devem ser soltos imediatamente. E nós continuaremos lutando para trazê-los para casa”.

Por outro lado, o Primeiro-Ministro do Reino Unido denunciou o aprofundamento da crise humanitária em Gaza e responsabilizou o governo de Israel pelos ataques no território. “Dezenas de milhares foram mortos, incluindo milhares de pessoas que tentavam coletar comida e água. Essas mortes e destruição horrorizam todos nós. Isso precisa acabar”.

Austrália

“A Austrália reconhece a aspiração legítima e antiga do povo da Palestina de um Estado próprio. O reconhecimento da Palestina hoje, junto com o Canadá e o Reino Unido, é parte de um esforço internacional coordenado de construir um novo momento de uma solução de dois Estados, começando com o cessar-fogo em Gaza e a libertação dos reféns capturados nas atrocidades de 7 de outubro de 2023”, afirmou Albanese, em nota.

Ele ainda destacou o papel “vital” da Liga Árabe e dos Estados Unidos para tornar viável o Estado Palestino.

Em maio de 2024, Espanha, Noruega e Irlanda divulgaram uma decisão conjunta, reconhecendo o Estado Palestino. O Brasil foi um dos primeiros países na América Latina a assumir essa posição, em 2010. Na ocasião, o país reconheceu o Estado da Palestina nas fronteiras de 1967, o que inclui a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital.

Agência Brasil

Milhares marcham no DF contra anistia a golpistas e PEC da Blindagem

Milhares de pessoas marcharam neste domingo (21), na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para protestar contra os projetos da anistia aos golpistas e da blindagem de parlamentares. A passeata ocupou as seis faixas do Eixo Monumental.

Sob sol forte, a multidão seguiu em marcha atrás de um pequeno trio elétrico, após uma batalha de rimas e discursos de lideranças políticas do Distrito Federal (DF).

O trajeto de cerca de 1,5 quilômetro foi até a frente do Congresso Nacional, onde o cantor e compositor Chico César encerrou o ato cantando alguns de seus sucessos. O ato ocorreu das 9h às 14h. 

Com o mote “Congresso Inimigo do Povo”, os manifestantes gritavam “sem anistia”; “queremos Bolsonaro na cadeia”, pedindo o cumprimento da condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão. A pena foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a culpa de Bolsonaro e aliados na trama golpista que tentou reverter o resultado das eleições de 2022 e culminou nos atentados à Praça dos Três Poderes, em 8 de janeiro de 2023.

Os cartazes traziam ainda dizeres como “sem bandidagem”, em referência a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) apelidada pelo ato de “PEC da Bandidagem”, também conhecida como PEC da Blindagem ou das Prerrogativas. Segundo a proposta, a abertura de processos judiciais e investigações contra parlamentares precisará ser aprovada pela maioria das próprias casas legislativas.

 


Brasília (DF), 21/09/2025 -Organizações e movimentos sociais realizam atos contra o projeto de Anista aos golpistas de 8/1 e a PEC da Blindagem, que busca dar ao congresso a prerrogativa de autorizar abertura de processos contra parlamentares.  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Marcha percorreu o Eixo Monumental, na Esplanada dos Ministérios – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Indignação

A bancária Keyla Soares, de 42 anos, contou à Agência Brasil que ficou indignada com a proposta que exige autorização prévia do Parlamento para processar criminalmente deputados e senadores.

“É uma sem vergonhice. É ofensiva essa PEC. Eles só trabalham em defesa deles mesmos. O Brasil tem que se unir contra isso. Estamos lutando também pela democracia”, comentou.

O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), foi um dos principais alvos dos manifestantes em cartazes como “Motta Capacho”; “Centrão ladrão”; “PCC: Primeiro Comando do Congresso”. Como presidente da Casa, Motta é o responsável por definir a pauta de votações e incluiu a PEC e a anistia na programação da última semana.

A estudante Sara Santos, de 26 anos, disse que a PEC é um absurdo e ficou sem acreditar quando soube da aprovação. Para ela, os parlamentares apenas querem se proteger da Justiça. A estudante também criticou o PL da anistia.

“Depois de tudo que a gente viveu com a ditadura militar, não podemos aceitar anistia contra quem atacou a democracia e tentou dar um golpe de Estado”, justificou.

 


Brasília (DF), 21/09/2025 - Sara Santos participou de ato contra o projeto de Anista aos golpistas de 8/1 e a PEC da Blindagem, que busca dar ao congresso a prerrogativa de autorizar abertura de processos contra parlamentares.  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Sara Santos participou de ato contra o projeto de Anista aos golpistas de 8/1 e a PEC da Blindagem Marcelo Camargo/Agência Brasil

A delegada aposentada Maria Lúcia de Souza, de 62 anos, afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro, “desde o primeiro dia do governo dele”, queria dar o golpe para se perpetuar no poder.

“Estão subestimando nossa inteligência. Acha que somos burros. Na semana que saem notícias de suposto envolvimento do Rueda [presidente do União Brasil] com o PCC, eles aprovam essa PEC da Bandidagem. Estou revoltada”, disse.

Maria Lúcia se refere à veiculação de reportagens que apontam uma suposta conexão entre o presidente nacional do partido União Brasil, Antonio Rueda, e a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Rueda e o partido negam as acusações.

Para o servidor público Albert Scott, de 47 anos, não tem que ter anistia para quem planejou e financiou tentativa de golpe de Estado e defendeu “resgatar nossa bandeira” e “nossas cores verde e amarela”, que foram “sequestradas” pela extrema-direita.

“É inaceitável. É um retrocesso essa PEC. Eles só votam por eles mesmos para se proteger da Justiça. Isso é absurdo”, disse.

 


Brasília (DF), 21/09/2025 -Organizações e movimentos sociais realizam atos contra o projeto de Anista aos golpistas de 8/1 e a PEC da Blindagem, que busca dar ao congresso a prerrogativa de autorizar abertura de processos contra parlamentares.  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Organizações e movimentos sociais realizam atos contra o projeto de anista aos golpistas de 8/1 e a PEC da Blindagem Marcelo Camargo/Agência Brasil

Protestos em todo o país

Atos contra a anistia dos condenados por tentativa de golpe de Estado e contra a PEC da Blindagem ocorrem em todo o país neste domingo. Ao menos 33 cidades realizam protestos, incluindo todas as capitais.

Convocadas pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ligados ao PSOL e PT, as manifestações contaram com a presença de sindicatos, grupos estudantis, artistas e movimentos sociais, como MST e MTST, além de outros partidos de esquerda e centro-esquerda.

Agência Brasil

Itaipu triplica diversidade florestal nos arredores do reservatório

Além dos procedimentos operacionais e atualização tecnológica para seguir como uma das principais geradoras de energia limpa do país, a usina hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu, no Paraná, mantém uma atividade para garantir a produção de eletricidade pelas próximas décadas: a proteção ambiental.

Na última quinta-feira (18), a hidrelétrica divulgou o resultado de um inventário inédito referente à área de preservação nos arredores do reservatório de Itaipu, localizado na fronteira entre Brasil e Paraguai. O estudo revelou que, em 40 anos, praticamente triplicou a diversidade na faixa preservada.

A pesquisa, realizada entre março e setembro de 2024, identificou 397 espécies de árvores e arbustos, quase três vezes mais que as 139 espécies plantadas originalmente.

Esses dados representam que, o que antes era um cinturão isolado de plantios se transformou em uma floresta com 1,3 mil quilômetros de extensão e 30 mil hectares ─ quase a área de Belo Horizonte (33,1 mil hectares). São 55 mil registros de plantas, de acordo com o levantamento.

O inventário é um convênio entre a usina e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária.

A área vegetal coleciona árvores como angico-vermelho (Parapiptadenia rigida), uma espécie nativa essencial pela quantidade e frequência das ocorrências; ipês de todas as espécies; peroba; jequitibá; e frutíferas de várias famílias, como araticum, jabuticaba, pitanga e gabiroba.

Proteção do reservatório

Itaipu Binacional é uma empresa gerida conjuntamente por Brasil e Paraguai. O diretor-geral brasileiro, Enio Verri, explica que a conservação ambiental é um investimento para garantir a geração de energia elétrica por décadas e mais décadas.

“O investimento em ações como essas, além de tantas outras que protegem nosso lago, ajuda a enfrentar as mudanças climáticas e garantem a disponibilidade de nossa matéria-prima, a água, para que continuemos gerando energia por mais de 190 anos adiante”.

É no Lago de Itaipu, formado no Rio Paraná, onde está a reserva de água que aciona as turbinas geradoras da hidrelétrica.

Em entrevista à Agência Brasil, o gestor do convênio e técnico da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, Luis Cesar Rodrigues da Silva, apontou que é “amplamente conhecido na literatura e cientificamente comprovado” que uma vegetação saudável no entorno de cursos d’água e reservatórios tem função crucial para a produção de água e sua qualidade.

De acordo com Luis Cesar, isso acontece por dois fatores: em um primeiro momento, a vegetação funciona como uma barreira protetiva, evitando que detritos e uma carga grande de sedimentos chegue no reservatório; em um segundo passo, a vegetação contribui para estabilizar o solo no entorno do reservatório, impedindo efeitos de erosão.

“A erosão é um contribuinte forte para diminuir a vida útil do reservatório. Quanto mais sedimento, quanto mais erosão vai para um reservatório, menos tempo de vida a estrutura tem”, detalha.

Papel ecológico

O engenheiro florestal acrescenta que a preservação e a diversidade ambiental têm também um papel ecológico. “Serve de abrigo para uma série de espécies de vegetais e animais, principalmente os insetos, que são polinizadores importantes de culturas agrícolas”, cita.

Ele contextualiza que a faixa de proteção do reservatório é um corredor de biodiversidade, pois está situada entre duas importantes unidades de conservação.

“Ao sul, tem o Parque Nacional do Iguaçu, com toda a sua pujança e fama internacional, e, ao norte, o Parque Nacional de Ilha Grande [na divisa do Paraná e Mato Grosso do Sul], em uma posição estratégica na transição entre Mata Atlântica, Cerrado e Pantanal”.

 


Itaipu triplica diversidade em floresta. Trabalho abrange cerca de 30 mil hectares de mata ciliar entre Foz do Iguaçu e Guaíra (PR). Será o mais completo inventário florestal já realizado por uma usina hidrelétrica. Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional. Foto: Sara Cheida/Itaipu Binacional

Trabalho abrange cerca de 30 mil hectares de mata ciliar entre Foz do Iguaçu e Guaíra (PR) Sara Cheida/Itaipu Binacional

Parceria para inventário

O gestor do convênio explicou à Agência Brasil que, por cerca de 40 anos, Itaipu ─ que começou a ser construída em 1973 ─ se dedicou ao plantio extensivo na faixa de proteção. Agora, é preciso novo direcionamento.

“A gente não tem mais o que plantar. A gente precisa fazer a gestão e verificar se tem algo que a gente pode fazer, alguma oportunidade para melhorar essa vegetação e aproximá-la do que seria uma vegetação nativa”, diz.

Ele completa que a parceria com a Embrapa visa a estabelecer um plano de gestão dessa vegetação protetiva do reservatório pelos próximos 30 ou 40 anos.

“É uma série de estudos que a gente precisa agora, para ter dados para definir um planejamento de atividades de melhoria e de cuidado dessa vegetação para o longo prazo”, projeta.

Benefícios para arredores

A parceria é assinada com a divisão Florestas da Embrapa. A pesquisadora da Embrapa Florestas Maria Augusta Doetzer Rosot disse à Agência Brasil que o maior ganho na região nos últimos 40 anos foi a formação de uma área de preservação permanente nas bordas do reservatório.

“Em função da expansão agrícola no oeste do Paraná, ocorrida na metade do Século 20, essas bordas eram constituídas majoritariamente por áreas de agricultura que necessitavam ser recuperadas para cumprir as funções ecológicas de uma área de proteção”, conta.

Segundo ela, desde a década de 1980, com o enchimento do reservatório em 1982, os plantios de restauração em áreas sem nenhuma cobertura florestal começaram a modificar o ambiente e a prover os chamados serviços ecossistêmicos.

Maria Augusta enfatiza que, além de beneficiar a preservação do reservatório hídrico de Itaipu, a área de proteção levou ganhos para a população de municípios vizinhos.

“Uma vez que a floresta atua como reguladora do clima, protege solo e água, abriga polinizadores e dispersores de sementes, facilitando o fluxo gênico [troca de genes], conserva e, comprovadamente, aumenta a biodiversidade, purifica o ar e retira carbono da atmosfera por meio de sua absorção com o processo de fotossíntese”, descreve.

Ela ressalta ainda que a região conservada oferece proteção e abrigo à fauna, atuando como um corredor ecológico importante, e tem “relevância estética na paisagem, com formato meandrante [curvas acentuadas] ao longo do reservatório e dos rios que ali desaguam, conferindo beleza cênica, que também é considerada um serviço ecossistêmico”.

Próximos passos

A pesquisadora da Embrapa Florestas antecipa que os próximos passos da parceria preveem levantamentos sobre indicadores da qualidade ambiental da floresta, como a atividade enzimática do solo, a abundância de minhocas e diversidade genética de espécies de árvores.

O inventário terá também técnicas de sensoriamento remoto, que inclui uso de drones, para estimar o conteúdo de carbono armazenado na vegetação. Uma liberação menor de carbono na atmosfera contribui para frear o aquecimento global.

Maria Augusta adiantou à Agência Brasil que o principal resultado que se espera alcançar é “um conjunto amplo e robusto de informações obtidas através do processamento e análise de todos esses temas”, de forma a chegar a um plano de gestão florestal “visando a perpetuidade da geração de bens e serviços providos pela floresta”.

 


Foz do Iguaçu (PR), 17/07/2025 - Vista externa com comportas da usina Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Vista externa com comportas da usina Itaipu Binacional. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Produção de energia

Atualmente, Itaipu responde por cerca de 9% do consumo de energia elétrica brasileiro.

No dia 5 de setembro, a hidrelétrica alcançou a marca histórica de 3,1 bilhões de megawatts-hora (MWh) produzidos desde que entrou em operação em 1984.

Para se ter noção, a produção de 3,1 bilhões de MWh é suficiente para abastecer o mundo inteiro por 44 dias ou o Brasil por seis anos e um mês.

Agência Brasil

Congresso tenta recriar PL do Licenciamento Ambiental com emendas

O Congresso Nacional apresentou 833 emendas à Medida Provisória (MP) do Licenciamento Ambiental Especial, editada pelo governo em conjunto com os vetos ao Projeto de Lei (PL) 2.159/2021, chamado por ambientalistas de PL da Devastação. Levantamento do Observatório do Clima (OC) divulgado na quinta-feira (18) mostra que 74% dessas propostas retomam dispositivos rejeitados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e 80% representam retrocessos ambientais.

Com a manobra, parlamentares não precisariam sequer examinar os vetos em sessão conjunta. A estratégia permitiria usar a MP como atalho para reconstruir integralmente o projeto e incluir novos dispositivos sem debate público ou controle social.

O Observatório do Clima destaca algumas das emendas de retrocesso ambiental: retomada da Licença por Adesão e Compromisso (LAC), o “autolicenciamento”; esvaziamento de órgãos técnicos e da participação social; piora da Licença Ambiental Especial ao encurtar etapas e prazos; enfraquecimento da Lei da Mata Atlântica; exclusão de terras indígenas não homologadas, territórios quilombolas não titulados e comunidades tradicionais do processo de licenciamento.

“A participação social precisa ser reforçada, seja por meio de audiência no território ou de forma híbrida. O que não se confunde com a consulta prévia, que também deve ser respeitada. Defendemos a supressão da lista política de empreendimentos estratégicos, que eles sejam ligados a critérios técnicos ambientais transparentes. A lei deve funcionar por ato administrativo, com condicionantes robustos e não como um atalho, uma forma de acelerar o rito processual rigoroso. Ele existe por um motivo, que é para mitigar danos ambientais”, disse Adriana Pinheiro, assessora de incidência política do Observatório do Clima.

O Partido Liberal (PL) foi o que apresentou mais emendas: 25% das que retomam dispositivos rejeitados pelo governo e 30,4% das classificadas como retrocesso ambiental. Os parlamentares do partido afirmam que desejam modernizar e racionalizar os processos de licenciamento ambiental.

Para Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do observatório, a criação da Licença Ambiental Especial representa um risco constitucional.

“Ela dificilmente será aperfeiçoada. Ela não deveria existir. Pode-se aceitar a priorização dos processos considerados pelo governo, o que já ocorre na prática. Mas agilizar empreendimentos com alto potencial de impacto é inverter a lógica estabelecida pela própria Constituição, que nos princípios da ordem econômica prevê tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental”, diz.

“PL da Devastação”

No dia 8 de agosto, o presidente Lula sancionou com 63 vetos o projeto de lei, aprovado pelo Congresso Nacional. O Planalto argumentou que as medidas garantiriam “proteção ambiental e segurança jurídica” e foram definidas após escutar a sociedade civil.

Apoiado pelo agronegócio e setores empresariais, o PL vinha sendo denunciado por organizações ambientalistas e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) como grave retrocesso ambiental.

No mesmo dia, também foi assinada a MP 1.308, que permite licenciamento simplificado para projetos e obras consideradas “estratégicas” pelo governo. Segundo o Observatório do Clima, a modalidade cria atalhos para empreendimentos como a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, a pavimentação de estradas e a liberação de outros projetos que passariam a ser aprovados por decisão meramente política.

O OC recomenda a rejeição integral da MP ou a aprovação de substitutivo com salvaguardas socioambientais. A entidade entende que, ao instituir a modalidade de licenciamento de fase única (em substituição ao processo atual, em três fases e proporcional ao impacto do empreendimento), a MP representa o maior retrocesso ambiental recente do país. Algo que, além dos prejuízos diretos aos ecossistemas, coloca em xeque a imagem que o Brasil quer passar de respeito às convenções climáticas em ano da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro, em Belém.

“O PL é o oposto do que se espera de um país que quer liderar a agenda climática e vai sediar a COP30. Isso fragiliza a credibilidade do Brasil perante parceiros, mercados e o próprio multilateralismo. E está desalinhado com o discurso de se tornar uma potência ambiental e liderar essa discussão”, critica Adriana Pinheiro.

Agência Brasil

Especialistas defendem atenção específica para saúde da pele negra

O médico Thales de Oliveira Rios conta que tinha problemas com oleosidade da pele e acne desde a adolescência. Ao longo dos anos, tentou vários tratamentos, mas não obteve resultado satisfatório e se incomodava muito com as manchas decorrentes das espinhas. Depois de receber um convite especial de um colega dermatologista, o desfecho foi outro:

“Um belo dia, eu resolvi ir ao consultório dele, e a coisa mudou da água para o vinho. Com o tratamento voltado para o meu tipo de pele, os produtos adequados para clarear, o protetor solar certo, em três, quatro meses ficou tudo diferente. Melhorou bastante.”

Thales é um homem negro e, até então, não fazia ideia de que os tratamentos para a sua pele precisavam considerar essa característica como ponto de partida.

“Eu lembro até hoje da primeira consulta, quando ele me mostrou umas imagens de um livro que ele ajudou a escrever, que mostra, por exemplo, a apresentação de certas lesões de pele. Numa pessoa branca, é de um jeito, numa pessoa parda, é de outro, e, numa pessoa de pele preta retinta, é totalmente diferente. A gente não vê isso na faculdade de medicina. Isso está começando a entrar nas discussões do mundo acadêmico há pouquíssimo tempo”, ele acrescenta.

O colega citado é Cauê Cedar, chefe do Ambulatório de Pele Negra do Hospital Universitário Pedro Ernesto. Desde a especialização, Cedar estuda as demandas específicas das pessoas pretas e pardas, que, destaca, são a maioria da população brasileira. Mas os padrões acadêmicos não o ajudavam.

“Os materiais que educam os médicos são majoritariamente feitos com pessoas de pele clara. Então, muitos médicos não têm um treinamento específico para identificar como as condições podem se apresentar na pele negra”.

“E tem algumas especificidades. A pele negra tem mais tendência a manchas, a cicatrização hipertrófica, ou seja, fazer queloide… Tem os cuidados específicos com os cabelos cacheados e crespos. Tudo isso precisa ser treinado. Durante a residência, eu não tive um treinamento específico sobre isso, por mais que fosse uma pauta minha, eu precisava buscar por fora”, conta Cedar.

A indústria de produtos dermatológicos também desmerecia esse público, segundo o especialista. “Há muito tempo, a gente sabe da necessidade de passar protetor solar. Mas os protetores solares com cor nunca se adequavam às tonalidades de pele negra, e os protetores sem cor deixavam a pele das pessoas negras com um fundo esbranquiçado, acinzentado…. Isso diminuía a adesão ao uso. Até que a indústria começou a ver que os negros também consomem e começaram a desenvolver produtos adaptados à diversidade da população”, ele exemplifica.

Avanços

Cedar e outros profissionais negros têm ajudado essa pauta a se firmar também no meio acadêmico. Este ano, pela primeira vez, o Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, principal evento da especialidade, realizou uma atividade exclusivamente sobre os cuidados com a pele negra. Além disso, a regional do Rio de Janeiro da Sociedade Brasileira de Dermatologia acaba de criar um Departamento de Pele Étnica, do qual Cauê Cedar é um dos coordenadores.

De acordo com a presidente da regional, Regina Schechtman, “estava mais do que na hora”. Ela destaca que o departamento visa a melhorar o conhecimento dos profissionais e o atendimento prestado a pessoas de diversos grupos não-brancos, como indígenas e orientais, além das pessoas negras.

“Qualquer médico ou profissional da área de saúde deve acrescentar esse conhecimento a sua prática. A dermatoscopia, por exemplo, que é o exame mais básico que a gente faz, é totalmente diferente em cada tom de pele, e os médicos precisam saber interpretar”, acrescenta.

A presidente da regional do Rio de Janeiro enfatiza que problemas de pele podem afetar muito a autoestima dos pacientes e que o maior órgão do corpo humano também pode trazer alguns perigos.

“Há muitas doenças de pele, e a mais grave delas é o câncer, que também atinge a população negra. Apesar do risco ser maior entre pessoas que têm menos pigmentação, isso não quer dizer que as pessoas negras não precisam se proteger dos danos causados pela radiação ultravioleta”.

Agência Brasil

Carol Santiago é tricampeã mundial dos 100m costas em Singapura

A nadadora Carol Santiago ganhou o primeiro ouro no Campeonato Mundial de Natação Paralímpica de 2025, disputado em Singapura. Na manhã deste domingo (21), na disputa dos 100m costas da classe S12 (baixa visão), ela marcou 1min09s42 e terminou na primeira colocação, o que garantiu seu tricampeonato na prova.

A britânica Ela Letton-Jones foi a segunda colocada, com 1min12s44, seguida por sua compatriota Carroll, com 1min12s97.

O ouro no país asiático foi a 20ª medalha de Carol em mundiais. São 14 ouros, 4 pratas e dois bronzes conquistados em Londres 2019, Ilha da Madeira 2022, Manchester 2023 e Singapura 2025.

Para o mundial deste ano, Carol optou por um programa de provas mais enxuto do que em edições anteriores, e se inscreveu apenas nas três provas em que foi campeã nos Jogos Paralímpicos do ano passado. Além dos 100m costas, Carol ainda nadará os 50m livre e os 100m livre, disputas nas quais é tricampeã mundial.

Mais cinco pódios

Além do ouro de Carol, o Brasil faturou outras cinco medalhas na abertura do evento. Alessandra Oliveira, de apenas 17 anos, também foi campeã mundial. Ela quebrou o recorde nos 100m peito para a classe SB4 com 1min43s21. A melhor marca anterior era da norueguesa Sarah Louise Rung, registrada há 11 anos, em julho de 2014 na Noruega. A medalha de prata foi para a italiana Giulia Ghiretti, com 1min52s47, e o bronze, para a espanhola Berta Garcia Grau, com 1min56s23. Estreante em mundiais, Alessandra é a atleta mais jovem da delegação e começou a praticar o esporte em 2018, na Escola Paralímpica de Esportes do CPB, no mesmo ano em que o projeto foi iniciado.

A mineira Patrícia Pereira levou o bronze nos 50m peito para a classe SB3 com tempo de  57s70. A primeira colocação foi para a italiana Monica Boggioni (53s95), e a segunda para Mira Larionova, dos Atletas Paralímpicos Neutros, com 56s33. Na mesma prova, a fluminense Lidia Cruz ficou na sétima colocação, com 1min02s02.

Outro bronze veio com o carioca Thomaz Matera, nos 50m livre para a classe S11 (cegos), com tempo de 26s11. O ouro foi para o tcheco David Kratochvil, com 25s52, e a prata, para o espanhol Mahamadou Dambelleh Jarra, com 25s88. O terceiro bronze do dia foi de Samuel Oliveira, nos 50m livre da classe S5 (comprometimento físico-motor). O atleta completou a prova em 31s67. O ouro foi para o chinês Jincheng com 30s11, e a prata para o ucraniano Artem Oliinyk, com 31s41.

A delegação nacional também foi premiada com a prata do paulista Gabriel Bandeira, nos 200m livre para a classe S14 (deficiência intelectual), com o tempo de 1min52s03. O ouro foi para o britânico Ellard Willian Ellard, que estabeleceu um novo recorde mundial da prova, 1min51s08. Já o bronze ficou com o canadense Nicholas Bennett (1min53s97).

Brasil em Singapura

A delegação do Brasil no Campeonato Mundial de Singapura, que vai de 21 a 27 de setembro, conta com 29 nadadores. São 16 homens e 13 mulheres, oriundos de sete estados (MG, PA, PE, PR, RJ, SC e SP).

No último Mundial da modalidade, Manchester 2023, na Inglaterra, o país subiu 46 vezes ao pódio, conquistando 16 medalhas de ouro, 11 de prata e 19 de bronze. O país ficou na quarta colocação no quadro de medalhas, atrás de Itália, Ucrânia e China. A melhor campanha do Brasil na história dos Mundiais de natação paralímpica foi registrada na Ilha da Madeira, em Portugal, em 2022. O país encerrou a disputa com 53 medalhas ─ 19 de ouro, 10 de prata e 24 de bronze ─ e a terceira colocação do quadro de medalhas do evento.

 

Agência Brasil

scroll to top