Um vendedor de amendoim está se tornando uma figura icônica na cidade de Castro Alves, e não é apenas pelo saboroso petisco que ele oferece. Marcos Aurélio, carinhosamente conhecido como Tiozinho do Amendoim ou Amendoranha, de 45 anos, tem chamado a atenção ao percorrer o centro da cidade vestido como o famoso super-herói Homem-Aranha, trazendo alegria para as crianças e atraindo clientes.
Apesar do calor e do esforço necessário para usar uma fantasia que cobre seu corpo da cabeça aos pés, acompanhada de tênis, uma mochila nas costas e uma cesta de amendoins, Marcos encara diariamente o desafio para sustentar sua família e levar diversão aos pequenos.
Além de buscar o sustento diário, Amendoranha tem grandes planos para o futuro. Seu objetivo é construir sua própria casa, pois atualmente mora em uma residência que pertence a herdeiros. Mas antes disso, ele tem um sonho nobre: criar uma ONG destinada a ajudar crianças carentes e suas famílias em Castro Alves.
Com uma família constituída, sendo pai de cinco filhos e avô de dois netos, Marcos espera continuar fazendo sucesso e atraindo novos clientes com sua característica fantasia. Sua determinação em vender amendoins enquanto encanta a todos com o traje do Homem-Aranha é um exemplo de criatividade e empreendedorismo, demonstrando que é possível fazer a diferença na comunidade, mesmo em uma atividade cotidiana como a venda de alimentos.
O chamado São João raiz está cada vez mais difícil de ser celebrado. Com o surgimento das festas nas praças das cidades, a partir dos anos 90, os encontros com familiares e amigos foram ficando cada vez mais raros. Em Elísio Medrado, porém, a sanfona, zabumba e o triângulo ainda soam fora do palco. Isso graças ao esforço de um grupo que, há 20 anos, faz a festa junina ‘de porta em porta’.
Tudo começou através dos irmãos Ederlan e Willian Silva, que, preocupados em não deixar a tradição morrer, resolveram chamar amigos para tocar instrumentos e passar em casas de Elísio Medrado, cantando, bebendo e comendo, em uma folia jenuinamente junina. “Reuníamos umas 20 pessoas e saíamos de casa em casa para revivermos o São João de antigamente. Quando a gente passava na frente das casas, muitas pessoas nos convidavam para entrarmos. Aí a gente cantava ‘ô dona de casa, por Nossa Senhora, dá-me o que beber senão eu vou embora'”, relembra Ederlan, mais conhecido como Dedéu.
Só que o carisma e a animação do grupo de amigos não foram suficientes para convencer uma dona-de-casa, certa vez. “A gente ia passando na rua e o esposo dessa pessoa nos convidou para entrarmos na casa dele, mas a mulher ficou um pouco chateada e incomodada. Quando a gente estava cantando um forró, o professor Renilton gritou: ‘chamou porque quis!'”, disse Dedéu.
A ‘indireta’ de Renilton ficou “martelando” na cabeça de Dedéu, que, alguns anos após a situação, foi morar em Feira de Santana, onde fundou a banda de forró Xamô Pq Quis, juntamente com Willian.
Este ano, pela segunda vez na sua longa história, o encontro dos amigos vai ‘abraçar’ o público geral, assim como foi em 2022. Na edição passada, após mensagens no WhatsApp, uma multidão seguiu a sanfona, o triângulo e zabumba, do Estádio Municipal até a Praça Gil Procônio Lapa.
No próximo dia 24 de junho, são esperadas muito mais pessoas no “Arrastão da Xamô no Paraíso”. A concentração será novamente na frente do Estádio, a partir das 15h. “Se quiser levar sua bebida, leve. Vá vestido ou vestida como quiser. Como dizem os mais idosos, se ‘aprochegue’ e venha se divertir com a gente, com um clima leve e bastante descontraído”, convidou Dedéu, ciente de que agora não dá mais para entrar nas casas, afinal só um campo de futebol, por exemplo, para abrigar um grande público.
Não há erro algum em afirmar que Willian Almeida é quem mais conhece o Suba 100. Além de ter participado de todas as seis edições da competição de ciclismo, realizada em Santa Teresinha, ele também é um dos criadores de alguns percursos do circuito da prova.
O ciclista de Santa Teresinha, inclusive, foi um dos idealizadores de um dos pontos mais técnicos do Suba: a Descida das Trevas, localizada no Voo Livre. “Criei essa trilha juntamente com Manoel Souza, dono do Bike Park Santa Teresinha. Vamos estar passando por ela amanhã (27). É uma descida muito famosa e a mais técnica da região”, explicou.
Willian criou outros trechos utilizados pela organização do Suba 100. É dele também a tarefa de cuidar da manutenção. Ele quem limpou todas as trilhas do circuito de Santa Teresinha. “Limpei a Trilha Rock Garden, o Equinox, a Beira da Linha e a Trilha das Pinturas Rupestres. Está tudo organizado para os competidores não terem problema”, disse.
Tanta intimidade com o circuito do Suba tornou Willian um guia oficial. Antes da competição, atletas vêm a Santa Teresinha para conhecerem o local de prova e recorrem a ele para guiá-los. Isso ocorre desde 2016.
Pódios
A relação de Willian com o Suba 100 é como se fosse entre um filho e sua mãe. Através da competição, ele fez muitos amigos e portas se abriram. “Minha vida mudou, de 2015 para cá”, orgulha-se em dizer.
E a mamãe Suba tem sido generosa com seu filho que a cuida com muito carinho. Das seis edições passadas, ele subiu ao pódio em quatro, sendo que três foi formando dupla com outro competidor. Em 2017 foi segundo colocado; em 2018, vice-campeão; já em 2019, veio o primeiro título, ao lado de João Vitor Oliveira.
Após a pausa em 2020 e 2021, por causa da pandemia de covid-19, o Suba 100 retornou em 2022, quando Willian Almeida resolveu competir na categoria individual Sub 30. Depois de não fazer uma boa prova, no primeiro dia, no segundo ele teve uma boa recuperação e terminou em segundo lugar na classificação geral.
Amanhã (27) e domingo (28), Willian tentará seu primeiro título, novamente na categoria Sub 30. Ele diz estar muito mais confiante para fazer o melhor tempo nos 80 quilômetros, no primeiro dia, e nos outros 85, no segundo. “Estou muito mais treinado do que qualquer outro ano que fiz a prova. Faz um ano que estou treinando direto, por causa da ajuda do FazAtleta e do Varejão. Acredito muito que vai ser meu melhor Suba 100. Estou com uma bagagem muito boa de treinos e competições. Vou em busca do meu primeiro título e conto com a torcida de todos”, finalizou.
Quando subir ao palco principal do Suba 100, em Santa Teresinha, o cantor Stéfano Lemos estará fazendo sua estreia em um dos maiores eventos da região. Mas nada que cause espanto ao filho de uma indígena e com trajetória de alguns anos na música.
O Índio Mais Apaixonado do Brasil, como se intitula, está acostumado a rodar a Bahia para se apresentar, desde muito jovem. Ele começou na música em Salvador, tocando teclado. “Um dia eu achei um panfleto, na rua, que indicava alguns passos para iniciantes que estavam aprendendo a tocar teclado. Aquilo me chamou atenção, então fui pegando o instrumento emprestado e até alugava para ir aprendendo”, lembrou.
E assim ele agiu até ir juntar dinheiro para comprar seu primeiro instrumento. Com teclado próprio nas mãos, foi se apresentando em eventos familiares e barzinhos. A voz ficava a cargo de outras pessoas, as quais ele diz que trouxeram mais problemas que soluções. Foi assim que, um dia, ele teve que tocar e cantar. “Nos contrataram para uma confraternização e o cara que cantava comigo chegou bêbado demais e teve que ir para o hospital tomar glicose. Como as pessoas já haviam nos pagado, eu tive que cantar”, lembrou, aos risos.
E desse fatídico dia para frente, o filho de dona Maria de Fátima, uma indígena da etnia Munduruku, do Pará, passou a acumular a função de tecladista e vocalista. Então, começou a estudar técnicas de canto para se aperfeiçoar. Durante muito tempo, contou com a ajuda da esposa, Larissa, com quem é casado há dez anos e o acompanhou pelos palcos da vida, ajudando a montar e desmontar equipamentos.
Nestes anos de carreira, Stéfano morou em 11 cidades e o próprio diz ser um “nômade da música”. Onde chegava para fazer um show, as pessoas aprovavam o trabalho e, às vezes, fechavam agenda para três meses, o que o obrigava a morar por um tempo no lugar. Recentemente, o Índio residiu em Santo Antônio de Jesus e hoje está em Elísio Medrado, de onde toca sua carreira em parceria com a Dezessete Produções, comandada por Pedro Henrique.
Stéfano também levou duas irmãs para a música. Na companhia de Gisele e Stefany, fundou o projeto eu e elas, quando morava em Saubara. “Rapaz, lembro com muito orgulho dessa época. Onde a gente ia, o público gostava demais. Quando a gente começou a emplacar e ganhar um dinheirinho bom, as meninas desistiram”, lembra ele, rindo da situação.
Ele também fez parte de algumas bandas de forró, uma delas, inclusive, pertencente a Gilton Andrade, fundador das bandas Calcinha Preta e Mulheres Perdidas.
Suba 100
O show de Stéfano Lemos, no Suba 100, será no domingo (28), quando também se apresentarão os artistas Iguinho e Lulinha, Vitor Fernandes, Devinho Novaes e Berg Ribeiro.
Sobre a expectativa para sua apresentação, ele é enfático: “vamos sacudir tudo lá na praça. Vai ser a primeira vez, de muitas, se Deus quiser. O repertório já está montado, daquele jeito. Vai ter arrocha, sertanejo, forró e músicas de vaquejada, que a galera aqui da região aprecia muito”, revelou.
“Me manda uma mensagem antes de ligar, por favor”. Essa foi a frase dita pelo ciclista Kennedi Lago, ao dar sinal positivo para o pedido de entrevista feito pela reportagem do i75. Compreendemos o tempo escasso do multicampeão, afinal faltam poucos dias para o Suba 100 e a dedicação aos treinos é fundamental para quem quer faturar o quarto título na categoria Elite, a principal da competição de ciclismo que será realizada em Santa Teresinha, nos dias 26, 27 e 28 de maio.
Para colocar mais um troféu em sua extensa galeria, o castroalvense quer afastar um certo ‘fantasma’ que o atormentou na edição de 2022. Kennedi sofreu um acidente, na Descida do Melão, no meio da Serra da Jiboia, e teve que abandonar a prova logo no primeiro dia. Ao descer em alta velocidade, sua perna bateu no tronco de uma árvore e ele caiu, com suspeita de fratura no fêmur. “Eu estava liderando, no momento da queda, e isso me deixou mais triste”.
Por ser um local de difícil acesso, onde só motos e bicicletas conseguem trafegar, Kennedi, mesmo machucado, teve que pedalar um pouco mais até um trecho onde uma ambulância do SAMU o aguardava. Levado ao hospital, felizmente os exames descartaram a fratura e apontaram rompimento na fibra muscular.
Ele ficou ‘de molho’ por um período, mas voltou mais forte do que nunca. De maio de 2022 até o atual, conquistou títulos pela Bahia e também em outros estados. No último dia 7, foi campeão da Copa Norte/Nordeste, em Sergipe. Antes, em abril, competindo em meio a atletas de vários países, o castroalvense figurou entre os 10 primeiros da Copa Internacional de Mountain Bike, em Araxá-MG.
Pelo currículo de Kennedi, não há dúvida de que é um dos favoritos ao título do Suba 100. Mas ele é dos que acreditam que apenas currículo não ganha jogo, como dizem os jogadores de futebol. É preciso treinar muito, mas muito, mesmo, para ficar no lugar mais alto do pódio. “Estou fazendo 500 quilômetros por semana, com uma média de três horas de treino por dia, inclusive nos percursos do Suba 100”, explicou ele, que conta com uma equipe composta por coach, nutricionista, preparador físico, cardiologista, psicólogo e fisioterapeuta.
Como o Suba 100 também passa por Castro Alves, Kennedi Lago, campeão da competição em 2015, 2016 e 2017, contará com uma grande torcida, durante os dois estágios da prova – sábado (27) e domingo (28). “Esse ano, a expectativa é brigar pela ponta e trazer a vitória para o povo da minha cidade (Castro Alves) e da região que torcem por mim”, disse ele.
E, em meio aos familiares e amigos, estarão a esposa, Luanne, e a filha, Tauanne, de cinco meses. “No Suba 100 do ano passado ela estava na barriga e agora estará na plateia. É um grande incentivo”, derreteu-se o papai atleta. Nesse momento, mesmo por telefone, pelo tom da voz, percebemos que Kennedi abriu um largo sorriso, com brilho nos olhos, assim como brilham seus muitos troféus.
Mais ventiladores e aparelhos de ar-condicionado ligados, além do aumento da quantidade de água ingerida e de banho por dia. Esse é o resumo do que o calor dos últimos dias causou em toda a Bahia, inclusive em municípios do Recôncavo, Vale do Jiquiriçá e Piemonte do Paraguaçu.
Em Elísio Medrado, por exemplo, os termômetros marcaram, nesta quinta-feira (20), 34 graus com sensação térmica de 39. Nas ruas, os bate-papos tem ocorrido no abrigo de uma boa sombra e, claro, um dos assuntos é o calor. As reclamações também se estendem para as redes sociais, onde ‘chovem’ memes e frases em referência à alta temperatura, que não ameniza nem mesmo à noite.
O i75 foi atrás da resposta para a pergunta que não quer calar: porque está tão quente, já que estamos quase no final de abril e sob o domínio do outono? “O que está ocorrendo é um sistema que chamamos de pré-frontal. Ou seja, há uma frente fria se aproximando e a ação com a massa de ar seca que está sobre o Recôncavo e demais regiões fez com que a temperatura subisse. Esse é o primeiro sistema do ano aqui na Bahia”, explicou a meteorologista Cláudia Valéria Silva, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
Segundo Cláudia Valéria, a frente fria que está chegando ao estado deve trazer chuvas intensas, acompanhadas de raios, trovões e rajadas de vento, para o Sul e Extremo Sul da Bahia, a partir de hoje. No Recôncavo, Vale do Jiquiriçá e Piemonte do Paraguaçu, as precipitações estão previstas no fim de semana, mas em menor intensidade. “Será chuva fraca a moderada. Podem ocorrer descargas elétricas, mas o volume maior será no Sul do estado”, disse.
De acordo com a previsão do INMET, entre sábado (22) e domingo (23), o tempo instável e chuvoso permanece em toda a faixa litorânea da Bahia, incluindo o Recôncavo e Salvador.
Maiores temperaturas
O INMET possui uma Estação de Monitoramento das condições climáticas no Recôncavo baiano, em Cruza das Almas. Foi lá que, na quarta-feira (19), foi registrada uma das maiores temperaturas do estado: 35.2 graus.
No mesmo dia, em Itaberaba, no Piemonte do Paraguaçu, a Estação de Monitoramento local registrou a maior temperatura da Bahia: 38,9 graus. A sensação térmica passou dos 41.
No últimos dias, surgiram boatos de que o tradicional Forró do Piu Piu, que acontece durante o São João de Amargosa, não seria realizado este ano. O evento ocorrerá e já está com data marcada: 24 de junho.
Em contato com o i75, nesta segunda-feira (27), o empresário Marcelo Brito, proprietário da Salvador Produções e também de parte do Piu Piu, garantiu que a festa ocorrerá. “A informação de que o Piu Piu não será realizado não procede. Vamos divulgar [o evento] amanhã [terça, 28]”, informou Marcelo à nossa reportagem.
Questionado sobre atrações e formato do evento, Marcelo Brito não quis dar mais detalhes e disse que tudo será divulgado nesta terça-feira.
A Salvador Produções tem em seu casting, aqui na Bahia, artistas como Léo Santana, Parangolé, Forró do Tico, Timbalada e, recentemente, assumiu a gerência da carreira da banda Kart Love. Além disso, vende shows de Henrique e Juliano, Dorgival Dantas e outros. Algum ou alguns desses nomes podem integrar a grade do Piu Piu.
Em 2022, a festa foi anunciada, inicialmente, com a dupla Henrique e Juliano, que depois foi substituída por Gusttavo Lima.
O prefeito Linsmar Moura assinou, na manhã desta segunda-feira (11), a Ordem de Serviço para a reforma do Mercado Municipal de Elísio Medrado, localizado na Praça Gil Procônio Lapa. A obra será iniciada nos próximos dias.
A reforma está orçada em R$ 552.671,78 e o prazo para conclusão é de oito meses. Serão removidos o telhado e partes da estrutura do prédio.
“Essa obra vai ser executada com recurso estadual e federal. Nessa primeira etapa será utilizado o recurso estadual, que contempla bater laje e estruturar o prédio para implantar o 1º andar, sendo futuramente um Centro Administrativo”, explicou Linsmar.
O prefeito também aproveitou a oportunidade para agradecer ao grupo político pelo empenho na conquista do recurso financeiro. “Agradeço o esforço e comprometimento do governador Rui Costa, do senador Otto Alencar, do pré-candidato a deputado estadual Rogério Andrade e do pré-candidato a deputado federal Ricardo Maia”.
O Mercado Municipal de Elísio Medrado foi construído na gestão do prefeito Moisés Santos, avó paterno de Linsmar. O local já passou por duas reformas. A última foi na gestão de Aloísio Andrade, em 2004, ou seja, há 18 anos.
Não fosse a pandemia causada pelo coronavírus, Elísio Medrado daria início, nesta quinta-feira (23), à edição de número 26 da sua festa de São João. Após as pausas em 2020 e 2021, por causa das restrições causadas pela covid-19, o evento está de volta e será realizado pela 24ª vez. Você sabe como tudo começou e o quanto ele evoluiu?
Era uma noite de junho de 1995 quando o então vereador Domingos Peixoto teve a ideia de fazer um arraiá na Praça Salvador Andrade, em frente à prefeitura. “Eu vim da zona rural, em um caminhão que estava todo sujo de lama. Quando cheguei na cidade, alguns jovens me pediram uma carona para irem para o São João de Amargosa. Eu levei eles e foi aí que pensei: ‘vou ser prefeito e fazer o São João de Elísio Medrado'”, lembra Domingos.
Em outubro do ano seguinte, Domingos Peixoto foi eleito prefeito e, em junho de 1997, cumpriu a promessa feita para si. Embaixo de uma cobertura construída com madeira e coberta com folhas de palmeira, foi realizada a primeira edição do São João de Elísio Medrado.
O então prefeito contratou atrações da cidade e da região do Recôncavo, como fazia a maioria das cidades vizinhas. Para quem nunca havia tido São João na cidade, os shows foram dignos de grandes festivais. Esse foi o sentimento da população na edição de estreia. Se apresentaram, por exemplo, Zé de Belém, Café do Caruso, Otacílio e Banda, entre outros. Nas edições seguintes também teve Liu Sanfoneiro, Tempero da Terra, Claudir Cigano e Quinka dos Oito Baixos.
“Teve um ano que contratamos Quinka para fazer duas horas de show, mas o forró foi tão bom que o povo ficava pedindo mais uma música e ele acabou tocando e cantando por quatro horas”, relata o ex-prefeito.
Nos idos de 97, a internet ainda engatinhava no Brasil e quem possuía o serviço era de forma discada, através da rede de telefonia fixa. A conexão era lenta e instável. Então, sem redes sociais, como era divulgado o São João de Elísio Medrado para atrair o público? Aí entravam em cena o carro de som, os panfletos e os cartazes, que eram colados nos comércios do município. E para quem não tinha transporte para se deslocar da zona rural para a festa, ônibus eram colocados à disposição. Até hoje isso é feito.
Foto: Domingos Peixoto/Arquivo Pessoal
Atrações de maior expressão
Muitos artistas já subiram no palco – e também no trio – do São João de Elísio Medrado. Isso mesmo! Algumas edições do evento foram realizadas em cima do trio elétrico, que ficava estacionado na Praça Salvador Andrade.
Entre 2001 e 2004, sob o comando de Aloísio Andrade, a estrutura do evento teve, digamos, um upgrade, e passou a contar com palco, som e iluminação maiores, além de barracas padronizadas. A ornamentação também ganhou o toque de Mário Campos, artista da cidade. Com relação às apresentações, a prefeitura passou a contratar artistas como Aduílio Mendes (ex-Mastruz com Leite), Canindé, Márcio Moreno e Clone de Mim, ‘febres’ em todo o Nordeste. De 2005 a 2008, Aloísio continou à frente do município e outras grandes atrações passaram por aqui.
“Vimos que o São João de Elísio Medrado tinha grande potencial para atrair o público que queria curtir a festa junina em uma cidade menor, mais segura e mais aconchegante. Pensamos também no retorno financeiro para a economia do nosso município. Por isso passamos a contratar atrações de maior expressão e que estavam no auge de suas carreiras”, explica Andréa Andrade, uma das responsáveis pela organização da festa nas duas gestões de Aloísio Andrade e nos dois primeiros anos de Júnior Andrade.
Na gestão de Everaldo Caldas, entre 2009 e 2012, Cangaia de Jegue, Seu Maxixe, Ademar Furtacor, Tio Barnabé e outras bandas do auge atraíram um grande público. No entanto, em 2010, por pouco a festa de São João não foi cancelada. Uma intensa seca atingia o Nordeste brasileiro, inclusive a Bahia, e após rumores sobre um possível cancelamento, o evento foi mantido em Elísio Medrado.
Com Júnior Andrade na prefeitura, o São João de Elísio continou com fôlego e outras bandas e artistas solo subiram ao palco. Como exemplo, podemos citar Caviar com Rapadura, Canindé, 100 Parêa e Sem Retoque.
Substituto de Júnior na prefeitura, Robson Souza seguiu a linha de atrações renomadas para o São João de 2017 a 2019, com França (ex-Mastruz com Leite), Taty Vaqueira, Canários do Reino e Chambinho do Acordeon.
Pandemia e retorno dos festejos
Você deve ter reparado que, no parágrafo anterior, nos referimos sobre a festa de 2017 a 2019 e pulamos 2020. Se em 2010 houve risco de cancelamento, dez anos depois isso foi inevitável. O São João 2020 foi cancelado por causa da pandemia de covid-19 e a pausa se estendeu até 2021. Este ano, com a maior parte da população vacinada e com baixo número de casos ativos, as cidades voltaram a se enfeitar e contratar as atrações para atrair moradores e visitantes para suas praças.
Em Elísio Medrado, o São João no Paraíso será realizado desta quinta-feira (23) a domingo (26). O prefeito Linsmar Moura trará para a festa atrações como Jonas Esticado, Michele Andrade, Chambinho do Acordeon, Estakazero e França. Jonas Esticado, por sinal, costuma fazer shows em várias partes do Brasil e integra o escritório Balada, que pertence ao sertanejo Gusttavo Lima.
Este ano, o tema do São João de Elísio é “Reencontro da Tradição”. Por este motivo, a grade de atrações é formada, em sua maioria, por bandas e músicos que cantam forró. “Selecionamos atrações que prezam pelo forró. São artistas conhecidos não só aqui na Bahia, mas em grande parte do Brasil. Temos também, no circuito da festa, uma vila que nos remete à Elísio Medrado de outrora, além de uma decoração que torna nossa cidade ainda mais aconchegante para os moradores e visitantes que vão curtir nosso São João”, disse o prefeito Linsmar Moura.
Portas fechadas na zona rural
Para que o São João de Elísio Medrado se consolidasse, as comemorações nas casas da zona rural do município tiveram que abrir passagem para as grandes atrações que se apresentaram e vão se apresentar na Praça Salvador Andrade, cuja cobertura, reinaugurada recentemente, recebeu o nome de José Luiz Almeida da Silva, o Jotinha, que morreu em novembro de 2020, vítima da covid-19.
Era comum, até 1997, a reunião entre vizinhos nos diversos povoados. Enquanto os adultos bebiam licor e dançavam forró na sala da casa, crianças se esbaldavam no terreiro com um saco repleto de bombinhas e outros fogos de artifício. Com o tempo, a tradição foi desaparecendo porque os jovens passaram a buscar diversão na zona urbana. O resultado dessa migração é fogueira acesa, solitária, e portas e janelas fechadas.
De acordo com o historiador Clóvis Ramaiana, a tendência é que o pouco de comemoração que ainda há em alguns povoados do interior baiano, inclusive em Elísio Medrado, vá se acabando, como vem ocorrendo ao longo dos anos. “Para usar a expressão de um velho amigo meu, ‘a roça acabou’. Diminuiu a população. Boa parte das pessoas ou é muito idosa ou muito jovem. Para formar uma sociabilidade, duraria muito tempo”, argumenta.
Quem quiser garantir presença no São João de Santo Antônio de Jesus (SAJ) ou Amargosa e vai viajar de ônibus é melhor se apressar para garantir a passagem. A procura é grande na rodoviária de Salvador e através da internet. Muitos horários já estão esgotados.
Até às 15h desta sexta-feira (10), as duas cidades ostentavam nada mais nada menos que 33 ônibus, que partirão da capital, com lotação máxima.
Sem São João há dois anos por causa da pandemia de covid-19, os baianos estão contando as horas para ouvir e dançar um forró na praça. Por isso, muita gente vem antes de os festejos serem iniciados. Em Amargosa, por exemplo, a festa será iniciada dia 23, mas dois horários da Viação Jauá, dia 21, e outros oito, dia 22, já estão esgotados.
Para o dia do início da festa, 23 de junho, quatro ônibus já estão completos. Ainda restavam algumas vagas para às 7h, 8h, 9h e 16h.
Em contato com a Jauá, que também faz a linha Salvador/Santo Antônio de Jesus, a reportagem do i75 apurou que, para o dia 22, data de início da festa em SAJ, 14 veículos já estão com a carga máxima esgotada. Para dia 23, cinco horários já não estão mais disponíveis.
Elísio Medrado e Castro Alves
Com festejos que vêm crescendo e se tornando mais conhecidos a cada ano, Elísio Medrado e Castro Alves vão receber muitos visitantes durante o São João. As cidades também já possuem horários de ônibus esgotados.
De acordo com a Viação Camurujipe, até às 15h de hoje, o horário de 14h40, dia 21, para Elísio Medrado, só tinha uma vaga. Para dia 22, dois ônibus já estavam cheios. Já para às 14h40 do dia 23, restavam apenas oito poltronas livres. O Forró no Paraíso será realizado de 23 a 26 de junho.
Castro Alves também realizará quatro dias de festa, de 22 a 25 de junho, e o Arraiá do Poeta promete atrair muita gente. Oito horários do dia 22 já se esgotaram e, para 23, um ônibus já fechou sua capacidade.
Vale lembrar que as passagens para as cidades citadas podem ser compradas nos guichês de cada empresa, na rodoviária de Salvador, e através da internet. Para viajar com a Camurujipe, o bilhete pode ser adquirido neste link. Já para a compra com a Jauá, clique aqui.
Aumento de preço
A tarifa das linhas de longa distância do Transporte Rodoviário Intermunicipal foi reajustada e o aumento de 11,61% está valendo desde esta sexta-feira (10).
Segundo a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba), o reajuste é concedido com base na correção de uma cesta de índices, a exemplo da variação do diesel, IPCA e INPC. O último reajuste da tarifa das linhas de longa distância ocorreu em maio de 2021.