Brasil recebe lote de medicamento para tratar câncer de mama no SUS

O Ministério da Saúde recebeu, nesta segunda-feira (13), o primeiro lote do medicamento trastuzumabe entansina, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), em 2022, para o tratamento do câncer de mama. O remédio é indicado para quem ainda continua com a doença após a quimioterapia inicial, geralmente em casos de câncer de mama HER2-positivo em estágio 3, informou a pasta.

Nesta primeira remessa, chegaram 11.978 unidades. Ao todo, serão quatro lotes do medicamento, sendo que as próximas entregas estão previstas para dezembro deste ano, março e junho do ano que vem. Segundo o ministério, os insumos atenderão a 100% da demanda atual pelo medicamento no SUS. Ainda em 2025, 1.144 pacientes devem ser beneficiados.

O medicamento será repassado às secretarias estaduais de Saúde, que farão a distribuição de acordo com os protocolos clínicos vigentes. O investimento total do governo federal é de R$ 159,3 milhões para a compra de 34,4 mil frascos-ampola do medicamento.

O diretor do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, José Barreto Campello Carvalheira, falou à imprensa, no local em que a carga foi recebida, no almoxarifado do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).

“É gigantesco o avanço para a oncologia nacional. É uma medicação que vai reduzir em 50% a mortalidade das pacientes que têm HER2- positivo, que é um tipo de câncer de mama. É uma grande vitória do povo brasileiro. O Ministério da Saúde fica orgulhoso de poder estar fazendo essa entrega hoje dentro do Outubro Rosa”, disse o diretor.

“Nas pacientes que ficam com restos tumorais, no câncer de mama, você pode colocar [esse medicamento] agora à disposição para fazer um novo tratamento. Ele garante 50% de redução de mortalidade, 50% menos recidiva local, é realmente um grande avanço, é diminuição de mortalidade”, explicou.

Segundo Carvalheira, a previsão é que o medicamento chegue aos pacientes já a partir deste mês, até o começo de novembro.

Agência Brasil

Enterro de jovem esfaqueado no DF é marcado por pedido de justiça

“Paralisado” e “atônito” como todos os seus colegas do Colégio Militar de Brasília, Tiago, de 16 anos, saiu da sala em que era velado o corpo do amigo Isaac Moraes da mesma idade. O menino queria respirar um pouco em meio à tanta emoção. Os colegas soltaram balões brancos antes do enterro no Cemitério Campo da Esperança, na região central da capital federal. 

Isaac foi assassinado com uma facada, na sexta-feira (17), depois de tentar recuperar o celular roubado por um grupo de adolescentes, entre as quadras 112/113, na Asa Sul, no Plano Piloto, em uma área considerada nobre da capital. O crime ocorreu perto do Parque batizado de Maria Claudia Del´Isola, jovem assassinada em dezembro de 2004.

O garoto, segundo a investigação e testemunhas, teria sido inicialmente abordado por um grupo de adolescentes que alegou precisar de conexão de wi-fi para fazer uma ligação. Isaac estava jogando vôlei com os colegas.    


Brasília- 19/10/2025 - Em velório do estudante Isaac, em Brasília, colegas soltaram balões brancos. Foto: Luiz Claudio Ferreira/Agência Brasil

Brasília- 19/10/2025 – Enterro do estudante Isaac Moraes foi marcado por emoção. Colegas soltaram balões brancos. Foto: Luiz Claudio Ferreira/Agência Brasil

Os pais do adolescente morto, ambos da área de saúde, estavam consternados e sem condições de conceder entrevistas. O irmão de Isaac, o analista em tecnologia da informação, Edson Avelino, de 28 anos, falou em nome da família. 

“Apesar da idade, Isaac era uma criança muito responsável e amada. Queria estudar na mesma área do que eu”, emocionou-se.

Em resposta à reportagem da Agência Brasil, Edson disse que espera que seja feita justiça e que, mesmo o crime tendo sido cometido por adolescentes deve ter punição

“Em um país em que se vota aos 16 anos de idade, entendo que a pessoa deve pagar pelos seus atos. Comecei a trabalhar com 14 anos com meu pai”. 

Medo

Vizinho da família de Isaac e pai de um adolescente amigo do menino, o auditor Ricardo Montalvão disse que os moradores da quadra estão tomados pela tristeza e medo. Ele disse que o filho também teve o celular furtado recentemente.

Ele reclamou que o atendimento ao menino após a violência teria demorado 30 minutos.

A reportagem da Agência Brasil buscou informações com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal sobre o tema, mas não conseguiu contato

Outro colega de escola, Lucas, de 16, lembra que Isaac era muito divertido e era um dos craques no vôlei da turma do 2º ano.

“Ele brincou comigo um dia antes. Não entendo como isso foi ocorrer. Não caiu a ficha ainda”.

Investigação

O delegado Rodrigo Larizzatti, da Delegacia de Atendimento à Criança e ao Adolescente (DCA), disse que sete adolescentes foram interrogados e três foram apreendidos suspeitos de envolvimento no caso de Isaac. Ele confirmou que os adolescentes se aproximaram fingindo precisar de conexão à internet.

“É uma prática recorrente do grupo para iniciar os roubos. Três deles estavam diretamente envolvidos. Foram apreendidos. Durante a atuação, não demonstraram remorso. Apenas um deles perguntou se a vítima havia falecido”.

De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um adolescente (pessoa entre 12 e 18 anos) que comete um ato infracional equiparado a crime grave, como latrocínio (roubo seguido de morte), pode ser submetido a medida de internação pelo prazo máximo de três anos. Após esse período, o adolescente deve ser liberado ou colocado em regime de semiliberdade ou liberdade assistida.

A liberação obrigatória ocorre aos 21 anos, mesmo que o tempo total de três anos ainda não tenha sido cumprido.

Tramita no Congresso um projeto que amplia de três para cinco ou até dez anos – nos casos mais graves – a internação de adolescentes que cometem atos infracionais. 

Estudos apontam que o roubo é o ato infracional mais cometido por menores de 18 anos, seguido de tráfico e lesão corporal. Os homicídios representam menos de 1% dos casos.

Em geral, os adolescentes que cometem atos infracionais estão abaixo da escolaridade esperada para a idade e muitos deles já nem mais frequentam a escola. Seja por terem sido expulsos da unidade escolar, seja por terem sido obrigados a entrar no mercado de trabalho para ajudar no sustento da família.  

Especialistas sugerem reforço da rede de proteção social e garantia de direitos previstos no ECA para que adolescentes em situação vulnerabilidade não cometam atos infracionais.

Agência Brasil

Todos sabem minha posição sobre mulheres no STF, diz Carmén Lúcia

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Carmen Lúcia evitou fazer um pedido direto ao presidente da República em relação à escolha do novo membro da corte, em razão da aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso. El disse que todos sabem a sua posição em relação à necessidade de mais mulheres no STF, mas que não falaria especificamente sobre o caso. 

“Eu não posso me manifestar por uma coisa que é da minha casa. Se eu fizer um pedido dirigido ao presidente da República, amanhã ele pode pedir alguma coisa à juíza”, disse, na noite dessa quinta-feira (16), no Sesc Pinheiros, na capital paulista, no evento Sempre Um Papo.

“Todos sabem a minha posição sobre a questão das mulheres [no STF], mas não [falo] em específico. Juiz não pede porque não pode receber, na minha compreensão”, acrescentou.

As declarações da ministra foram dadas após ser questionada sobre a possibilidade de a vaga aberta no STF ser ocupada por uma mulher. 

A aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi publicada quarta-feira (15) no Diário Oficial da União. Com a publicação do documento, Barroso deixará o cargo neste sábado (18). Caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicar um novo ministro para a corte. Não há prazo para indicação.

Agência Brasil

Aneel envia equipe ao Paraná para apurar origem de apagão

Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que enviará uma equipe técnica ao Paraná para apurar a origem do apagão que atingiu todas as regiões do país durante a madrugada desta terça-feira (14) 

De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), a interrupção no fornecimento de energia teria sido causado por um incêndio na subestação Bateias, localizada no Paraná.

“A fiscalização da Agência se deslocará ainda hoje para realizar inspeção in loco na subestação afetada e averiguar as causas da interrupção, além disso serão instaurados processos de fiscalização para apurar a responsabilidade dos agentes envolvidos”, diz a nota divulgada pela agência reguladora. 

O ONS informou ainda que a energia foi restabelecida nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste uma hora e meia após a queda. Na Região Sul, o fornecimento foi retomado duas horas e meia depois da ocorrência. 

Problema técnico 

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o apagão foi resultado de um problema na infraestrutura ocasionado pelo incêndio na subestação do Paraná, não tem relação com falta de energia.  

“É importante que a população entenda o que acontece neste momento. Não é falta de energia. É um problema na infraestrutura que transmite a energia. Quando se fala em apagão, a gente sempre lembra aqueles tristes episódios de 2001 e de 2021 que, na verdade, aconteceram por falta de energia e falta de planejamento. Hoje, não. Hoje, nós temos muita energia”, disse em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Agência Brasil

E-sports no JUBs: atletas avaliam prós e contras da profissionalização

Tem torcida, tem disputa, tem final. Os e-sports invadiram os Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) 2025. Na verdade, eles conquistaram um espaço monstruoso em todo país. Como em outros esportes, o sonho de se tornar profissional vem desde pequeno. Pode parecer fácil, trabalhar com seu momento de lazer, mas a rotina de um jogador profissional não é tão simples.

“Acordo oito horas da manhã, a partir das 10h já temos uma preparação. Depois vem o intervalo de almoço. Depois de uma da tarde ate oito horas da noite é treino. Você joga o jogo, reassiste, conversa sobre possibilidades boas e as ruins”.

A rotina é de David Luiz, chamado de Rosa. Ele cursa o terceiro período de Sistemas de Informação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campeã de League of Legends no JUBs 2025. Além de atleta universitário, Rosa é atleta profissional de e-sports. E sabe que está em um momento decisivo da vida.


avid Luiz Rosa, JUBs Natal 2025, E-sports

“É uma carreira que, querendo ou não, não tem muita longevidade, os jogadores profissionais acabam perdendo desempemho por volta dos 24 anos”, pontua David Luiz, estudante do terceiro período de Sistemas de Informação na UTFPR – Celio Júnior/CBDU/Direitos Reservados

“Como jogador profissional, às vezes, você pode tirar um ótimo dinheiro, aproveitar ótimas oportunidades. É uma carreira que, querendo ou não, não tem muita longevidade, os jogadores profissionais acabam perdendo desempemho por volta dos 24 anos. Mas você pode ganhar muito dinheiro, tem jogadores no nosso cenário que ganham cerca de 100 mil reais por mês, os mais famosos. Só que, se eu me arriscar a chegar nesse patamar, eu posso perder um tempo que eu estaria fazendo estágio, estaria me especializando. É aquela balança que pondera para os dois lados. Uma hora você tem que decidir, mas é uma decisão árdua”, pondera David Luiz.

No JUBs os atletas jogam pelo titulo, de forma leve. O foco é você não deixar de lado seus estudos e seu esporte. Mas no ambiente profissional  nem sempre é assim.

 “A partir do momento que você não está se destacando mais, se acabou o seu contrato, você vai rodar. É um cenário que você tem que estar se reinventando, melhorando, aperfeiçoando, para você ter esse potencial para se destacar, para jogar em times grandes. Tem que estar disposto a viver esse sonho, porque tem muita cobrança. Não só do seu time, os times têm muitos fãs. Por exemplo, o time que eu jogava, tinha mais de 3 mil seguidores, e eles cobram”.


Washington Wu, E-sports, JUBs Natal 2025

Washington Wu já foi profissional de e-sports, recebeu convite para jogar no exterior, mas optou por seguir na área acadêmica – Célio Júnior/CBDU/Direitos Reservados

Washington Wu, o Washin, é do time de Luiz no JUBs, a UTFPR Azure Bears. Ele fez o caminho inverso. Já foi profissional, recebeu convites para jogar em um dos maiores centros do mundo, a Coreia do Sul. Mas preferiu outro caminho.

“Com essa jornada de 16, 17 horas de jogo por dia, ficou bem cansativo mesmo. Não consegui acompanhar muito, fiquei para trás e decidi parar. Vou continuar nesse ramo acadêmico, profissional, buscar trabalho, virar um CLT”, projeta Washin.

Virar profissional tão cedo, treinar muito e sofrer pressão de torcida. Para o coordenador de e-sports da Confederação Brasileira do Desporto Universitário (CBDU), Sergio Medeiros, os e-sports precisam ser acompanhados e sempre atualizados.

“Os e-sports são muito desgastantes mentalmente. Então existe o desgaste do próprio jogo e existe a falta de preparação mental, de certa forma, para lidar com o ambiente de pressão”.

A atividade está em constante atualização: há pressão, retorno financeiro, competitividade. Qual caminho escolher? Na duvida, Washingtin Wu tem uma dica.

“Não se deixem afetar por este processo de pressão. Aproveitem a vida que sempre vai haver um caminho para o sucesso”.

* Maurício Costa viajou a Natal à convite da CBDU.

Agência Brasil

“Não foi descuido, foi escolha”, diz Haddad sobre rejeição de MP

A retirada de pauta que levou à medida provisória alternativa à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) a caducar foi escolha deliberada do Congresso para prejudicar os mais pobres, disse nesta quinta-feira (9) o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em postagem nas redes sociais, o ministro lembrou os protestos recentes contra o Congresso e deu a entender que o processo pode se repetir.

“Apesar de muita negociação, ontem o lobby dos privilegiados prevaleceu no Congresso e derrubou essa medida. Não foi descuido, foi escolha. A escolha consciente de tirar direitos dos mais pobres, para proteger os privilegiados. De blindar os mesmos amigos de sempre e forçar cortes contra aqueles que mais precisam do Estado”, disse Haddad.

Como nos últimos dias, o ministro reiterou que a medida provisória, que pretendia elevar a tributação de alguns investimentos e acabar com a isenção de outros, pretendia atingir os mais ricos e as bets (empresas de apostas eletrônicas). Segundo Haddad, a arrecadação de R$ 17 bilhões para o próximo ano seria usada para garantir os investimentos em saúde, educação e previdência social em 2026.

“A medida buscava cobrar o mínimo de bilionários, bancos e betes, uma operação simples e justa. Proteger os direitos daqueles que ganham menos, cobrando a justa parte dos que ganham muito e não pagam quase nada”, comentou.

Protestos

O ministro ressaltou que a medida provisória ajudaria a equilibrar as contas públicas no próximo ano e a bancar parcialmente a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Sem citar diretamente, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que pretendia blindar políticos, derrubada no Senado após protestos, Haddad ressaltou que a população pode ficar indignada novamente.

“Eles, mais uma vez, esqueceram que o povo brasileiro está cada vez mais atento, sabe o que está em jogo e como o jogo é jogado, sabe quem defende o país, quem trai o interesse nacional para proteger familiares e amigos. E é por isso que, mais uma vez, o povo mostrará sua força e dará um basta. O resultado das urnas precisa ser respeitado. E ele foi claro. Incluir o pobre no orçamento e o rico no imposto de renda”, concluiu o ministro.

Alternativas

Nesta manhã, Haddad disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende discutir, na próxima semana, alternativas para recompor o caixa do governo federal em R$ 35 bilhões (R$ 17 bilhões em 2026 e R$ 18 bilhões em 2027). O ministro não descartou a possibilidade de que o governo utilize o pacote de corte de gastos aprovado no ano passado para cortar emendas parlamentares.

Haddad também informou, ao chegar ao ministério nesta quinta-feira, que a derrubada da medida provisória (MP) terá impacto mínimo em 2025. A versão original do texto, no entanto, previa que a MP resultaria em arrecadação de R$ 10,5 bilhões neste ano.

Agência Brasil

Lula sanciona gratuidade em conta de luz para famílias que consomem até 80 quilowatts

A conta de luz gratuita para famílias de baixa renda que consomem até 80 quilowatts-hora (kWh) se converteu em lei definitiva nesta quarta-feira (8), após sanção presidencial da Medida Provisória 1.300/25, que instituiu o programa Luz do Povo. O evento no Palácio do Planalto contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Instituída pelo governo em maio, a MP tramitou por quatro meses no Congresso Nacional, até sua aprovação definitiva, no mês passado. 

A gratuidade deve beneficiar 4,5 milhões de famílias inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) com renda familiar mensal por pessoa menor ou igual a meio salário mínimo. Pelo texto, também recebem a tarifa social as famílias que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de indígenas e quilombolas de baixa renda. Ao todo, serão 60 milhões de pessoas atendidas diretamente pela gratuidade.

A nova tarifa social da energia já estava valendo desde julho, uma vez que MP tem efeito imediato, mas precisava de aprovação do Parlamento para se tornar lei. A partir de janeiro de 2026, para famílias que registrarem consumo de até 120 kWh, os descontos devem chegar a 12% na conta de luz, alcançando cerca de 55 milhões de beneficiários.

Pelo texto, agora convertido na Lei 15.235/2025, a isenção será bancada pela Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo financiado pelo conjunto dos consumidores para sustentar políticas públicas no setor de energia.  

Por outro lado, poderá ser cobrado das famílias outros custos não associados à energia consumida, como a contribuição de iluminação pública e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de acordo com a lei de cada estado ou município.

Entre os itens que ficaram de fora do texto da MP original, por decisão do Parlamento, estão as tarifas diferenciadas por horário e mudança em critérios de preços nas operações de energia de curto prazo.

Vai avançar? Senado decide destino da escala 6×1

O debate sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou novo fôlego em Brasília nesta quarta-feira (8). O projeto de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS) será votado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

O texto, que tem a relatoria do senador Rogério Carvalho (PT-SE), é o último item na pauta de discussão do colegiado.

A expectativa é que a matéria seja aprovada na comissão e siga para a apreciação dos demais senadores no Plenário ainda nesta tarde. A deputada Erika Hilton, que também apresentou uma proposta similar na Câmara dos Deputados, está acompanhando a discussão na sala da CCJ.

Debate amplo prometido

O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), assegura que o tema será amplamente discutido antes da votação final. “Vamos ter audiências públicas para debater exaustivamente este assunto da redução de jornada de trabalho semanal”, declarou o senador baiano.

Nas redes sociais, o autor do projeto, senador Paim, celebrou a iniciativa como “um passo gigantesco na luta pelos direitos de quem trabalha”. Ele ainda destacou: “Trabalhador que descansa é trabalhador que tem escolha e que não se vende. Está pronta para ser votada na CCJ do Senado a PEC 148/2015 para reduzir a jornada de trabalho”. O senador Rogério Carvalho endossou a fala, classificando o dia como “histórico para o Brasil e, sobretudo, para a classe trabalhadora”.

País crescerá 2,4% em 2025, acima da América Latina, diz Banco Mundial

A economia brasileira deve crescer 2,4% este ano, acima da média da América Latina e Caribe (2,3%). A projeção é do Banco Mundial, que divulgou nesta terça-feira (7) mais uma edição do relatório econômico para a região.

Os economistas do Banco Mundial preveem as seguintes expansões para o Produto Interno Bruto (PIB – conjunto de bens e serviços produzidos) brasileiro:​

 

Ano Projeção de crescimento do PIB
2025 2,4%
2026 2,2%
2027 2,3%

As projeções são as mesmas do relatório de junho deste ano. As estimativas ficam acima tanto das do Banco Central (BC) brasileiro, quanto do mercado financeiro aqui no país.

O Relatório de Política Monetária do BC, divulgado no último dia 25, aponta crescimento de 2% em 2025 e de 1,5% no ano que vem.

Já o Boletim Focus, pesquisa do BC com instituições financeiras, divulgado nesta segunda-feira (6), prevê alta do PIB de 2,16% em 2025 e de 1,8% em 2026.

No ano passado, o PIB brasileiro teve expansão de 3,4%.

O Ministério da Fazenda tem projeções mais otimistas, com alta de 2,3% em 2025 e de 2,4% em 2026, de acordo com o Boletim MacroFiscal de setembro.

O relatório do Banco Mundial não traz justificativas específicas para a projeção de todos os países, apenas para a região da América Latina e Caribe como um todo.

América Latina e Caribe

O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional, formada por 189 países. A instituição faz parte do sistema das Nações Unidas e fica sediada na capital dos Estados Unidos, Washington.

O banco multilateral tem como papel conceder empréstimos a países em desenvolvimento para financiar projetos de infraestrutura, saúde, educação e outras áreas.

Para os 29 países da América Latina e Caribe, o Banco Mundial prevê crescimento de 2,3% em 2025 e 2,5% no ano seguinte. A estimativa de 2025 é a mesma do relatório de junho. Já a de 2026 fica 0,1 ponto percentual acima. Em 2024, América Latina e Caribe cresceram 2,2%, assinala o Banco Mundial.

Ao separar as projeções por países, a Guiana se destaca, com 11,8% de expansão do PIB este ano e crescimentos superiores a 20% nos anos seguintes: 22,4% em 2026 e 24% em 2027. A explicação está no pujante setor petrolífero.

Recentemente a Guiana mergulhou na exploração de petróleo na Margem Equatorial, região geográfica próxima à Linha do Equador, também desejada pela Petrobras.

Depois da Guiana, o maior crescimento previsto é da Argentina, 4,6% em 2025 e 4% no ano que vem. Apesar do destaque, a projeção é um recuo em relação ao relatório de junho (5,5% em 2025, 4,5% em 2026).

“A Argentina continua apresentando uma recuperação econômica notável após dois anos consecutivos de contração, embora desafios profundos ainda persistam”, ressaltam os economistas.

Os piores números são da Bolívia, com previsão de três anos de queda no PIB, sendo -0,5% este ano, -1,1% em 2026 e -1,5% em 2027.

Razões para a região

De acordo com o Banco Mundial, a América Latina e o Caribe têm o ritmo mais lento entre as regiões globais. Entre as explicações, os especialistas da instituição apontam questões externas e internas.

Nas externas, estão a desaceleração da economia global e queda no preço de commodities (matérias-primas comercializadas em grande escala e preços internacionais). Países como o Brasil, Chile, Venezuela e Bolívia são grandes exportadores de commodities.

No cenário interno, os economistas apontam a política monetária (combate à inflação), que funciona como um freio na economia. Outros pontos citados são baixo nível de investimento, “tanto público quanto privado”, e “persistente falta de espaço fiscal”, ou seja, governos com limitação dos gastos públicos.

“Esses desafios apenas reforçam a relevância da agenda de reformas voltadas ao crescimento que são necessárias nas áreas de infraestrutura, educação, regulação, concorrência e política tributária”, assinala o Banco Mundial.

“Enfrentar essas questões exige reformas profundas, entre elas: melhorar os sistemas educacionais em todos os níveis, fortalecer a qualidade das universidades e institutos de pesquisa, bem como estreitar seus vínculos com o setor privado; além de aprofundar os mercados de capitais e facilitar a gestão do risco inerente aos processos de inovação e empreendedorismo”, completa o relatório.

Agência Brasil

O presidente Lula conversou com Trump por videoconferência

Ele recordou que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços. Na sequência, solicitou a retirada da sobretaxa de 50% imposta a produtos nacionais, além das medidas restritivas aplicadas contra autoridades brasileiras.

“O presidente Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar sequência às negociações com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad”, informou o Planalto.

Os dois presidentes acordaram encontrar-se pessoalmente em breve. Lula sugeriu que o encontro seja durante a Cúpula da Asean, na Malásia. Ele reiterou convite a Trump para participar da COP30, em Belém; e se dispôs  também a viajar aos Estados Unidos.

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